22 de jul de 2018

Wilson Aragão - Seu Prefeito

Fica a dica do PCdoB: vamos de mãos dadas

Paulo Vinícius é dirigente da CTB
Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
por Paulo Vinícius no Portal Vermelho

Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Drummond

O PCdoB tem uma longa tradição de construção da unidade não só na esquerda, mas com nacionalistas e democratas. O chamado para a criação da Frente Brasil Popular de 1989 foi feito pela sigla, num gesto de grandeza em apoio à candidatura de Lula. Mas também a Constituinte, a Redemocratização e a vitória de Tancredo, a vitória de JK, tiveram lá a contribuição dos comunistas do Brasil, que buscam ser consequentes, seguir o conselho do Marx, no Manifesto Comunista, que completou 170 anos: lutar no presente com a cabeça no futuro do movimento. Ver longe. O Comitê Central do PCdoB adotou uma resolução justa, cirúrgica, ajustada ao momento de confusão e ameaça que vivemos. Mais que isso, a resolução é funcional, orienta o conjunto das ações de todos e todas as militantes na reta decisiva das coligações. E nos dá liberdade para agir.

O Partido é muito habilidoso, tem conteúdo, seus quadros são notáveis e tem princípios, como sempre se mostrou na solidariedade ao Ex-Presidente Lula - sempre. Reflete num momento grave de união da direita golpista e dispersão do povo. Age com a sensibilidade e a responsabilidade que o momento exige. E foi cristalino ao apresentar seu projeto, é muito importante o avanço eleitoral do PCdoB como parte de uma vitória do povo brasileiro e da nossa democracia.

Treino é treino, jogo é jogo, e o que se poder perder é o futuro do Brasil, da democracia, uma vida de privações para nosso povo. Vamos por toda parte dialogar pela unidade da esquerda, dos nacionalistas, democratas, já no primeiro turno para salvar o Brasil.

A Frente Ampla exige o entendimento da esquerda, representada nas candidaturas de Manu, Lula, Ciro e Boulos para a partir daí unir o Brasil e vencer o golpe. Então, essa clareza é material finíssimo para a luta política nas próximas semanas.

Vamos trabalhar pela unidade, rejeitar provocações e arroubos, o momento é de paciência, mobilização, responsabilidade. Nossa Pré-candidata, a querida camarada Manuela Dávila seguirá nos orgulhando a cada gesto, construindo a política desse coletivo que se afirma no cenário nacional como o que é: uma força já quase secular, mas que renova a política brasileira, força nacionalista, da classe trabalhadora, das mulheres e da juventude. Como foi acertado ter lançado Manu e ver a importância do papel que tem assumido e tanto há para fazer!

Eu acredito que é possível unir, é possível vencer, como diz o PCdoB. O povo unido jamais será vencido. É essa união que permitirá à maioria do povo entender o perigo e salvar o nosso país pela democracia.

Jardelino Satanás (Documentário)

Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
Jardelino Satanás
Wilson Aragão

Se voismecê pernoitá no mira-serra
E iscutá uma curuja no teiado
Um miado de gato amedronhado
Um gemido de porco no chiqueiro
Se sentir que tem gente no terreiro
Não se avexe, voismecê foi batizado
Se fifó apagou não sou culpado
Nós estamos no mês de fevereiro
Por aí vem chegando um carpinteiro
De martelo, serrote e bicicreta
Visitá mariquinha predileta
Satanás vai muntado em sua contra-pedá

Vixe Maria, é lua cheia e o curujão cantou

Piritiba já conta outra história
Jardelino passou na fechadura
A surpresa da esposa desventura
Seu marido deitado do seu lado
Jardelino é um bicho respeitado
Que conhece de cor São Cipriano
Fez um chá com as barbas de um bichano
Já dormiu numa estranha sepultura
Nas profundas mandou na prefeitura
Exalou nos bigode de uma turma
Quem tem medo e se mele que não durma
Satanás vai muntado em sua contra-pedá

Vixe Maria, é lua cheia e o curujão cantou

Jardelino tem uns zóio apertado
Mas enxerga pra mais de 10 quilome
Tem quem diga que o homem é lobisome
Mas que vire esse bicho eu não agaranto
Eu não vivo essas coisas que eu não canto
Mas nos causo de Vera que se espicha
Jardelino ofendido pela bicha
Fez com reza rolar, jogou num canto
Ferro doido chamou por todo santo
Pra Jardel esse caso num foi nada
Lá se vai pedalando pela estrada
Satanás vai muntado em sua contra-pedá

Vixe Maria, é lua cheia e o curujão cantou

Em mato que paca anda, tatu caminha dentro
Sapo pula e rã caminha
Em mato que paca anda, tatu caminha dentro
Jardelino Satanás é cheio de arenguetegue
É cheio de arenguetengue
É cheio de arte


Pesadelo

Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta

E se a força é tua ela um dia é nossa

Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto

De repente olha eu de novo

Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã

Olha aí...
Olha aí...
Olha aí...

Pesadelo
De Maurício Tapajós / Paulo César Pinheiro

21 de jul de 2018

Utopia para além do festival: conheça as políticas públicas de Maricá (RJ)

Ônibus público "vermelhinho" circula com tarifa zero
em Maricá, Rio de Janeiro / Marcelo Cruz
Município tem tarifa zero no transporte, moeda social própria e projeto de hortas comunitárias

por Júlia Dolce no Brasil de Fato

A cidade que organiza e sedia o Festival Internacional da Utopia é conhecida por tentar colocar em prática tal conceito ideal de sociedade. É o que afirma a Prefeitura de Maricá, município do Rio de Janeiro, que na última década vem implementando uma série de políticas públicas de bem estar social, culminando na própria realização da segunda edição do Festival.

