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Dilema indiano: como distinguir a morte de um homem da meditação profundaO sistema judicial da Índia enfrenta, talvez, um dos mais sérios problemas da sua história.
As instâncias judiciais do estado de Punjab devem encontrar saída para um beco científico existencial: determinar os critérios segundo os quais se possa determinar com certeza que uma pessoa morreu ou se encontra em estado de profunda meditação: estado de samadhi.
A família de um dos mais influentes gurus na Índia, Ashutosh Maharaj, iniciou um segundo processo judicial contra a sociedade Divya Jyoti Jagrati Sansthan (Missão do Despertar da Luz Divina). Ashutosh Maharaj criou essa organização em 1983 e tem numerosos discípulos e seguidores. A sociedade tem centenas de filiais em diversos países e milhões de seguidores.
Segundo a família do guru, ele morreu em janeiro deste ano em uma das filiais da organização. Os seguidores de Maharaj, porém, recusaram-se a entregar o corpo aos parentes e a cremá-lo. Em vez disso, eles congelaram o corpo e conservam-no num lugar especialmente guardado. Os membros da organização Divya Jyoti Jagrati Sansthan estão convencidos de que o guru não morreu, mas simplesmente entrou em meditação profunda.
Uma declaração no sítio do movimento reza: "Sua Santidade Ashutosh Maharaj entrou em meditação profunda (samadhi) a 29 de janeiro de 2014”. Segundo as palavras de um dos seus assessores, “Maharaj já tinha antes mergulhado em meditação profunda. Ele passou muitos anos meditando a temperaturas negativas nos Himalaias. Ele voltará à vida logo que necessite e nós garantimos a conservação do seu corpo até lá", afirma-se.
O fenômeno de samadhi é conhecido há muito tempo. Ocorrem casos de meditação profunda fora das fronteiras da Índia. Dashi-Dorzho Itigilov, guia dos budistas da Sibéria Oriental, está nesse estado desde 15 de junho de 1927. Depois de ter estado enterrado 46 anos, o seu corpo não tem sinais de decomposição. Em 2002, o corpo de Itigilov foi transladado para um compartimento especialmente preparado no Mosteiro de Ivolga na Buryátia (Rússia). Além disso, segundo os monges, eles entram diariamente em contato com o seu mestre. O corpo incorruptível do Lama foi várias vezes estudado por cientistas, que confirmaram que a análise química de partículas do corpo do Lama corresponde, segundo alguns parâmetros, aos tecidos de um homem vivo e que não permite concluir definitivamente se está vivo ou morto.
O advogado russo Yuri Subbotin comenta assim o escândalo provocado pelo processo de Maharaj:
"Esse caso é discutido nos meios jurídicos de todo o mundo, porque, sem dúvida, tem interesse. Eu, ainda recentemente, interessei-me por isso. Considero que a decisão final deve basear-se nos resultados de análises médicas. Em qualquer caso, visto que na Índia existe um sistema centralizado único de tribunais, o litígio deverá, mais provavelmente, ser decidido no Supremo Tribunal".
O caso do guruAshutosh Maharaj não é apenas um problema de fé ou de ciência. Aqui nota-se também de forma clara um interesse financeiro. Os parentes do guru acusam a direção da organização Divya Jyoti Jagrati Sansthan de se recusarem a devolver o corpo do defunto por motivos mesquinhos. Dalip Jha, filho do líder espiritual, insiste em que o pai não faleceu, mas foi envenenado por membros da organização que tentaram manter o controlo do seu impéro financeiro. A sociedade criada por Maharaj possui, atualmente, dezenas de grandes edifícios na Índia, EUA, América do Sul, Austrália, no Médio Oriente e na Europa.
Não obstante os peritos forenses da polícia de Punjab terem, inicialmente, confirmado a morte do guru, os funcionários judiciais puseram em dúvida a conclusão da polícia. Milhares de seguidores de Maharaj em todo o mundo afirmaram que não é possível obrigá-los a acreditar que o guru está morto.
Seja como for, o tribunal de Punjab terá de tomar uma decisão sobre este caso. Talvez os juízes tenham de definir critérios médicos e elaborar critérios jurídicos, segundo os quais se possa distinguir um homem morto de um homem no estado de samadhi. Pois por detrás da mais sincera fé e de supremas concessões estão questões bem terrestres que exigem solução.
fonte http://portuguese.ruvr.ru/

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