11 de mai de 2016

GDF torrou R$ 2 milhões com publicidade na passagem da tocha olímpica

MICHAEL MELO/METRÓPOLES
Dos R$ 3,8 milhões gastos, R$ 2 milhões foram direto para a divulgação da realização do evento na capital
Há uma semana, o brasiliense pôde conferir de perto a passagem da tocha olímpica, símbolo dos Jogos Rio-2016, pelas ruas da capital federal. No entanto, para cumprir o trajeto, o fogo olímpico fez dinheiro público virar fumaça. Conforme o Metrópoles adiantou, dos R$ 4,3 milhões gastos com o evento, R$ 3,8 milhões foram bancados pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Agora, a reportagem foi atrás da destinação desse dinheiro e descobriu que 52% do investimento, cerca de R$ 2 milhões, foram gastos apenas com a divulgação da passagem da chama no Distrito Federal.

Segundo o Governo do DF, a “Comunicação Institucional e Interação Social investiu R$ 1.934.326,28 em divulgação, para campanhas de mobilização da população, com enfoque em serviço e em participação dos moradores de Brasília”. Mas, tal valor torna-se ainda mais surreal quando é feito um comparativo com as demais capitais que já receberam ou irão receber o revezamento da tocha.

Brasília teve, sim, o percurso mais distante em que o fogo olímpico passou – a chama percorreu 105 km da capital federal, passando por cinco cidades administrativas. A distância é quase duas vezes maior do que a que será percorrida em Belo Horizonte. No entanto, a capital mineira pretende gastar no revezamento, marcado para sábado (14/5), apenas R$ 250 mil. A prefeitura informou ao Metrópoles, em nota, que os patrocinadores bancarão as atrações e a festa de encerramento.

Em Goiânia, onde a tocha esteve no último dia 5, a prefeitura informou ter investido R$ 186 mil. Já a cidade de Vitória, capital do Espirito Santo, que irá receber o fogo olímpico no dia 17 para um percurso de 32 km, estima gastar apenas R$ 15 mil reais. As outras capitais do Brasil ainda não definiram trajetos ou custos.

Demais gastos
Para garantir a segurança durante a passagem da tocha olímpica no Distrito Federal, as forças de segurança pública – Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros – investiram um total R$ 848 mil reais, ou 22% do orçamento. Já a Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo bancou R$ 193.158,89 com a contratação de empresa para a produção e instalação de cartazes que estavam pregados em todo o trajeto por onde a tocha passou. Além de R$ 6 mil para confecção das bandeiras dos países usadas na cerimônia realizada no Estádio Nacional de Brasília.

Vale destacar ainda que a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) arcou com R$ 203 mil, enquanto o Metrô/DF investiu R$ 32 mil e o Transporte Coletivo de Brasília, R$ 3 mil. Para a catação, varrição e coleta de lixo, o Serviço de Limpeza Urbana gastou R$ 33 mil.

Festa de encerramento
A reportagem teve acesso ainda aos documentos que especificam os gastos da Secretaria de Cultura. A pasta investiu R$ 571 mil para a estrutura de palco, som, alambrados e banheiros químicos. Segundo o documento, uma das empresas vencedoras para a montagem do palco ganhou R$ 125.543,60. Já a iluminação custou R$ 32,6 mil, enquanto R$ 127,4 mil foram destinados a uma outra empresa que alugou ao GDF os equipamentos necessários para a estrutura do palco.

Questionada sobre esses valores, a Secretaria de Cultura afirmou apenas que “a contratação de infraestrutura para os shows foi, sim, licitada, conforme publicado no Diário Oficial do Distrito Federal”. Ainda sobre os shows, os cachês dos artistas brasilienses foram pagos com verba de R$ 250 mil de convênio da pasta de Cultura (com R$ 10 mil) com o Ministério da Cultura. Outros R$ 250 mil pagaram os artistas nacionais, por meio de convênio da pasta do Esporte, Turismo e Lazer (com R$ 16 mil), com o Ministério do Turismo.

do Portal Metrópoles

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