30 de mar de 2016

PMDB deixa a base do Governo. Mas deixa o Governo?



por Apolinário Rebelo

Após um longo e acalorado debate de cinco minutos, o PMDB resolveu deixar a base aliada. Isso mesmo, o partido do Vice-Presidente não é mais governo. 
O encontro relâmpago, realizado na Câmara dos Deputados, foi comandado pelo Senador Romero Jucá (RR). Jucá é ex-líder do governo. Quer dizer, ex-lider do governo de Itamar Franco (1992-95), ex-líder do governo Fernando Henrique (1995/2002), ex-líder do governo Lula (2003/2011) e ex-líder do governo Dilma (2011/2019).

O que muda na política? Muda um monte de coisa e relativamente pouca coisa. O PMDB é uma agremiação política marcada pelos interesses circunstanciais. A história interna do PMDB é sempre a história dos que estão no governo e os que estão fora do governo. Os que estão dentro querem mais espaços pra continuar e os que estão fora querem mais espaço para quando entrar. Se isso pode custar o mandato do mandatário do país é apenas um detalhe.

O PMDB funciona mais ou menos assim. Se tudo der certo ele participa do governo. Se tudo "der errado" ele fica com todo o governo. Saiu Figueiredo, Tancredo era PMDB. Tancredo Morreu, Sarney era PMDB. Collor foi cassado, Itamar assumi e era PMDB. Fernando Henrique era Presidente, o PMDB estava lá. Lula Governou oito anos e PMDB estava lá. Dilma presidente, o PMDB tem o vice. Se Dilma sofrer impeachment, o PMDB tem todo o governo.

O PMDB como força política de centro faz isso: hora alia-se a direita, hora alia-se a esquerda. O objetivo é sempre o mesmo. manter o equilíbrio interno de forças internas entre os governadores, senadores e deputados federais. Tudo isso com uma dosagem cavalar de pragmatismo e imediatismo.
Assim, com essa decisão, o PMDB pode estar virando as costas para o primeiro ciclo de governos de esquerda no Brasil. Ciclo do do qual foi um sempre instável e oscilante. Essa decisão abre ao PMDB seu terceiro ciclo no colo das forças mais à direita. de 1964 a 1990 fez aliança com a centro esquerda.
De 1991 a 1992, aliou-se a direita. Entre 1992 e 1994 aliou-se ao centro esquerda. Entre 1995 e 2000, foi aliado ao desastroso, corrupto e entreguista governo de FHC. de 2003 a 2016 aliado ao centro esquerda com Lula e Dilma. E agora volta ao velho leito do centro direita num caminho tortuoso que sempre lhe dita os passos.

Por fim. A situação se complica para o Governo. Rigorosamente Michel Temer que se elegeu vice-presidente com Dilma, deveria desembarcar do Governo junto com seus ministros e outros ocupantes de cargos públicos e renunciar. Foi eleito com Dilma para governar. Não quer governar, então renuncie. Se não fizer isso mostrará apenas que continua sendo o velho e pragmático PMDB: Uma vela para Deus e outra para o diabo.

O PMDB é um fenômeno político e sociológico É uma agremiação onde a divisão faz a força. Os "grupos" brigam de dia por espaço e se confraternização a noite com o resultado. Uma parte no Governo e outra na oposição. O PMDB extermina qualquer teoria política. Até o anarquismo sofreria uma câimbra cerebral se estudasse o PMDB: "hay gobierno.. soy contra, mas se lo hay soy gobierno tambien. Pobre país e pobre governo que depender da fidelidade e da coerência do PMDB.
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