Maricá foi a cidade fluminense que mais recebeu royalties do petróleo em 2017, uma soma que ultrapassa os R$ 680 milhões. Entre as principais medidas contempladas pelo recurso, e que destacam a cidade dos demais municípios do país, está a tarifa zero no transporte público, inaugurada durante o início do segundo mandato do governo de seu ex-prefeito, Washington Quaquá (PT), por meio da criação da Empresa Pública de Transporte (EPT). A iniciativa da criação da empresa é pioneira no país e tornou Maricá a única cidade brasileira com mais de 100 mil habitantes que não cobra tarifa aos usuários de transporte público.

A operadora de caixa Talita Pereira, que mora no bairro Balneário Bambuí, a 40 minutos do centro de Maricá, é uma dos mais de 15 mil usuários beneficiados diariamente pelo ônibus público, conhecido como “vermelhinho”.

“Antes do 'vermelhinho' estar circulando tinham outras formas de transporte nas quais gastávamos R$ 2,60, e sempre dava problemas, deixava a gente na mão. A vinda do vermelhinho adiantou muito a nossa vida, tanto por conta do valor, e também porque é um transporte bom. Então está sendo bem útil para gente. A pessoa que sempre está usando o 'vermelhinho' economiza bastante”, conta.

De acordo com Lourival Casula, presidente da EPT, já são 88 “vermelhinhos” na frota da cidade, mas a Prefeitura pretende adquirir mais 25, para contemplar a grande extensão territorial de 362 km² da cidade.

“O transporte não só é um direito, mas é uma obrigação do Estado fornecer. O transporte já está sendo cobrado na mão de obra, quando o trabalhador presta serviço já está pagando o transporte. Quando sai para passear, já deve estar com a passagem paga. Eu não sei se falta vontade política para implementar a tarifa zero em outras cidades, eu sei que aqui teve e funcionou. Às vezes as pessoas acham que é impossível, mas nosso município está aí para provar que é possível”, afirmou.

Moeda social 

A auxiliar de serviços gerais Maria de Fátima Oliveira mora no bairro de Figueira, a 25 minutos de seu trabalho no centro de Maricá, e relata que além da tarifa zero, foi beneficiada por outra política pública inovadora da cidade: a moeda social Mumbuca.

“Antes eu gastava R$ 5,40 todos os dias com transporte, e esse dinheiro já pode ser economizado na renda familiar. Tem famílias que não têm renda, com muitas pessoas idosas, e tinham que gastar muito dinheiro com transporte. Agora o 'vermelhinho' e o cartão Mumbuca estão favorecendo muito a gente aqui de Maricá. Com ele eu compro legumes, frutas e remédios, o que já deixa a renda mais folgada”, disse.

A moeda Mumbuca surgiu em 2013, como um programa de transferência de renda mínima para famílias que tem como renda até três salários mínimos, são beneficiárias do programa Bolsa Família e possuem Cadastro Único no Governo Federal. Hoje, 11 mil famílias de Maricá recebem R$ 130 mensais, em uma moeda paralela que é aceita por pelo menos 700 comerciantes na cidade. O programa se expandiu para o Banco Público Mumbuca, que pode ser acessado por aplicativo pelos smartphones, e oferece possibilidades de transferência com taxas mais baixas do que as privadas, além de crédito sem juros.

Segundo Diego Zeidan, secretário de Economia Solidária de Maricá, órgão responsável pela implementação da moeda, o Banco Mumbuca foi criado como uma possibilidade de oposição ao sistema financeiro e é o único banco comunitário em todo o país oficialmente apoiado pelo governo municipal.

“Esse programa visa fomentar a economia local, porque esse dinheiro pago pelo programa que circula com a moeda só é aceita no comércio local. O Banco Mumbuca é um banco da comunidade, não está à mercê do capital internacional. É uma lógica que tenta fugir da tradicional, construindo um sistema financeiro que foge do grande capital, que compra governo, compra políticos e vê as pessoas como um meio de lucro.  É uma economia voltada para as pessoas, e não para o dinheiro”, afirmou.

O Banco Mumbuca é responsável por políticas como a transferência de R$ 300 para as populações indígenas de Maricá, como forma de reparação histórica, e o projeto Mumbuca Futuro, uma espécie de bolsa anual de R$ 1200 para estudantes da rede pública, que poderá ser sacada após a formatura do ensino médio, servindo como uma espécie de renda básica e podendo ser investida em projetos de empreendedorismo ou no acesso ao ensino superior.

Hortas agroecológicas

Além da tarifa zero e do Banco Mumbuca, Zeidan destaca outras políticas públicas que estão em processo de implementação, como um projeto de hortas comunitárias para a produção agroecológica nos bairros da cidade.

Para o atual prefeito de Maricá, Fabiano Horta (PT), que marcou presença no ato de abertura do 2º Festival Internacional da Utopia na quinta-feira (22), as políticas públicas de Maricá devem ser exportadas para outras cidades do Brasil e do mundo.

"Maricá tem um conjunto de ações inventivas que projetam referências para o futuro. Aqui em Maricá vamos completar um ciclo de 10 anos administrando a cidade e invertendo a lógica social do domínio. Os grupos econômicos que se sobrepunham à cidade e inviabilizavam um desenvolvimento social e econômico foram enfrentados. Queremos transpor esses saberes. O Festival da Utopia existe para discutirmos, acima de tudo, nossa própria humanidade, e construir um senso crítico sobre esse tempo difícil que temos vivido e só vamos superar lançado luz sobre o Brasil”, afirmou.

O 2º Festival Internacional da Utopia acontece até o domingo (22), trazendo shows, debates e produtos da reforma agrária para a população local e visitantes.