27 de out de 2016

GDF perde recursos federais por falta de dentistas

Com poucos dentistas na rede pública, GDF perde recursos federais
Equipes de saúde bucal do programa Saúde da Família têm sofrido redução desde maio deste ano, o que acarreta corte de repasses da União

Em meio à crise que assola a saúde no DF, o governo local ainda se dá ao luxo de desperdiçar recursos federais destinados à área. Desde maio, quando as equipes de saúde bucal do programa Estratégia Saúde da Família (ESF) começaram a ser reduzidas, o GDF vem perdendo verbas do Ministério da Saúde.

Em abril, o Ministério da Saúde repassou R$ 197.355 ao GDF. Na época, segundo dados da pasta, havia 88 equipes de saúde bucal na capital. No mês seguinte, quando o número de grupos caiu para 84, o valor liberado foi de R$ 188.435. A retração continuou nos meses seguintes até chegar a agosto — data dos últimos dados disponíveis. Com apenas 68 equipes, naquele mês o DF recebeu R$ 152.755.
A diferença de R$ 44,6 mil mensais pode parecer pequena, mas num universo no qual faltam desde agulhas a medicamentos complexos, cada centavo faz a diferença para a população.

O problema foi alertado pelo gerente de Odontologia da Secretaria da Saúde, Paulo Sérgio dos Santos Queiroga, em julho de 2015. Na época, Queiroga avisou à pasta que a falta de dentistas e de profissionais da área já começava a implicar a perda de verbas federais. O documento, de 29 de julho do ano passado, afirmava que “recursos financeiros de manutenção e instalação repassados pelo Ministério da Saúde estão sendo perdidos por falta de gestão de pessoal”.

Meses antes de o problema ser identificado, foi realizado um concurso público, em dezembro de 2014, com 92 vagas para dentistas. Até o momento, no entanto, apenas oito foram nomeados.

Burocracia tecnológica
Queiroga acredita que o problema não é apenas decorrência da falta de profissionais. Segundo o gerente de Odontologia da Secretaria da Saúde, problemas tecnológicos também têm prejudicado o programa no DF porque o governo local e o Ministério da Saúde usam sistemas distintos. “Nós temos uma dificuldade de comunicação de dados estatísticos de produtividade porque trabalhamos com uma plataforma, e o ministério com outra”, justificou.

Segundo Queiroga, um representante da Secretaria da Saúde foi ao Ministério da Saúde na semana passada e falou sobre o tema. A pasta teria se comprometido a não reduzir repasses novamente até que o problema fosse sanado. O gerente de Odontologia assegura que, atualmente há 89 equipes de saúde bucal implantadas no DF, e não 68, como consta nos dados do ministério.

Proporção inadequada
Brasília é a capital do país com menor número de dentistas no serviço público em proporção à população. São apenas 500 profissionais para toda a capital, uma média de um dentista para cada 5,5 mil moradores. Pacientes reclamam que a espera por consultas chega a quatro anos.

A Estratégia Saúde da Família funciona com profissionais multidisciplinares que visam, sobretudo, à prevenção. As equipes, responsáveis por grupos de até 4 mil pessoas, são compostas por médicos, enfermeiros e agentes comunitários. Os profissionais de saúde bucal podem ser incorporados a essas equipes. Dessa forma, os repasses da União às unidades da Federação aumentam proporcionalmente às contratações.

do Portal Metrópoles
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