21 de mar de 2015

Deputados repudiam beijo Gay na TV

João Campos em um Culto evangélico na Câmara dos Deputados
Foto da internet
Parlamentares evangélicos divulgam nota de repúdio à beijo gay na TV

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos PSDB/GO, assinou uma nota de repúdio à cena do beijo gay entre as atrizes Fernanda Montenegro e Nathália Timberg, ambas de 85 anos, na novela das 21h da Globo, "Babilônia".

Entre outras coisas, a nota observa que ""A referida telenovela, assim como outras anteriormente exibidas pela Rede Globo, tem clara intenção de afrontar os cristãos em suas convicções e princípios, querendo trazer, de forma impositiva, para quase toda a sociedade brasileira o modismo denominado por eles de 'outra forma de amar', contrariando nossos costumes, usos e tradições"

Ora, se o cristão tem certeza de suas convicções, não deve considerar a cena como uma "afronta" às suas convicções nem aos seus princípios e, muito menos, entender que a cena de um beijo gay seja uma imposição para que ele, cristão, "troque" a sua orientação sexual. Impositivo é querer que todas as pessoas aceitem os princípios fundamentalistas como única verdade.

Confira a nota assinada por Campos:

Infinitamente mais condenável que um simples beijo gay, é o Congresso Nacional triplicar o valor do Fundo Partidário no Orçamento de 2015, em um momento em que, por um lado o PSDB critica o governo Dilma porque criou 39 ministérios, alegando que essa quantidade de ministérios aumentam as despesas do governo, eles agem no caminho contrário, triplicando o valor do fundo partidário. E esse discurso que a diminuição de ministérios diminuirá as despesas, é papo furado, o governo não criou nenhuma "atividade nova" no país, todas as atividades que os ministérios se dedicam já existiam, agropecuária, ciência e tecnologia, espotes, etc..., os ministérios dão ordenamento à elas. Caso os ministérios sejam extintos, as atividades referentes à eles, não deixarão de existir e continuarão necessitando da atenção do governo para continuar funcionando. O dinheiro será gasto da mesma forma,, mas com outros instrumentos de atuação.

Em outro trecho a nota afirma ainda que a cena ataca "diretamente a família natural" e classifica de "constantes estupros morais impostos pela mídia liberal".

Para começo de conversa, o Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, reconhece a existência de três espécies de família: a natural, a extensa e a substituta.

a) família natural: assim entendida a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes (art. 25, caput, ECA).

b) família extensa: aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade (art. 25, parágrafo único, ECA).

c) família substituta: para a qual o menor deve ser encaminhado de maneira excepcional, por meio de qualquer das três modalidades possíveis, que são: guarda, tutela e adoção.

Confira os dois comentários na página do parlamentar no Facebook:

Portanto o argumento da nota invalida-se por si mesmo. Quanto ao que o parlamentar considera "estupro moral", deveria dizer também que estupro moral é o governador de Goiás ter aprovado a Lei Estadual 18.765, à pedido de João Campos, de 7 de janeiro de 2015, que isenta as igrejas de pagar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, ICMS, na compra de materiais de construção para reformas e construções de novos templos.

João Campos é o autor do Projeto de Lei da Cura Gay, arquivado em 2014. Na época afirmou que a proposta não pode ser chamada de cura porque seu propósito é oferecer igualdade perante a lei.

Disse ainda que achava que a comunidade homossexual apoiaria sua iniciativa: “Até pensei, quando apresentei esse projeto, que teríamos os aplausos inclusive dos ativistas do segmento LGBT. Porque nesse projeto, uma das finalidades é a gente resgatar a premissa inicial do artigo 5º da Constituição, de que todos são iguais perante a Lei. E essa resolução do Conselho Federal de Psicologia ofende esse princípio na medida em que discrimina o homossexual e não dá o mesmo tratamento ao heterossexual”.
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