10 de jun de 2017

O silêncio dos lobos

Por Carlos D'Incao

O mais assustador no atual cenário político brasileiro é a certeza de que nosso destino está sendo decidido em águas turvas e profundas por personagens pouco conhecidos, mas detentores de riquezas inimagináveis.

Quem, há um mês, sequer tinha ouvido falar de Joesley Batista? Um bilionário que se enriqueceu com o dinheiro publico e que faz a fina nata da direita brasileira se portar como "incômodos mendigos" sempre insistindo por "alguns trocados" em troca de favores políticos... "Aécio era como uma sarna atrás de dinheiro!" afirmou Ricardo Saud em sua delação...

Pois é... Por um pequeno instante pudemos ver como se relacionam aqueles que ESTÃO no governo com aqueles que SÃO do poder. A farsa da democracia burguesa é exatamente essa: criar uma ilusão ao povo de que são eles que decidem, através do voto, quem os governa. E hoje podemos ver - tão claro como a lua cheia - que quem nos governa não são os governantes eleitos, mas aqueles que SÃO do poder.

E os homens do poder não queriam mais sonhar com a hipótese de uma nação com um povo empoderado, com mais renda e educação... E muito menos queriam saber de uma nação que falava grosso com os países do primeiro mundo e tentava criar laços de fraternidade com os países da América Latina e da África... e então financiaram um golpe de Estado.

Colocaram seus "homens de confiança" para criarem um novo país. Temer e a camarilha de canalhas do PSDB, ficaram incumbidos de parir um "Novo Estado Patrimonialista".

Mas para além da resistência popular, acabaram enfrentando os interesses do "Velho Estado Patrimonialista", uma parte reacionária da sociedade que não estava disposta a abrir mão de seus seculares privilégios - ameaçados pelas Reformas trabalhista e previdenciária.

Foi desse setor reacionário que surgiu esse solavanco recente que quase pôs fim na Ditadura Temer-Tucana. Mas, ao que parece, Temer está se recompondo. A Ditadura se mostra resiliente e disposta a negociar sua permanência.

Em uma demonstração de união e força, os membros desse governo (incluindo Alckmin e outros políticos tucanos) ministraram uma conferência para os maiores investidores do Brasil e do Mundo, reafirmando que as Reformas serão aprovadas.

Depois de empenharem suas palavras de que venderão nossa nação e escravizarão o nosso povo "custe o que custar", pairou o silêncio... Ninguém diz mais nada... Os grandes meios de comunicação estão caminhando para a neutralidade e muito provavelmente o TSE vai arquivar ou inocentar a chapa Dilma-Temer, dando sinal verde para que o rolo compressor do neoliberalismo condene - no mínimo - as próximas dez gerações a viverem em uma sociedade injusta, perversa e selvagem.

O que assistimos hoje é o silêncio dos lobos, antes do ataque final. Pois é exatamente isso o que são aqueles que SÃO do poder... São predadores que sempre julgaram o povo como suas presas... O gado que a JBS abate nos seus matadores vale mais do que os milhões de cidadãos que são abatidos pela fome, pelo desemprego e pelo desespero.

Romper com o silêncio é a única alternativa. E isso só é possível de se fazer nas ruas. O mês de junho é o mais importante e decisivo na História desse golpe.

É aqui que teremos o confronto final: os lobos e seus lacaios contra todo o resto, o qual chamamos de "povo brasileiro". Não haverá tempo para um acerto de contas nas urnas em 2018. Acreditar que "2018 é logo mais" é uma armadilha dos lobos. A verdade é que 2018 será tarde demais... E os lobos sabem muito bem disso...
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