22 de mar de 2015

Procura-se - Por Iberê Lopes

Onde eu fui parar? Digo, aquele de ontem. Pisando leve na rua, sorrindo de qualquer besteira, iluminando frases marginais. 
Parecia no caminho exato, no rumo improvável da satisfação nas pequenas manifestações de carinho. Perdido? Talvez tenha acontecido em algum delírio ou durante um sonho infantil. 

De Brasília
Iberê Lopes
Para o Blog do Arretadinho

Não desligue a música agora. Nem comecei a dança do acasalamento com a esperança. Me permita levitar por alguns instantes mais, na tentativa de resgatar em vida o brilho nos meus olhos. Foi alguma coisa que eu comi no final do ano. Só pode. Intoxicação por excesso de confiança. Era assim que me sentia quando tropecei no degrau da ilusão e passei no sinal vermelho da verdade. 

"...Driving this road down to paradise
Letting the sunlight into my eyes
Our only plan is to improvise..."

Ah, vez ou outra acontece mesmo. Ficamos dormindo ao relento, longe do corpo, como se o espírito tivesse fugido de casa sem deixar um bilhete, uma explicação ou paradeiro. O pior é que sai e esquece propositalmente o celular. Nem Wase, Telegram ou mensagem nas nuvens pode fazê-lo voltar se não for de sua vontade. As paixões da alma merecem mesmo uma reflexão menos cartesiana e profundamente sincera. 

Alguém me passa o vidro de bis e o pote de sorvete, por favor. E faça de conta que não me viu por aqui. Estou em busca de um guri vintage, ele sumiu durante as festas e me deixou colecionando boas lembranças cristalizadas. Detesto frutas no panetone, declarações de amor vazias e incertezas na hora de beijar na boca. Dá uma sensação de que o mundo está desalinhado. 

Deve haver um jeito, garrafas ao mar e ainda algum lugar por onde eu possa começar. Nessa hora, vou até a janela e tenho uma visão de ouro. Faz um ano que moro num apartamento 3x4 com sacada. Ao lado existe um abrigo para meninos e meninas em estado de abandono total. Estranho é nunca ter escutado a voz de uma criança por lá. Concentra na história!

Enfim, o nome é o que importa nessa narrativa acidamente lisérgica. Casa da Harmonia do Menor Carente. Super me identifiquei. Quem sabe minha alma foi procurar conforto diante desse desconsolo momentâneo que assisto encenando ao mesmo tempo. Se alguém aí souber de mim ou tiver uma pista de preparo instantâneo, duas garrafas de vinho e um tanto de companhia revigorante me avise. 

Procura-se, por Iberê Lopes 22/03/2015
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