31 de out. de 2013

DEPOIS DO PRESENTE – POR IBERÊ LOPES

DEPOIS DO PRESENTE – POR IBERÊ LOPES
no sitio Ensaio Coletivo

Agora vou dedilhar um texto em acordes juvenis e volto já… que o coração aperta e não tem jeito querer disfarçar. Cada passo, verso que ficou no espaço vazio. Fluindo entre os dedos alguns sonhos. Noutros dias serei presente, hoje sou parte do que ficou. Partindo do que sou para o que desejo alcançar…
Sexta-feira, dia de pensar no que passou, de revisar o passo entre uma taça e outra de um bom vinho. Talvez, até mesmo buscar no violão alguma poesia que esteja esperando uma melodia para nascer. Nesta toada eu vou contar um pouco da minha estrada, para quem quiser dividir os sentimentos que fizeram morada em mim.
Reencontrei a força que sempre esteve aqui e por vezes não percebo existir. Ao ver apertar o peito diante da ingratidão de alguns, consegui me desfazer do rancor e refazer os laços sem alimentar desavenças. Mesmo sem querer, escutei que minhas escolhas seriam pobres e que na certa não sairia vencedor pela palavra escrita. Fui desencorajado de usar minha pena com inventividade, pois “o mundo anda cansado de longas narrativas e prefere a síntese das redes sociais virtualizadas”.

Na verdade, com esta última frase eu tive a certeza de estar no caminho. E que é preciso buscar mais do que o lugar comum, garimpar no fundo da alma cada centelha de passado e gota de futuro. Vi no olhar de uma criança a esperança de que tudo tem um tempo exato para acontecer, a ansiedade do homem para “evoluir” é bem diferente da beleza singular alcançada pela natureza. O salto necessita de paciência e é preciso levar em conta o quanto demora uma semente para brotar em paz.
Por fim, ouvi na generosidade das frases e da sanfona espirituosa de Dominguinhos tudo que precisava para despertar. “Repare, a multidão precisa de alguém mais alto a lhe guiar. Quem me levará sou eu, quem regressará sou eu. Não diga que eu não levo a guia de quem souber me amar”. Nenhum rio pode ser represado quando resolve se libertar, rebenta as fronteiras e transforma em margem, reorganiza em profundidade as pedras e refaz seu curso quando a vida pede mais.

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