27 de abr de 2015

Almoço em solidariedade à Pedro Celso

Ex-deputado federal Pedro Celso
foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
Militância do PT e do PCdoB se reúnem em almoço solidarizando-se com Pedro Celso

Do Gama
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

A militância do Partido dos Trabalhadores, PT/DF e do Partido Comunista do Brasil, PCdoB/DF, reuniram-se na tarde deste domingo (26) no Gama, para participarem de uma feijoada de adesão em solidariedade ao ex-deputado federal Pedro Celso, PT/DF, que foi condenado a pagar uma multa de R$ 420 mil, por danos morais à Justiça do Pará

Entre os que participaram do evento destacamos as presenças da deputada federal, Érika Kokay, PT/DF e do ex-deputado federal Policarpo, PT/DF, que fizeram uso da palavra repudiando a decisão da Justiça e destacando que essa condenação não golpeava apenas o cidadão Pedro Celso, mas que esse sentença era mais uma tentativa de golpear o PT.

O presidente do PCdoB na cidade do Gama, professor José Antônio Coelho, também fez um pronunciamento defendendo o ex-deputado petista e afirmando que a legenda comunista está solidária a ele.

Os músicos Jairo Mendonça, Manoel Pretto e Cleisom Batah deram o tom para animar o almoço.
Da esquerda para a direita, Zé Antônio PCdoB, Pedro Celso PT,
Érika Kokay PT, Policarpo PT, Marcio Carneiro PT.
foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho

Pedro Celso notabilizou-se como presidente do Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal, nos anos 80, quando comandou uma greve da categoria por melhores salários e condições de trabalho, o resultado positivo da pauta de reivindicações abriu caminho para que outras categorias obtivessem êxito em outras greves, ainda nos anos de chumbo.

O fato
A justiça do Pará condenou por danos morais três ex-deputados federais que protestaram no primeiro julgamento dos responsáveis pelo massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996. A sentença absolvia todos assassinos. Este fato contribuiu para o cancelamento do ato e realização de novo júri. Este foi um dos fatos mais trágicos após a ditadura militar no Brasil, com grande repercussão internacional.

O juiz que presidia o Tribunal do Júri, que foi anulado, se sentiu lesado pelos então parlamentares Pedro Celso, PT-DF, Valdir Ganzer, PT/DF e Babá, PT/PA, decidindo assim processá-los, em ação judicial. Que, após tramitada e julgada no Pará - processo 0043554-03.2014.8. 14.0301-, foi concluída com a condenação ao pagamento de R$ 420.000,00 (quatrocentos e vinte mil reais), pelos réus, até dia 30 de março. Devido ao êxito da primeira fase da campanha, foi possível aportar um sinal e negociar a dilatação do prazo para o final do mês de abril de 2015.
A adesão foi considerada boa
foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho

Os condenados ao pagamento desta indenização ao juiz, hoje desembargador, não têm patrimônio para liquidar essa dívida. Desta forma, foi elaborada uma campanha para arrecadar recursos e ajudar os ex-deputados petistas.

O Massacre de Eldorado do Carajás, Pará,1996
A luta pela distribuição de terra no Brasil é marcada por conflitos. Um dos tristes capítulos dessa história foi o massacre de Eldorado dos Carajás, PA, em 17 de abril de 1996, que resultou na morte de 19 trabalhadores rurais. Além das pessoas executadas por policiais militares, outras 69 foram mutiladas e centenas ficaram feridas. 


Um ano depois, apesar de processados, os 154 policiais armados envolvidos continuavam exercendo suas funções. Em 16 de agosto de 1999, ocorreu a primeira sessão do Tribunal do Júri, ocasião em que houve união das forças sociais como o  Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST, parlamentares, familiares das vítimas e sociedade para forçar o julgamento dos policiais militares, responsáveis pelo massacre. Isso, após a anulação do primeiro julgamento, que absolvia a todos, fato influenciado pela ação de nossos líderes, tratados como réus neste processo.

Em abril de 2000 o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, determinou a anulação do primeiro julgamento, prova da legitimidade dos protestos da sociedade civil organizada e suas lideranças parlamentares.

Mais detalhes sobre a tragédia
Jairo Mendonça e Manoel Pretto
foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
1996 - O Massacre Eldorado dos Carajás aconteceu durante uma marcha de integrantes do MST para Belém. Na ocasião, os sem-terra bloqueavam a rodovia PA-150 para forçar a desapropriação da área da fazenda Macaxeira, de 35 mil hectares ocupada por 1500 famílias havia 11 dias. O comando militar mandou os policiais para o local a fim de conter a ação. O relatório dos legistas concluiu que 12 das 19 vítimas tinham sido assassinadas por balas, três "a queima roupa” e outras sete morreram por espancamento. Em maio de 1997, os 154 policiais armados envolvidos foram processados a pedido do Ministério Público, que concluiu que "os acusados tinham, sem dúvida alguma, agido com a intenção de matar e de ferir". No entanto, todos continuaram exercendo suas funções.



O clima era de insegurança em Marabá, região sul do Pará, aonde ocorreu a tragédia, com testemunhas sendo ameaçadas. Uma batalha jurídica levou o processo para a capital Belém. Antes, porém, o repórter fotográfico autor dos negativos sobre o massacre foi assassinado. A transferência não garantiu a Justiça desejada. Apenas dois foram condenados - o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira. Isso, após a anulação do primeiro julgamento, que absolvia a todos, fato influenciado pela ação de nossos deputados, aqui tratados como réus.

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Em 16 de agosto de 1999, ocorreu a primeira sessão do Tribunal do Júri, após um longo período de muita luta proveniente da união das forças sociais. O resultado terminou inocentando os réus, o que gerou revolta e provocou diversas manifestações contrárias a tal procedimento. Vários segmentos sociais expressaram protestos legítimos e democráticos em sintonia com a revolta popular, não só do povo do Pará, mas de todo país e de significativa parcela da comunidade internacional, que acompanha a luta pela desconcentração da terra no Brasil. 

Jairo Mendonça e Cleisom Batah
Na ocasião os então deputados federais Valdir Ganzer, PT/PA, João Batista Babá, PT/PA e Pedro Celso, PT/DF, se deslocaram da Câmara Federal, em Brasília, para o Tribunal de Justiça do Pará, em Belém, com objetivo de acompanhar de forma incisiva as resoluções e protestos.

Em abril de 2000 o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, determinou a anulação do primeiro julgamento, prova da legitimidade dos protestos da sociedade civil organizada e suas lideranças parlamentares.

O dia 17 de abril de 1996 acabou entrando para a história como uma das ações policiais mais violentas do país e para não ser esquecida, nesta data é comemorado o Dia nacional de luta pela reforma agrária, em homenagem aos trabalhadores e trabalhadoras rurais mortos no massacre Eldorado dos Carajás (PA).


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