Grupo de dança comemora 20 anos de palco
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| Espetaculo Lumen (2002). Foto: Grupo Experimental/Divulgação |
Experimental cumpre curta temporada, de quinta a domingo, no Teatro Hermilo Borba Filho
Para o Grupo Experimental, o fim do ano simboliza a reflexão sobre o início de um ciclo. Na comemoração dos 20 anos de atuação na dança pernambucana, o coletivo decidiu traçar um caminho que dialoga com a sua primeira década de carreira. Para marcar a lembrança das duas décadas, o coletivo traz ao Recife, na última semana de 2013, uma curta temporada com parte de seu repertório em dança contemporânea. Desta quinta-feira (26) a domingo (29), o Teatro Hermilo Borba Filho é o palco onde se apresentam quatro espetáculos: Eye to eye (1993), Barro-macaxeira (2001), Nada muito sério (1995) e Lúmen (2002).
Segundo a diretora e coreógrafa do Grupo Experimental, Mônica Lira, a ideia foi de que os nove integrantes da companhia, seis mulheres e três homens, tivessem contato direto com as obras do início do grupo. “Além de vários dos bailarinos do grupo não conhecerem o movimento de dança no Recife nos anos 1990, por serem crianças nessa época, eles também não conheciam os movimentos corporais desses primeiros trabalhos. Queria que houvesse essa vivência nova e essa troca com o passado”.
Para auxiliar no processo de montagem, foram convidados coreógrafos ligados ao início do Experimental, como Marcelo Pereira, pernambucano radicado na Suíça e criador do primeiro trabalho do grupo, além de Luiz Roberto Silva, que atuou também como professor, ensaiador e coordenador ao longo dessas duas décadas. A professora da UFPB Valéria Vicente também participa. “Esses coreógrafos eram amigos, pessoas que queriam colaborar. Eles não recebiam nenhum tipo de pagamento para trabalhar conosco”, recorda Mônica. Atualmente, a temporada é patrocinada pelo Funcultura e pela Companhia Pernambucana de Gás (Copergás).
Cada noite da temporada terá os quatro espetáculos, em aproximadamente uma hora e meia no total. A sequência de apresentações não obedece a uma ordem cronológica. “O público será orientado com gravações de áudio e vídeos para pontuar essa transição”, informa Mônica. No teatro, também haverá instalações com materiais de outros espetáculos que não vão ser encenados à noite. “A intenção é fazer com que o público conheça o grupo e quem já conheça possa reviver os espetáculos”, completa a coreógrafa.
Para essa retrospectiva, as coreografias vão sofrer adaptações, que dizem respeito principalmente ao número de bailarinos em cena. Em Nada muito sério, por exemplo, o público vai assistir à apresentação, com dez minutos, no pátio externo do teatro. Inicialmente, o elenco contava com cinco pessoas e, desta vez, a montagem incluirá os nove integrantes do Experimental. Essa retrospectiva da carreira também será encenada no Janeiro de Grandes Espetáculos, após a virada do ano.
Eye to eye (1993)
Coreografia de Marcelo Pereira
A primeira coreografia do Experimental é uma meditação sobre o sucesso e o fracasso das relações amorosas. Os movimentos corporais se unem às trocas de olhar e de energia entre os bailarinos. Inicialmente, o balé tinha quatro pessoas em cena, e agora inclui todos os integrantes do grupo em revezamento. A cada dia haverá um elenco diferente.
Nada muito sério (1995)
Coreografia de Luiz Roberto Silva
Em um ambiente de bar, o público, em pé, observa o diálogo do Grupo Experimental com um ambiente externo ao teatro. As histórias de vida e confidências que aparecem nas mesas de bar são matéria-prima para o movimento dos bailarinos. O ambiente festivo e a embriaguez aparecem na dança e na exposição de sentimentos que ela evoca.
Barro-Macaxeira (2001)
Coreografia de Lili Rocha, Valéria Vicente e Mônica Lira
O percurso percorrido pela linha de ônibus Barro-Macaxeira é um pretexto para que o grupo apresente um painel humano do Recife a partir da dança. Nesse espetáculo, no qual o humor está presente, estão as diferenças sociais, os tipos urbanos e a interação entre o passado e a modernidade. O ônibus se torna um personagem à parte, já que seu movimento faz o espetáculo avançar.
Lumen (2002)
Coreografia de Mônica Lira
O cinema inspirou o Grupo Experimental a fazer um espetáculo que interagia com a sétima arte e com seus arquétipos, em um trabalho de fronteira entre a dança e o audiovisual. A tecnologia e as consequências de seu uso se tornaram pano de fundo para a coreografia, que, como a grande maioria do repertório do grupo, se propõe a discutir as relações humanas.
Futuro
Experimental em 2014
Segundo Mônica Lira, o tema do próximo espetáculo terá um questionamento inquietante para muitos artistas: a dificuldade de sobreviver de sua arte. A ideia é convidar bailarinos que deixaram de dançar para interagirem com o atual elenco do Experimental.
fonte http://www.diariodepernambuco.com.br/

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