21 de jan de 2016

Lula: Não permitirei que destruam o projeto de inclusão que começamos

Ex-presidente Lula / Arquivo
Foto Joaquim Dantas
Em entrevista coletiva a jornalistas blogueiros, nesta quarta-feira (20) no Instituto Lula, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou seu compromisso com o país e disse: “Não vou permitir que ninguém destrua o projeto de inclusão social que nós começamos a fazer em janeiro de 2003”.


Para o ex-presidente é isso de fato o que incomoda a elite conservadora. “Eles não vão destruir esse projeto, porque esse povo aprendeu a conquistar coisas. Esse povo aprendeu que pobre não nasceu pobre, ele ficou pobre por conta do sistema que existe nesse país”, enfatizou. E acrescentou: “Embora a gente governe pra todos, nós temos lado! E a gente tem que mostrar que tem lado! Temos que defender a inclusão social”.

Numa conversa franca e objetiva, Lula abordou diversos assuntos da conjuntura política e econômica. O ex-presidente repeliu as manobras da oposição tucana na tentativa de dar um golpe contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff por meio do impeachment. “Os democratas não podem se conformar com essa tentativa de golpe explícito. Democracia é coisa séria que a gente não pode brincar. Toda vez que tentam brincar com a democracia houve um golpe. Eles brincam com a democracia negando a política”, afirmou.

Ainda sobre o conflito de classe, Lula afirmou que a elite, mesmo ganhando o dinheiro que ganhou, “não aceita” a ascensão social da população. “Aqui no Brasil é visível o ódio por causa do aumento para empregadas domésticas. É visível a bronca porque pobre anda de avião”, afirmou. “Tento tratar isso democraticamente, mas permitir que a direita faça o discurso fascista que faz”, disse.

Sobre a política econômica, Lula afirmou que acredita que a presidenta Dilma vai ser mais ousada, pois um momento de crise permite que se faça tudo aquilo que não faria em um período de normalidade. “O Brasil vai voltar a crescer, vai melhorar, voltar a gerar emprego e a gerar esperança”, disse.

Para Lula, o governo precisa criar condições para a retomada do crescimento, com controle da inflação e aumento da geração de emprego. “O emprego deve ser uma obsessão para nós, e a inflação não pode avançar. Quem perde é o trabalhador, quem ganha são os especuladores. Precisamos continuar investindo em inovação para o país se transformar num país que tenha ascendência mundial”, afirmou.

Lula resgatou que durante a crise de 2008, o governo colocou R$ 100 bilhões do Tesouro para financiar o desenvolvimento. “Na primeira levada que colocamos, os bancos privados não criaram crédito a partir dos títulos do Tesouro. Então fomos com os bancos públicos, compramos o Banco Votorantim para financiar carro, o Bradesco tinha parado de financiar motocicleta e nós fizemos o financiamento para motocicleta nos bancos públicos”, destacou.

Para ele, o momento é de aquecer a economia ofertando crédito às 14 milhões de microempresas e pequenas empresas e toda a cadeia produtiva. “Isso tem de ser feito com mais rapidez. Tem de ter uma política de financiamento de infraestrutura com mais rapidez, e do consumo. Se não tem consumo, ninguém investe. Poderia se tentar ver como está o crédito consignado e fazer uma forte política de crédito consignado, acertado com o movimento sindical e os empresários”, opinou.

“Infraestrutura é central, não apenas ferrovias, mas muitas coisas que você precisa investir. Eu se fosse a Dilma, fazia como os russos: chamava a China e pactuava um grande projeto de investimentos e dava como garantia o petróleo. Eles precisam e nós temos”, lembrou.

Quanto pior melhor
Lula também repeliu a política do quanto pior melhor da oposição tucana. “Acredito que o povo brasileiro precisa repudiar de forma veemente todas aquelas pessoas que trabalham para atrapalhar o desempenho do Brasil, pois na verdade não estão prejudicando o governo, quem sofre é o povo mais necessitado deste país”, afirmou o ex-presidente.

