Um Japão sob trilhos
Pontual. Lotado. Limpo. Organizado. Saiba como é o dia a dia dentro do meio de transporte mais usado no Japão
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| Ler jornais e mangás está perdendo espaço para os celulares como o passatempo preferido dos usuários |
Se você for ao Japão, especialmente a Tóquio, com certeza, vai andar de trem. E se não andar será como se não tivesse ido. Trata-se do principal meio de transporte do país, seja para pequenas ou longas distâncias (nesse caso dentro dos famosos trens-balas). É uma das melhores maneiras de aprender sobre os hábitos e costumes dos japoneses. Basta apenas observar.
Todos os dias 24 milhões de pessoas se espremem nos horários de pico. Quando as portas dos vagões se abrem, quem está do lado de fora dá dois passos educados abrindo espaço para os passageiros que vão sair. Passados os segundos de cordialidade, é hora de embarcar. Os passageiros se engajam com determinação na disputa pelos assentos vagos. Nesses momentos de maior movimento entram em ação os famosos funcionários de luvas brancas que “empurram” aqueles que ficaram do lado de fora para dentro dos vagões. As luvas servem para evitar o contato direto com os passageiros, principalmente as mulheres.
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| Se o letreiro marca a chegada do trem para as 18h51, ele chega nesse horário |
E caso o próprio funcionário prenda as mãos quando as portas se fecharem, pode soltá-las rapidamente tirando as luvas. Apesar da lotação, não há tumultos ou brigas. Digamos que é uma lata de sardinha civilizada. E raramente, muito raramente mesmo, há atrasos. Se o letreiro marca a chegada do trem para as 18h51, tenha certeza. Às 18h51, você vai escutar o alto-falante repetindo a mesma música e voz de todos os dias que anuncia a chegada e a partida dos trens.
Os trens e seus números
- São aproximadamente 760 linhas de trem, metrô e monorails por todo Japão
- São cerca de 27.314 Km de linhas ferroviárias sob operação
- Estação Shiodome foi a primeira estação ferroviária do Japão. Ela era o principal terminal que ligava Tokyo a Yokohama e funcionou entre 1872 a 1914
- Existem 4 tipos de companhias que controlam a malha ferroviária japonesa
- Só o grupo JR movimenta 24 milhões de pessoas por dia e 663 milhões de pessoas por quilômetro diariamente
Aqui um parênteses. Certas estações têm sua própria trilha sonora, como a de Takadanobaba, em Tokyo, que soa o tema do antigo desenho Astro Boy. O motivo: Osamu Tezuka, o criador da famosa série, também considerado o “deus do mangá”, nasceu naquele bairro. Já a estação de Ebisu, em Tokyo, toca o jingle de um clássico comercial de cerveja, uma vez que a fábrica da marca de bebida homônima fica na região. Mas são exceções. A regra é pontualidade e padronização.
Quem sentar terá o privilégio de descansar as pernas, tirar um cochilo, ou dormir profundamente durante o trajeto. Os japoneses têm muita intimidade com os trens. É como se fossem a extensão de suas casas. Eles passam, em média, até três horas nos vagões, principalmente quem trabalha na capital japonesa. Explica-se: a maioria dos assalariados prefere morar em cidades vizinhas para não pagar o valor exorbitante dos aluguéis de Tóquo.
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| Hora da soneca: durante o inverno, os bancos dos trens contam com aquecedores. |
Demarcados os espaços, todos procuram algo para se distrair, num movimento automático pegam seus celulares, conferem e-mails e passam recados. Garotas aproveitam para retocar a maquiagem enquanto outros abrem algum mangá, livro ou jornal para aproveitar o momento improdutivo de forma útil.
As estações mais modestas têm duas entradas e saídas. Mas as mais movimentadas dividem-se em norte, sul, leste, oeste, A, B, C D, 1, 2, 3, 4 e assim por diante… A maior delas, a de Shinjuku, em Tokyo, tem aproximadamente 200 saídas. Nesses grandes complexos, não fosse a detalhada sinalização por todas as partes (no chão, teto, placas e paredes), seria muito fácil se perder. Organização é definitivamente uma paixão japonesa.
Um gesto vale mais que mil palavras
Um dos hábitos mais estranhos para um ocidental é observar os funcionários das estações de trem durante a chegada e partida das plataformas. Eles fazem movimentos repetitivos com as mãos, erguendo bandeirinhas. Trata-se do shisa kanko uma técnica para evitar erros de procedimento e acidentes.
As estações ainda costumam ter elevadores e escadas rolantes capazes de transportar idosos em cadeiras de roda, fato cada vez mais comum no Japão.
Siga as setas e direi onde vais
A informação visual é especialidade dos japoneses. Por isso, mesmo quem não lê nihongo consegue
se virar para achar
as saídas e conexões facilmente.
Em algumas estações é preciso andar por mais de 10 minutos embaixo da terra para chegar à próxima conexão.
A Oedo é a linha de metrô mais profunda de Tóquio. Ela chega a ter a profundidade de prédios de seis andares.
Lata de sardinha
Nos horários de pico, a disputa para entrar no trem é na base do empurra-empurra. Até pouco tempo era comum ver funcionários “ajudando” os passageiros a entrar com uma espécie de rodo humano.
Cidade subterrânea
Em uma metrópole como Tokyo, é comum as pessoas marcarem reuniões e encontros nas estações de trem. Nas mais movimentadas é normal ter diversas máquinas de bebida, guarda-volumes, lojas de conveniência e até lojas de departamento com restaurantes e cafés.
Fonte http://madeinjapan.uol.com.br







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