28 de jan de 2016

Polícia de GO agride estudantes em escolas estaduais

Foto Joaquim Dantas
Foto Joaquim Dantas
Estudantes que ocupam uma escola pública em Goiás são egredidos covardemente por policiais militares do Estado

De Brasília 
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

Alunos do Colégio Estadual Ismael Silva de Jesus, localizado no setor noroeste de Goiânia, foram vítimas de uma truculenta ação da Polícia Militar de Goiás na madrugada da última terça-feira (26). Segundo denúncia dos alunos feita ao Ministério Público, policiais em cinco viaturas invadiram a escola após arrebentarem portas e cadeados.

Ainda segundo a denúncia, após a invasão os policiais agrediram covardemente os alunos com socos e pontapés, com a intenção de expulsar os estudantes que ocupam o colégio desde dezembro do ano passado, contra a terceirização e militarização das escolas estaduais de Goiás.

Só para registrar, o Estado de Goiás é governado por Marconi Perillo, do PSDB.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, um secundarista relata que "eu estava dormindo, fui acordado com um policial pisando em minha cabeça. Uma menina que estava com a gente levou uma cadeirada nas costas. Não houve diálogo”, disse o estudante. Outros alunos disseram também que os policiais acordaram todos com gritos, xingamentos e que os PMs portavam armas de grosso calibre. Há relatos inclusive que um aluno foi atropelado pela polícia e que teve fratura exposta na perna.

A PM goiana agiu de forma completamente arbitrária, porque os policiais não possuíam, segundo os alunos, nenhum mandado de busca ou de reintegrassão de posse emitido pela Justiça.

Em um outro vídeo uma jovem secundarista disse que "fomos acordados à base da pancada. Guardei as minhas roupas rapidamente e saí. Crianças levaram tapa na cara da polícia, estamos chocados, mas vamos resistir”, afirmou ela.

A estudante de Políticas Públicas da Universidade Federal de Goiás, UFG, Aymê Souza, publicou em seu perfil no Facebook que "estive por quase dois meses apoiando as ocupações aqui em Goiânia, fiquei por um longo período ajudando o colégio José Carlos de Almeida e migrei para a periferia auxiliando e dando apoio aos alunos do colégio Robinho. 

Foram madrugadas a dentro fazendo ronda, foram noites dormindo no chão, foram dias sem saber o que comeríamos nos próximos dias que estavam por vir. Foram dias de muita apreensão e felicidade pois pude repassar e aprender muito dentro das ocupações, tive a oportunidade de ver o lado do outro e me colocar nele e dói, dói muito... 

Dói tanto que digito esse texto pensando nos amigos que fiz nas ocupações e com lágrimas nos olhos me recordo do pavor da noite anterior, do medo que essas crianças e adolescentes sentiram ao serem intimidadas por sei lá quem. 

É uma estratégia do governo, é tudo muito bem esquematizado e sim, estamos sendo perseguidos por essa milícia que comanda nossa segurança pública a mando do governador. Eu sinto uma tristeza imensa por tudo, sinto muito por tudo. Zelamos de uma escola inteira e recebemos as criticas mais perversas de uma diretora que infelizmente não pode ter autonomia nas suas opiniões", desabafou ela.

Já para o estudante de Jornalismo, também da UFG, Heitor Vilela, a ação dos policiais goianos tem sido uma tentativa de assassinato atrás da outra. Em seu perfil no Facebook Heitor denunciou que os policiais serraram o cano de gás de uma outra escola, o Colégio Estadual de Período Integral Lyceu. O estudante desabafou afirmando: "já se imaginou vivendo em um estado ganguista? Com práticas criminosas das mais perversas e novelescas?

O estado de Goiás, para promover seus interesses politicos e financeiros, no caso a implantação de OS como forma de privatizar a educação pública, está cometendo crimes dos mais graves.

Atentar contra a vida de estudantes secundaristas, menores de idade, que ocupam a escola mais antiga da capital, tombada como patrimônio histórico, o Lyceu. Tentar EXPLODIR ou mesmo sufocar crianças, sabotando o encanamento de gás.

O que está por trás da implantação das OS, que vale a pena blindar financeiramente a imprensa, bater e atropelar estudantes, prender e indiciar professores, agora cerrar o encanamento de gás de uma escola? Tudo esta podre nesse estado, o cheiro está vazando pelos porões".
Segundo o estudante Heitor, a foto é do cano de gás serrado pelos policiais.
Foto do Facebook

A Universidade Federal de Goiás também manifestou-se sobre o episódio através de una nota de repúdio, confira:

"NOTA DE REPÚDIO - UFG REGIONAL GOIÁS
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A Universidade Federal de Goiás, Regional Goiás, por meio de seu Conselho Gestor, vem a público expressar seu repúdio em relação ao uso de violência e truculência policial, com anuência do Governador do Estado e da Secretaria Estadual de Educação, para forçar a saída dos estudantes que ocupam algumas das escolas públicas estaduais.

Consideramos que tais ocupações, protagonizadas pelos estudantes secundaristas, sujeitos alvo de todo processo educacional, constituem uma legítima forma de defesa e luta pelo caráter público e gratuito da educação no estado de Goiás. A forma como, desde o início, o governo do Estado tem tratado as ocupações, com uso de pressão psicológica nos estudantes, pressão nos professores, corte de energia elétrica e água, manipulação da opinião pública e, agora, nítida agressão física, perpetrada por agentes do Estado, evidenciam a pouca disponibilidade para dialogar acerca de decisões fundamentais em uma área tão importante como a Educação. Por sua vez, os estudantes tomaram a cena e denunciam a urgente necessidade de democratizar a gestão escolar, estabelecer o diálogo e espaços para participação estudantil.

Reiteramos: o futuro de Goiás não merece cassetete. Educação não é caso de polícia!

Cidade de Goiás, 27 de janeiro de 2016".

Toda essa arbitrariedade acontecendo em várias cidades do Goiás e a grande mídia calada, não dá nem um piu, não publica uma linha sequer. Continuaremos apoiando as ocupações das escolas contra as Organizações Sociais e continuaremos denunciando os desmandos do governo de Goiás e todas as  suas ações arbitrárias.
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