Lula também falou sobre o comportamento da imprensa que tem atuado como partido da oposição. “Admito a politização porque eles têm lado, mas não admito mentira na informação”, disse ele, informando que, diferentemente de outros momentos, vai acionar a Justiça. “Infelizmente, não existe outro jeito, por isso, daqui pra frente vou processar para ver se consigo colocar ordem na casa”, destacou.

“A minha língua está felina outra vez. É a única coisa que tenho para defender a minha honra, o meu caráter e o legado que nós construímos nesse país”, completou.

Sobre a Lava Jato e a campanha de difamação promovida contra ele, Lula classificou de uma verdadeira “execração pública”, mesmo não sendo um dos investigados. “Não existe nenhuma ação penal contra mim. O próprio Moro [juiz responsável pela Lava Jato] já disse que não sou investigado”, lembrou.

O ex-presidente disse também que não há nenhuma possibilidade de uma ação penal ser aberta contra ele, a não ser que a direita conservadora “cometa uma violência democrática”.

"Eles querem chegar no Lula. Eu tenho endereço fixo, todo mundo sabe onde eu moro. Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja Católica, nem dentro da Igreja Evangélica. Pode ter igual, mas mais do que eu, duvido”, disse Lula.

Mentiras
Ele também comentou as ilações de que ele cometeu “jogo de influência” a favor de empresas brasileiras no exterior. “As pessoas deveriam me agradecer porque o papel de qualquer presidente quando viaja é tentar vender serviços de seu país. Essa é a coisa mais normal. Tem uma tese de que o Lula faz jogo de influência. Como se o papel do presidente da República fosse ser uma vaca de presépio”, declarou.

Disse ainda que a imprensa “condena” antes de a Justiça tomar uma posição e que a corrupção na Petrobras é anterior ao seu governo. “Sabe o que é engraçado? Os funcionários envolvidos na corrupção na Petrobras têm 30 anos de carreira. Não houve uma denúncia do MP, da PF... Não houve um presidente que foi mais à Petrobras do que eu.”

Lula ressaltou que as investigações são necessárias e devem apurar os esquemas de corrupção no país. Lembrou que tais operações são possíveis porque desde 2003 foram criados os mecanismos para que nada fosse jogado “embaixo do tapete”.

“Esse processo existe na magnitude que existe porque o governo criou condições para apurações... Dilma vai ser reconhecida por isso”, completou.

Pauta da Dilma
Lula também falou que a presidenta Dilma é vítima diariamente dessa mídia oposicionista. Citou como exemplo a medida tomada por Dilma de manter a política de valorização do salário mínimo, do aumento dos aposentados e garantia do reajuste do piso nacional dos professores. “A imprensa disse que Dilma dá que não tem, quando ela fez o que deve ser feito. Não é o pobre que vai pagar pela crise. E a Dilma está certa. Temos que fazer a economia voltar a crescer. Temos que fazer a coisa mais combinada com o nosso povo, embora a gente governe para todos, nós temos lado e a passeata do dia 16 de dezembro disse a ela: vai à luta, que nós estamos do seu lado”, destacou.

Lula defendeu que a presidenta Dilma deve ter a consciência “de que é ela quem deve fazer a pauta” do governo e não deixar que a imprensa dite a pauta como faz com os vazamentos seletivos toda semana. Ele também disse que Dilma deve viajar pelo país e brincou: “Não tem essa de que vão bater panela. Quem quiser bater panela que bata. É bom porque vão comprar mais panelas”.

O ex-presidente afirmou que vai participar ativamente do processo eleitoral deste ano. “Eu vou fazer mais política. Este ano tem eleições. Eu vou participar ativamente do processo eleitoral. Tem gente dizendo que o PT acabou, vocês vão ver o PT. Estou convencido que o Haddad vai ser reeleito, para ficar no exemplo da maior cidade”, declarou.
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