24 de mar de 2016

Mais democracia, menos desigualdades. Fica Dilma!

Por Olgamir Amancia Ferreira, no Blog do PCdoB

Os riscos da ruptura do Estado de direito são reais, mas a convicção de que não podemos abrir mão daquilo que é o centro da dignidade do povo brasileiro, que é a democracia, nos move e nos faz fortes.  Consideramos um acinte à democracia  a ameaça de golpe  colocada em curso  desde o primeiro dia após a reeleição da Presidenta Dilma.

A tática golpista orquestrada pela elite brasileira, conservadora e antinacionalista, potencializada pela mídia e por parte do poder judiciário, não é novidade nos marcos da luta de classes em nosso país. Foi assim em 1964, o discurso falso moralista de combate à corrupção, de preservação da família e da propriedade foi a tônica naquele momento. O estímulo ao ódio àqueles que se contrapunham as medidas nazifascistas, como as organizações estudantis, de trabalhadores e setores democráticos da sociedade foi marca daquele momento histórico.

Mas nada melhor que a história para nos permitir conferir a realidade. Tanto hoje como no passado, aqueles que se apresentam ou se apresentaram como arautos na luta contra a corrupção, são os mesmos que se posicionaram contrários à Reforma Política  medida  fundamental para se enfrentar com radicalidade as práticas corruptas; são os mesmos que apostam no enfraquecimento da soberania nacional, na privatização das estatais; são os que não se conformam com os direitos e garantias conquistados pelos trabalhadores/as e, por isso, querem retirá-los ou flexibilizá-los; são os mesmos que combatem as políticas públicas de inclusão social como o Bolsa Família, o Programa Universidade para Todos, o SUS, as políticas de Direitos Humanos, enfim as politicas que visam contribuir para reduzir as desigualdades; são aqueles que incitam a intolerância às diferenças ateando lenha à fogueira do racismo, do machismo, da lesbofobia e da homofobia.

Gritam, xingam, destilam aos quatro cantos o ódio de classe, sentimento às vezes dissimulado no discurso ufanista de defesa da pátria, de combate à corrupção. O que eles não dizem é que se sentem ultrajados porque, a despeito de todo o poder que possuem, não conseguiram impedir que fosse colocado em movimento, nos últimos 13 anos, um projeto de desenvolvimento social e econômico capaz de incluir socialmente milhões de brasileiros/as;  por isso mesmo, capaz de reduzir as desigualdades e assegurar oportunidades aqueles historicamente alijados da cidadania. O que eles não contam é que mesmo lucrando muito, porque é certo que não foram penalizados nesse processo, consideram intolerável que pobres, pretos, mulheres, gays, lésbicas, trabalhadores/as domésticas, enfim os setores marginalizados pudessem ser alçados a condição de sujeitos sociais, cidadãos e cidadãs construtores de sua emancipação.

Eles também não nos contam que os seus interesses estão em perfeita sintonia com os interesses das elites internacionais, do capital financeiro que encontrou na elite nacional solo fértil para prosperarem, processo interrompido com ascensão de um trabalhador ao mais alto cargo da república. Por fim, o que não nos contam é que são vendilhões da pátria, prontos a entregar nossas riquezas aos interesses estrangeiros e que para assegurarem os seus privilégios de classe rasgam até mesmo a Constituição.

Nesse sentido, destaco que nesse momento a centralidade da discussão está na defesa da democracia, pois é por meio dela que faremos o real combate à corrupção e as demais mazelas que afligem a nossa gente.  Será com mais democracia, com participação da sociedade nos diferentes espaços da gestão pública exercendo legitimamente o controle social, que enfrentaremos a mais perversa das corrupções que é a “desigualdade” como afirma o Governador do Maranhão, Flávio Dino.

Será com muito mais democracia que combateremos a intolerância, as práticas fascistas como aquelas que testemunhamos contra o jovem Vitor Basílio, em SP, por vários artistas Brasil a fora, por Chaparral e por mim, dentre outros, agredidos física e moralmente porque ao nos vestirmos  de vermelho, ao nos posicionarmos contrários ao pensamento que eles querem hegemônico passamos a representar uma ameaça que precisa ser extirpada.

Por uma sociedade que privilegie a solidariedade, o amor, a tolerância,  que rompa com a subcidadania, que garanta os direitos individuais e coletivos e que tenha o seu processo de desenvolvimento centrado nas pessoas digo “Não ao Golpe!”.
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