12 de abr de 2016

Após resultado esperado, começam articulações para votação de domingo

Eram necessários 33 votos para relatório ser acolhido, e oposição conseguiu apenas cinco a mais
Foto WILSON DIAS/ABR

por Hylda Cavalcanti, da RBA
Brasília – A aprovação do relatório pela admissibilidade do processo de impeachment por 38 votos favoráveis, ante 27 votos contrários, lotou nesta segunda-feira (11) o plenário da comissão especial não apenas pelos deputados da oposição, mas também por senadores, líderes partidários, assessores e políticos que ocuparam o espaço nos últimos 30 minutos das dez horas de sessão. 
Mas não deixou desanimados os representantes da base aliada. Eram necessários 33 votos para que o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) fosse acolhido, e os oposicionistas conseguiram apenas cinco votos a mais. Este foi o cálculo levado em conta por deputados da base aliada, logo após o encerramento da sessão.

Nos bastidores, o que se sabe é que o ambiente não é comemorado por nenhum dos dois lados, embora tenha agradado ao governo. Por isso, as articulações continuam e os próximos dias, mais que nunca, prometem ser de reuniões e muita tensão no Congresso Nacional e no Executivo.

O entendimento de vários parlamentares – que por motivos óbvios preferem não se identificar – é de que é preciso cautela e muita articulação, ainda, para a votação em plenário no domingo, mas o resultado poderia ser bem mais desfavorável ao governo. Até porque tanto o Executivo como os parlamentares governistas trabalhavam considerando a aprovação do relatório como certa. E se articulavam para que a diferença de votos não fosse grande (o que se confirmou).

Logo cedo, antes do início da sessão, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) foi quem melhor traduziu o sentimento aguardado pelos petistas e demais partidos de sustentação à presidenta Dilma – e comemorado no final da sessão. “Vamos perder, mas sairemos ganhando”, disse ele, ainda durante a manhã.

O placar não foi diferente do previsto por Teixeira e era esperado, até mesmo, pela oposição. As surpresas foram observadas por partidos que já vinham se manifestando para liberar as bancadas ou fechar com o Executivo.

O PP, por exemplo, depois de o líder, Aguinaldo Ribeiro (PB), anunciar a decisão pessoal de votar contrário ao relatório no meio da tarde, na hora da votação liberou a bancada, o que foi favorável para os governistas – diante da pressão que vinham fazendo o grupo dos deputados Paulo Maluf e Júlio Lopes, de São Paulo, para que a sigla fechasse questão pelo impeachment.

Surpresas
Também o PR, que colocou dois deputados para se posicionarem na comissão – um contrário, outro favorável ao relatório (o que levava ao aceno de que a bancada seria liberada para votar como quisesse) – realizou uma reunião de última hora e decidiu que, embora tendo posições diferentes entre os parlamentares, na comissão iria votar contrário ao relatório.

No PSD, a surpresa foi a posição do líder do partido e também presidente da comissão especial, deputado Rogério Rosso (DF). Rosso resolveu votar, mesmo ocupando a presidência (prerrogativa que caberia a ele decidir), e se posicionou pela aprovação do relatório. De acordo com o representante da liderança do PSD na comissão, apesar das divergências observadas na legenda, na votação de hoje, os parlamentares combinaram de votar com o governo – mesmo diante do voto no sentido contrário de Rogério Rosso.

O PRB, que também demonstrou divisões, na última hora fez o contrário das siglas citadas acima. O PRB decidiu votar pela aprovação do texto de Jovair Arantes com a bancada fechada.

O PTN, por outro lado, resolveu que, mesmo com parlamentares favoráveis à aprovação do impeachment, fez uma eleição interna e resolveu votar com o governo. Na votação em plenário, no próximo domingo, no entanto, os deputados do PTN acertaram que estão liberados para se posicionar da forma como quiserem, mediante o acordo feito hoje. O PHS também liberou o voto entre os parlamentares.

‘Centrinho’ positivo
A análise feita por muitos líderes, com base na posição dessas legendas, é de que apesar de ainda ser difícil o quadro sobre o processo do impeachment, tanto para oposicionistas como para o governo no próximo domingo, as articulações feitas pelos ministros da coordenação política tiveram efeito sobre as pequenas siglas e as legendas do chamado “centrinho”.

Mesmo assim, partidos que possuem ministérios no Executivo, como o PTB, se mantiveram enfáticos e votaram pela aprovação do relatório.

Na orientação das bancadas, algumas das falas mais emblemáticas foram dos deputados Henrique Fontana (PT-RS) e Sílvio Costa (PTdoB-PE). Fontana afirmou que o PT encaminhou o voto contrário ao relatório pela admissibilidade do impeachment “pelo direito sagrado de o povo brasileiro escolher seus representantes nas eleições diretas, pelo respeito à dignidade da presidenta Dilma Rousseff e pela continuidade dos programas sociais”.

Costa destacou que, mesmo com a vitória da oposição na comissão, o resultado inexpressivo mostrou que “o Brasil vai dar um grande não à mentira e ao golpe no próximo domingo”.
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