19 de mar de 2015

Cid, o kamikaze, desmascara deputados

Sibá Machado, Líder do governo na Câmara, disse em entrevista
que, para o Planalto, o ocorrido "é uma página virada".
Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
Como um verdadeiro kamikaze, Cid Gomes desmascara os deputados oportunistas e sai do governo Dilma

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

A Seção da Comissão Geral da Câmara dos Deputados, no início da noite desta quarta-feira (18), foi marcada por acusações e, por diversos momentos, o nível de tensão foi altíssimo. O então ministro da Educação, Cid Gomes, (PROS/CE), foi convidado a "dar explicações" sobre suas declarações em uma Universidade do Pará, antes de assumir o ministério. Na ocasião Cid disse que “Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles”, falou na palestra. “Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles (deputados) achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele (governo), aprovarem as emendas impositivas”.

Na expectativa de ouvirem um pedido de desculpas do ex-ministro, os deputados foram surpreendidos com a confirmação do discurso de Gomes no Pará, indo além:  “Partidos de oposição têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo”, disse referindo-se aos deputados que não votam com o governo, embora sejam de partidos da base aliada.

Visivelmente consternado o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), evitava olhar para Cid enquanto o ouvia dizer que “Prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser acusado como ele de achaque”, disse apontado o dedo para Cunha.

Logo após essa fala, vários deputados enfileiraram-se sob a liderança do presidente da casa, para o que pareceu ser uma tentativa de agressão física à Cid Gomes. Apaziguados os ânimos, Cid voltou ao ataque com mais acusações e disparou que “Uns tinham cinco e agora têm sete (ministérios). Logo vão querer a presidência. Tenho convicção de que Dilma é vítima de setores da sociedade, como políticos e empresários”, sentenciou o ex-ministro.

Vários deputados subiram à tribuna e manifestaram indignação com as declarações de Cid Gomes, culminando com a declaração do deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ), que o chamou de "palhaço". Ao tentar revidar a agressão verbal do deputado Sérgio, Cid teve o som de seu microfone cortado por Eduardo Cunha, fato que o levou a descer da tribuna e dirigir-se ao Palácio do Planalto, onde entregou a pasta da Educação à presidenta Dilma.

O anúncio da saída de Cid foi feito por Eduardo Cunha. Utilizando uma gramática duvidosa disse: "comunico o comunicado da Casa Civil que comunica a saída de Cid Gomes"...

Quem também ficou muito satisfeito com a saída de Cid foi o Líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), que declarou que “Não esperávamos outra atitude que não fosse essa (a demissão). O que ele demonstrou aqui foi falta de formação democrática, de formação republicana. Ele saiu daqui como um fanfarrão”. Picciani, cujo patrimônio declarado foi de R$ 365.624,60 em 2000, elevou esse valor em 14 anos para R$ 9.885.603,00.

Em entrevista à jornalistas o Líder do Governo na Câmara, deputado Sibá Machado (PT/AC), disse que o ocorrido já é uma página virada para o governo e que não era de sua competência fazer qualquer avaliação sobre as declarações do ex-ministro ou sobre a atitude do governo. Disse ainda que embora os debates acalorados sejam comuns no Parlamento, "não são legais, não constrói nada". Ao ser questionado por uma jornalista se o governo agiu rápido, na demissão de Cid, Sibá respondeu que "não sei se foi rápido ou não, só sei que foi no tempo certo", retirando-se do Salão Verde da Câmara, onde aconteceu a entrevista.

Já Eduardo Cunha disse que a Procuradoria da Câmara e ele, Cunha, irão processar o ex-ministro pelo que considerou "declarações desrespeitosas".

Ao que tudo indica, o "sincericídio" de Cid Gomes, vai contribuir para que o PMDB continue chantageando o governo por cargos e, talvez, consiga o seu oitavo ministério, o da Educação.

Para constar:
A palavra kamikaze significa vento de Deus ou vento divino, em japonês, e tornou-se conhecida após após dar nome à um tufão que dizem ter salvo o Japão de ser invadido por um exército de um conquistador do Império Mongol. O termo também ficou conhecido por designar um grupo de pilotos suicidas na época da Segunda Guerra Mundial.

Os kamikazes eram unidades de ataques suicidas, compostas por aviadores militares do Império Japonês contra navios dos aliados, para destruir o maior número possível de navios de guerra. Alguns ataques aconteciam porque os aviões não tinham combustível suficiente para chegar em uma base segura, apesar disso, muitos dos ataques eram completamente intencionais, e mesmo antes de levantar voo, os pilotos já estavam preparados para a sua morte.

O kamikazi, Cid Gomes, no Plenário Ulisses Guimarães:

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