8 de abr de 2016

Caminho que aprofunde confronto pode resultar em desastre

FERNANDO FRAZÃO/ AGÊNCIA BRASIL
Caminho que aprofunde confronto pode resultar em desastre, dizem sindicalistas
Eles pedem "rigoroso respeito às regras constitucionais, à democracia, à vontade geral da nação e ao interesse coletivo" e propõem reforma política, nova governança e mudança de política econômica

por Redação RBA 

São Paulo – Um grupo de sindicalistas, ligados a centrais diversas, lançou documento no qual pedem "rigoroso respeito às regras constitucionais, à democracia, à vontade geral da nação e ao interesse coletivo" do país. "Qualquer outro caminho que aprofunde a cizânia e o confronto é péssimo e poderá provocar um desastre", afirmam.

Eles propõem um esforço conjunto para consolidar propostas que envolvam os "agentes econômicos reais" – Estado, trabalhadores e empresários – em torno de um conjunto mínimo de iniciativas e medidas para sair da recessão econômica". E citam o chamado Compromisso pelo Desenvolvimento, firmado no final de 2015 entre representantes patronais e dos trabalhadores. "O governo, registre-se, demonstrou entender a importância desse Compromisso ao resgatar o Conselho de Desenvolvimento Econômico, o Conselhão", assinalam os dirigentes.

Para, como dizem, reforçar e dar continuidade àquelas propostas, os sindicalistas destacam três itens: "imediato encaminhamento" da reforma política, ampla e democrática; novas regras de governança, "orientada pela transparência e controle, que coíba ilícitos e fortaleça a atividade empresarial e os investimentos públicos e privados"; e implementação de uma política econômica voltada para a retomada e sustentação do crescimento econômico.

"A gravidade da atual crise indica urgência. O nível de conflito, serenidade. O tamanho do desafio, ousadia. Urgência, serenidade e ousadia se constroem com diálogo. Diálogo para construir compromissos com transformações benéficas para a sociedade", afirmam os dirigentes. "O Brasil já enfrentou uma grande recessão na década de 1980. Tão ou mais severa do que a atual. E conseguiu vencê-la a partir de um acordo mínimo entre as forças responsáveis e atuantes em prol de sua economia essencialmente vigorosa."

Assinam o texto, entre outros, o presidente da CTB, Adilson Araújo, o secretário-geral da UGT, Francisco Canindé Pegado (que na lista se apresenta como presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Sistema de Televisão por Assinatura e Serviços Especiais de Telecomunicação, Sincab), a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, Jorge Nazareno, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos na Saúde do Estado de São Paulo, Gervásio Foganholi, a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, o coordenador do Sindicato dos Químicos de São Paulo, Osvaldo Bezerra, o Pipoka, o presidente da Federação dos Químicos do Estado de São Paulo, Sérgio Luiz Leite, e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, Sergio Butka.

Leia a íntegra do documento:

Nosso compromisso para transformar o Brasil

O Brasil já mostrou sua capacidade de superar grandes desafios. Com suas instituições  robustas e sua experiência na construção de compromissos, por meio do diálogo social, nosso País tem plena condição de vencer qualquer crise. Venceremos novamente.

Diante da atual conjuntura, destacamos que o caminho de superação é demarcado pelo rigoroso respeito às regras constitucionais, à democracia, à vontade geral da nação e ao interesse coletivo do País. Qualquer outro caminho que aprofunde a cizânia e o confronto é péssimo e poderá provocar um desastre. 

A luta é urgente e exige o esforço de unificar e consolidar um eixo de propostas que  contemplem os agentes econômicos reais – Estado, trabalhadores e empresários – em torno de um conjunto mínimo de iniciativas e medidas para sair da recessão econômica. 

Essa necessidade já resulta em sucesso no Compromisso do Desenvolvimento, firmado em dezembro de 2015, em foro permanente de representantes dos principais setores  econômicos, com empregadores e empregados discutindo com serenidade e franqueza saídas para este momento de estagnação e desemprego. O governo, registre-se, demonstrou entender a importância desse Compromisso ao resgatar o Conselho de Desenvolvimento Econômico, o Conselhão. 

Para reforçar e dar continuidade àquelas propostas, levantamos três eixos mobilizadores:

O IMEDIATO ENCAMINHAMENTO DA REFORMA POLÍTICA AMPLA E DEMOCRÁTICA;

A CONSTRUÇÃO DE NOVAS REGRAS PARA UMA GOVERNANÇA ORIENTADA PELA TRANSPARÊNCIA E CONTROLE, QUE COÍBA ILÍCITOS E FORTALEÇA A ATIVIDADE EMPRESARIAL E OS INVESTIMENTOS PÚBLICOS E PRIVADOS;

A IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICA ECONÔMICA ORIENTADA PARA A RETOMADA E SUSTENTAÇÃO DO CRESCIMENTO ECONÔMICO, QUE ACELERE A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO DE DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO, ORIENTADO PELO INVESTIMENTO E A GERAÇÃO DE EMPREGO.


A gravidade da atual crise indica urgência. O nível de conflito, serenidade. O tamanho do desafio, ousadia. Urgência, serenidade e ousadia se constroem com diálogo. Diálogo para construir compromissos com transformações benéficas para a sociedade.


O Brasil já enfrentou uma grande recessão na década de 1980. Tão ou mais severa do que a atual. E conseguiu vencê-la a partir de um acordo mínimo entre as forças responsáveis e atuantes em prol de sua economia essencialmente vigorosa.

O futuro da nação depende de um projeto que reúna as forças econômicas, sociais, políticas e culturais. Essa é nossa atual tarefa histórica. 

São Paulo, 6 de abril de 2016

Adilson Araújo – Presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) 
Canindé Pegado – Presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Sistema de Televisão por Assinatura e Serviços Especiais de Telecomunicação (Sincab) 
Eusebio Luis Pinto Neto – Presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro (Sinpospetro-RJ) 
Gervásio Foganholi – Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos na Saúde do Estado de São Paulo 
Jorge Nazareno – Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região 
João Carlos Gonçalves (Juruna) – Secretário-Geral da Força Sindical 
José Maria Rangel – Coordenador Geral da Federação Única dos Petroleiros 
José Tadeu de Oliveira Castelo Branco – Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Manutenção de Redes Externas, Internas e Vendas de TV por Assinatura a Cabo do Estado de São Paulo (Sindinstal) 
Juvandia Moreira Leite – Presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região 
Magno Lavigne – Presidente do Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias do Estado da Bahia (Sintracap-BA) 
Maria Auxiliadora – Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Brinquedos do Estado de São Paulo 
Maria Izabel Azevedo Noronha – Presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) 
Osvaldo da Silva Bezerra – Coordenador Geral do Sindicato dos Químicos de São Paulo 
Rafael Marques da Silva – Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC 
Ronildo Torres Almeida – Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Aracaju e Região 
Sergio Butka – Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região 
Sergio Luiz Leite – Presidente da Federação dos Químicos do Estado de São Paulo
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