28 de jan de 2017

Quando a "piada" vira uma verdade

Fazer "piada" preconceituosa" revela o que a pessoa realmente pensa
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

Quando o humorista (?) Rafinha Bastos fez uma "piada" sobre o bebê que a cantora Vanessa Camargo estava esperando em 2011 (disse ao vivo no programa CQC que “comeria ela e o bebê”), rendeu a ele o emprego na TV Bandeirantes, não porque a emissora tenha se indignado com a frase, mas porque o ex-jogador Ronaldo ameaçou retirar da emissora todos os anúncios de suas inúmeras empresas.

Vários humoristas(?) realizam stand-up onde fazem "piadas" sobre loiras, homosexuai, negros, deficientes físicos e mulheres motoristas achando que isso não é preconceituoso porque trata-se de um espetáculo "humorístico", uma simples "brincadeira".

Ora qual é a diferença entre chamar um negro de macaco em tom raivo ou sorrindo? Não existe diferença nenhuma, quem faz esse tipo de comparação está realmente comparando um negro com um macaco!

Infelizmente no Brasil muitas pessoas tentam justificar o seu preconceito de todas as formas possíveis. O raciocínio é o de que se "falar sério" está discriminando mas, se for uma "piada", é só uma "brincadeira".

Lembro-me de uma entrevista de Guido Palomba, famoso psiquiatra forense, quando comentava o caso de um homem que foi preso por ter assassinado sua companheira em São Paulo (não me lembro a data), mas que foi libertado pela justiça dias depois de sua prisão porque o juiz entendeu que o homem não era responsável pelo crime porque estava sob efeito de produto entorpecente.

Em seu comentário o médico afirmou que a soltura do homem foi absolutamente equivocada, que o homem era o único responsável pelo assassinato. Afirmou ainda que quando a pessoa pratica qualquer ato apenas sob o efeito de produto entorpecente ou álcool e não pratica o mesmo ato quando está sóbrio, é porque a pessoa sempre teve a intenção de praticar tal ato,, o que a pessoa consumiu foi apenas o "combustível" para que a pessoa tenha coragem de cometer um crime, por exemplo.

Eu acredito que as ditas "piadas" que referi-me acime façam o mesmo papel do álcool ou de qualquer produto entorpecente, servem apenas não para encorajar, mas para justificar a discriminação, não só para quem conta a "piada", mas para quem ouve, acha graça e frequenta os espaços que oferecem esse tipo de "entretenimento.

Se você perguntar a qualquer pessoa se ela acredita que um bandido já nasce bandido, provavelmente a imensa maioria vai responder que não, os cristãos dirão até que os recém-nascidos são "anjos do senhor sem maldade no coração", mas já tive o desprazer de ver esses mesmos cristãos compartilhando a "piada" abaixo nas redes sociais que, se eu pudesse comparar, é quando a pessoa está sob efeito de produto entorpecente, ou como diria minha boa mãe, "imaconhado".

Pois é, talvez a explicação para que tantas pessoas achem que "bandido bom é bandido morto", seja porque essas mesmas pessoas acreditem que "bandido já nasce bandido".

#SóAcho


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