
Por Íkaro Chaves
Faz muito tempo que a direita não consegue ir às ruas comandando manifestações.Nunca se viu uma passeata repleta de bandeiras do PSDB e do DEM, tampouco palavras de ordem como: Mais neoliberalismo, pela privatização, contra a saúde e a educação públicas, contra a previdência social e a favor do arrocho do salário mínimo.
Bandeiras tão caras à direita não conseguem mobilizar ninguém, além de jornalistas e grandes empresários, mesmo assim nem todos.
Felizmente, para a direita existe a extrema esquerda, PSTU, PCB, Psol e uma malta de grupelhos que vêem em cada agitação, dessas organizadas pela CIA na Líbia, na Síria, na Ucrânia e mesmo no Brasil o começo da revolução. Mesmo que os fatos demonstrem que sempre o resultado dessas agitações tem sido a guerra colonialista e o crescimento do fascismo.
Não importa, para essa turma o importante é aparecer e já que a Globo e a mídia em gelral lhes dão farto espaço no noticiário lá estão eles, fazendo o que sempre fizeram: Servindo de força auxiliar da direita na tentativa de desestabilizar esse governo.
Nem o próprio PSDB tem coragem de gritar: "Não vai ter copa", pois sabem que cairiam no ridículo e no descrédito, sabem que a imensa maioria do povo ama seu país e seus símbolos, dentre eles a seleção nacional de futebol, quase tão importante como definidora da nacionalidade brasileira quanto o hino e a bandeira. Basta notar que em qualquer lugar do mundo há sempre uma camisa amarela da seleção brasileira de futebol, coisa que não acontece com nenhuma outra seleção esportiva do mundo e que serve de cartão de visitas da nacionalidade brasileira em qualquer parte do mundo.
Mas para esses grupelhos, sem qualquer perspectiva de poder não importa fazer papel de bobos, nem angariar a antipatia das massas. Se prestam a fazer esse trabalho sujo, que a direita, esperta, não tem coragem de fazer.
É assim em todo lugar do mundo, a extrema esquerda é o mais prestativo aliado da direita e do imperialismo.
Demagogia nas ruas
Por Aldo Rebelo
As jornadas da Copa do Mundo têm projetado antigas virtudes e deformidades do Brasil, entre estas uma crise de valores que há muito esgarça relações na sociedade nacional. A crise não se localiza apenas nos desvãos do aparelho de Estado nem nos estratos sociais mais vulneráveis à delinquência. Pessoas, grupos e categorias profissionais de que se esperam práticas éticas, debate esclarecedor e militância transformadora têm protagonizado o vale-tudo nas ruas.
Certos atos públicos estão sendo articulados por facções políticas que desprezam a Política e interditam a via democrática. São setores derrotados e ressentidos e sem perspectiva histórica. Acham que estão na Comuna de Paris em 1871 e sonham levar o Brasil ao inferno de assalto, vibrando metas delirantes como “não vai ter Copa”. Cada manifestação traveste-se de microinsurreição a que, desta vez sim, o povo assiste bestificado, quando não indignado por ter negado seu direito de ir e vir. Ganham 15 minutos de fama, mas, como já dito, a infâmia que praticam dura para sempre.
O recente episódio de encurralamento da Seleção por um grupelho de professores no Rio de Janeiro é exemplo eloquente do ativismo deformado pela histeria política. A pretexto de pleitear benefícios profissionais, grevistas que se apresentam como educadores deram aula pública de grosseria ao agredir os jogadores, vaiando-os e acusando-os de simbolizar o desvio para a Copa de recursos que deveriam ir para a Educação.
Está exaustivamente demonstrado que o argumento é tão falso quanto os bordões gritados nessas algaravias. Segundo dados compilados pela Secretaria de Comunicação, desde 2010, quando prosperaram as obras associadas à Copa, com orçamento-teto de R$ 30 bilhões, o Governo Federal destinou R$ 850 bilhões para Educação e Saúde. A Copa, e agora nossos craques, viraram, no entanto, um palanque de papel onde ecoa a parolagem dos demagogos.
Comparações absurdas desse naipe são a bandeira de grupos que, a pretexto de defender direitos, sabotam a Democracia. Felizmente, a contraposição a esses desatinos também já está nas ruas.
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