A Revolta dos Malês
Em 28 de fevereiro de 1814, Itapuã foi cenário de rebeliões de africanos/as na Bahia. A rebelião aconteceu na propriedade de Manuel Ignácio da Cunha, na época, presidente da província da Bahia, no âmbito do sistema de produção da pesca.
A liderança dessa rebelião foi do africano Francisco e de sua esposa Francisca, considerados pelos insurgentes como rei e rainha.
Essa rebelião foi muito bem organizada, pois os 250 africanos envolvidos foram sendo mobilizados através de viagens que Francisco e Francisca fizeram pelo Recôncavo e demais vilas e freguesias de Salvador.
A rebelião começou com um incêndio na armação pesqueira de propriedade de Manuel Ignácio da Cunha, resultando na morte do feitor que administrava a armação e sua família, se estendendo para outras armações nos arredores de Itapuã e surpreendendo com a meta de ir em direção ao Recôncavo.
Em Santo Amaro de Ipitanga (hoje município de Lauro de Freitas) as tropas do governo aparecem e reprimem a rebelião, depois de uma sofrida batalha que tirou muitas vidas dos africanos e africanas liderados por Francisco.
Como desdobramentos dessa rebelião, os arquivos registram que:
[...] Durante a revolta os rebeldes mataram 14 pessoas, entre elas escravos que recusaram a unir-se a eles, e perderam 58 de seu lado. Dos que foram presos, quatro terminaram condenados à morte e enforcados; muitos foram punidos com penas de açoite, inclusive quatro mulheres; 23 foram deportados para colônias penais na África portuguesa. Além desses, mais de duas dezenas morreram nas prisões por maus tratos. Entre as vítimas da repressão deve-se também incluir muitos que de acordo com relato policial, teriam se ‘suicidado’, afogando-se no Rio Joanes ou enforcando-se. Parece que os insurgentes que conseguiram romper o cerco continuaram a luta. Foram parar em Alagoas, onde teriam planejado um levante, que afinal não apareceu, com data marcada para dezembro de 1815.
Outra rebelião marcante na Bahia, em Itapuã, foi a de 12 de março de 1828 e o alvo mais uma vez foi outra armação pesqueira de Manuel Ignácio da Cunha e Francisco Lourenço Herculano.
Aproximadamente cem insurgentes saíram de Itapuã em direção a Pirajá e nesse trajeto queimaram casas e canaviais. Na Engomadeira os insurgentes foram reprimidos pela polícia. Uns foram presos, outros desapareceram pelas matas e um deles, Joaquim, de origem nagô, recebeu cento e cinqüenta açoites como exemplo para todos/as aqueles/as que se recusavam a aceitar a ordem escravista colonial.
As organizações quilombolas também foram fundamentais para a vida dos africanos em Itapuã, que mantinham vínculos com outras freguesias de Salvador submetidas ao regime escravista Itapuã também é uma referência importante no contexto das insurgências dos africanos na Bahia, cujas estratégias de luta pela liberdade de existência constituem um importante legado para a Rebelião Malê em 1835, uma das mais importantes das Américas.
Para saber sobre essas rebeliões consulte o livro Rebelião Escrava no Brasil do historiador João José Reis.
Por Blog do Acra

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