3 de out. de 2012

Monteiro Lobato - Racista ou não?

Monteiro Lobato - Racista ou não?
Aceitamos sugestões

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

Um debate está inflamando os meios culturais, jurídicos e os movimentos sociais, A retirada do livro "Caçadas de Pedrinho" da Rede Pública de Ensino. De autoria do Escritor brasileiro Monteiro Lobato a obra literária tem sido acusada de racismo por setores do movimento negro e defendida por alguns juristas e estudiosos.
O livro foi publicado em 1933 e faz parte do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), do Ministério da Educação e, em 2010, depois de denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou que a obra fosse banida das escolas.
Para a assessora de Integração Racial da Prefeitura de Rio Claro, Kizie de Paula Aguiar Filho, o livro realmente trata os negros de forma preconceituosa.
“É preciso contar a verdadeira história que o Brasil escondeu, revelar que negros e negras há séculos contribuem para o formação desta nação não somente através da mão de obra na condição de escravo, mas também com sua cultura, religião, saberes e como cidadãos brasileiros que são.” Defendeu Kizie.
Já o estudioso João Luís Ceccantini, pesquisador de literatura infanto-juvenil e coautor do livro Monteiro Lobato – Livro a Livro, disse a Revista Veja que "censurar Monteiro Lobato é um analfabetismo histórico".
Estudioso da assimilação da literatura por crianças, Ceccantini acrescenta uma informação ao debate sobre Lobato que demole de vez os argumentos dos contrários ao livro, que alegam que as obras de Lobato prejudicam a formação das crianças. "Eu tenho estudado a forma pela qual as crianças absorvem o que leem e minha conclusão é que elas sabem identificar os excessos dos livros. Elas se apegam ao que é bom, à essência das histórias – e, no caso de Lobato, essa essência não é racista." Acredita o estudioso.
Debatendo o assunto com minha amiga Isabel Cristina Cardoso Santos, passei a ter um outro olhar sobre o assunto após uma sugestão feita pela amiga: " Por que não debater o racismo com os estudantes à partir do livro de Lobato?"
Confesso que o tema me incomodava por dois motivo: Repudio a discriminação, mas não acho justo ignorar uma obra de um escritor como Lobato. Me parece a opção mais sensata a sugerida pela querida amiga. Tenho muito receio dos "extremos", porque são muito parecidos e também porque acredito que o  crescimento intelectual só ocorre verdadeiramente na diversidade de opiniões. O "certo" e o "errado" são faces unilaterais, radicalmente opostas?
O fato do Brasil ter uma dívida cultural com os Negros, não significa que não se possa debater o assunto. Ou devemos também demonizar Elis Regina porque gravou "Nega do Cabelo Duro", ou o Planet Hemp que gravou uma música com o mesmo título e que tem frases como: 
"Ondulado, permanente
Teu cabelo é de sereia
E a pergunta que sai da mente
Qual'é o pente que te penteia?...
Quando tu entra na roda
O teu corpo bamboleia
Minha Nêga meu amor
Qual'é o pente que te penteia?...
Teu cabelo a couve flor
Tem um "que" que me tonteia
Minha nega, meu amor
Qual'é o pente que te penteia?
Misamplia a ferro e fogo
Não desmancha nem na areia
Toma banho em Botafogo
Qual'é o pente que te penteia?..

E o que dizer então do Beto Barbosa quando escreveu:
"Nega do cabelo duro 
Que não gosta de pentear 
Quando passa na pasta do tubo 
O negão começa a gritar "

O debate está lançado e participação de toda a sociedade é importante na construção da cultura dessa querida nação brasileira.

Com informações de VEJA e Jornal Cidade



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