20 de mai de 2016

Governo Beto Richa despeja 1,2 mil famílias Sem Terra no PR

Foto MST
Em nota, MST denuncia o aparato repressivo do Estado e exige medidas imediatas contra a violência

Da Página do MST  

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público informar que na manhã dessa quarta-feira (18), um grupo de 650 Policiais Militares e Civis, se deslocaram para o município de Santa Terezinha do Itaipu, região oeste do Paraná, a mando do governador do Estado, Beto Richa, e do secretário Chefe da Casa Civil do Paraná, Valdir Rossoni, para despejar as famílias do acampamento Sebastião Camargo, localizado na ocupação Fazenda Santa Maria.

A fazenda ocupada em março deste ano por 1,2 mil famílias Sem Terra, pertence aos irmãos Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da Etesco, e a Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro, ambos envolvidos no desvio de dinheiro público na Petrobrás, citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, durante as investigações da Operação Lava Jato, da Policia Federal.

A mesma Polícia Militar, que realiza essa ação a mando do Rossoni, assassinou, em emboscada, no dia 7 de abril desse ano, a tiros de pistola e fuzil pelas costas, os integrantes do MST, Vilmar Bordim, 44 anos, e Leonir Orback, 25 anos, no acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu. A polícia também feriu, gravemente, outros dois integrantes do Movimento, Pedro Francelino e Henrique Gustavo Souza Pratti.

A área do acampamento, que já foi decretada pela justiça como pertencente à União, foi atacada após o Deputado Rossoni assumir a Chefia da Casa Civil do Governo do Paraná.

Rossoni que, coincidentemente, esteve em visita ao município de Quedas do Iguaçu, no dia 1 de abril de 2016, acompanhado do Secretario de Segurança Publica do Paraná, Wagner Mesquita e de representantes da cúpula da policia do Paraná e que determinou o envio de um contingente de mais de 60 PMs para Quedas do Iguaçu.
Foto MST
Esses casos recentes de violência contra trabalhadores Sem Terra, por parte do Governo do Paraná, Policia Militar e Policia Civil, são muito semelhantes aos vividos no segundo mandato do ex-governador Jaime Lerner (1999 a 2003), onde centenas de famílias do MST passaram a ser aterrorizadas, torturadas, ameaçadas. 

Foram mais de 120 despejos, cerca de 470 prisões arbitrárias e 16 mortes de membros do Movimento. Uma política orquestrada pela elite paranaense, que se apropriou do aparelho de repressão do Estado, em aliança com o Poder Judiciário e a mídia, atendendo os interesses dos fazendeiros proprietários de terras, com o objetivo de criminalizar e desmoralizar a luta pela Reforma Agrária. Uma luta justa e que sempre foi tratada como questão policial e não uma questão social.
Foto MST
Por fim, exigimos e afirmamos:
- O imediato afastamento da Policia Militar no tratamento da questão agrária. Chega de violência, prisão, assassinatos e despejos.

- Que o Governo Estadual, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e o Governo Federal, destine terras para assentar as 10 mil famílias acampadas no Paraná.

- Alertamos as autoridades estaduais que, os governos que utilizaram do aparelho do Estado para reprimir os problemas sociais ficaram marcados na história como bárbaros, tiranos, sanguinários, violentos e que, nem por isso, conseguiram sufocar e enfraquecer a luta dos camponeses para o acesso à terra, a produção de alimentos saudáveis, educação e garantia de direitos sociais.

Paraná, 17 de maio de 2016.
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