1 de dez de 2016

Peemedebistas tentam barrar o ‘golpe do golpe’

Foto Joaquim Dantas/Arquivo
Peemedebistas tentam convencer Temer a convocar eleições para abortar o ‘golpe do golpe’

Por João Negrão em 3poderesbrasil.com.br

Lideranças peemedebistas já cogitam convencer o presidente Michel Temer a convocar eleições presidenciais. O prazo é exíguo, mas, na avaliação dos correligionários, a medida pode afastar Temer e o PMDB de uma desmoralização histórica, ou ao menos reduzir os impactos dos desastres político e econômico que transformou o governo federal num embuste.

A crise política não cessou com o impeachment. Ao contrário: avança. E aceleradamente. Da mesma forma a crise econômica. Temer não consegue estancar o derretimento da economia nacional. Ao contrário: acelera. Já se fala que 2017 – que seria o ano de ouro, nas previsões do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles – o desastre será ainda maior. Em 2018, nem se fala.

O governo que começou um desastre, com um presidente sem apoio popular, sem credibilidade, considerado um traidor e cada vez mais aparece envolvido em esquemas de corrupção, e não apenas da Lava Jato. “Um presidente golpista”. “E incompetente”.

Um governo que em seis meses teve seis ministros demitidos. Que tenta implantar medidas impopulares. Que tenta mediar um “conflito” que não passa o de atender aos interesses pessoais de um ex-colaborador de seu “núcleo duro”.

A denúncia do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, e os desdobramentos que advirão, são sinais de um “fogo amigo”. A fracassada tentativa de separar Temer do julgamento das contas das eleições de 2014 torna real a ameaça de cassação no TSE. E a delação da Odebrecht pode ser o tiro de misericórdia.

É diante disso que vai ficando cada vez mais claro que poderá haver o “golpe dentro do golpe”, ou seja, a cassação de Michel Temer no início de 2017 e a consequente eleição indireta de outro presidente. No caso, um nome do PSDB. Ninguém menos que Fernando Henrique Cardos. Esta é a trama contra o PMDB.

É para não cair nessa trama e “sair por cima” no cenário nacional, que lideranças do PMDB já se articulam para que Temer convoque eleições presidenciais e aborte o golpe tucano, fugindo dos desastres que se avizinham e enterrando as várias dores de cabeça que vão sentir depois de consumado o golpe dentro do golpe.

Eu conversei com três lideranças peemedebistas membros e com relativa influência na direção nacional do PMDB e no Palácio do Planalto. São um ex-senador e dois deputados federais, estes dois últimos de estados periféricos. Mas eles estão dispostos a ampliar o debate dentro da agremiação.

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