13 de abr de 2015

Inauguração do Cantoria foi sucesso de público

A inauguração foi um sucesso de público
A inauguração do Cantoria, Blues e o Escambau foi um sucesso de público

Do Gama
Joaquim Dantas 
Para o Blog do Arretadinho

A tarde deste domingo (12) foi bastante movimentada na Feira Permanente do Gama, muita gente foi prestigiar a inauguração do Cantoria, Blues e o Escambau. 

A principal atração foi o cardápio musical composto da autentica música  popular brasileira e muita poesia. A festa começou por volta do meio dia e estendeu-se até as oito horas da noite.


No comando dos acordes musicais, Jairo Mendonça interpretou canções autorais e de autores consagrados como Edvaldo Santana. Jairo foi acompanhado pelo mister batera, Clei Vinícius e pelo baixista Júnior Canhoto.

Também subiram ao palco Manoel Pretto, Takane Pacífico  e Cleison Batah, sempre muito aplaudidos pelo público em suas apresentações.
JairoMendonça, Clei Vinícius
 e Júnior Canhoto / clique e amplie


A poesia ficou por conta de três poetas, o primeiro a se apresentar foi Cumpadi Anselmo, que declamou diversos causos matutos como "Problema Cardiuco", de Jessier Quirino. Já o poeta Chico do Gama, entre outros, arrancou aplausos do público ao interpetrar "O Operário em Construção", de Vinícius de Moraes.
Cumpadi Anselmo declamando o causo
Problema Cardiuco/clique e amplie

Quem também fez muito sucesso com as poesias foi Djair Diniz, irmão do grande poeta Mangueira Diniz, que compareceu à inauguração do espaço cultural à convite de Cumpadi Anselmo.

O poeta Mangueira Diniz, que também era ator e teatrólogo, foi um dos criadores do Teatro Oficina do Perdiz.


 A primeira vez que os radicais tentaram se apresentar fora da quebrada rolou mais ou menos em 2003, após assistir espetáculos na Oficina do Perdiz. Lá se foram Júlio César, Paulinho Dagomé, Máximo Mansur e cia. tentar apresentar o Sarau Radical em terras estrangeiras da Asa Norte.

Djair Diniz/clique e amplie
Ao que parece, a tentativa foi frustrada e diante do insucesso de público – e do despreparo dos incipientes radicalistas – o velho Perdiz ficou puto e tudo deu com os burros n’água.

Diferente fez Mangueira, naquele mesmo teatro, nos idos de 1988. Diretor de teatro e ator que acabara de montar um Becker de respeito, o texto Esperando Godot, viu, magoado os teatros convencionais lhe recusarem os palcos por tempo justo. Pediu emprestado, é claro, o lugar em que consertavam-se carros e máquinas durante o dia e preparavam-se os atores à noite.

ESPERANDO GODOT
Gente bonita e animada
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Esperando Godot inaugurava o teatro Oficina do Perdiz, em 10 de fevereiro de 1989. Quarenta pessoas na platéia e arquibancadas de tábua de madeira patrocinadas e canos de ferro reciclados by José.

Teve de tudo: o ator que interpretava o escravo, num ataque de estrelismo, se aborreceu e saiu do elenco. Foi substituído por Adriana Nunes, talento que até hoje brilha no circuito teatral local.
Foram 12 fins de semana de ”casa lotada”, e Esperando Godot abriu caminho para performances de dança e apresentações de ”rock pauleira” que levavam Perdiz à delegacia. A imprensa acudia.

Vista parcial por volta das 17h
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Em 1991, Mangueira Diniz volta à cena com ”Bella, Ciao”, de Luís Alberto de Abreu, um sucesso que ficou em cartaz mais de um ano e obrigou a oficina a se abrir de quinta a segunda, com direito a sessões duplas, aos sábados, e uma extraordinária, em 1992, à uma hora da manhã, para o elenco de Ricardo III, peça que se apresentava no Teatro Nacional.

Eram nomes de peso – Stênio Garcia, Lucinha Lins, Cláudio Tovar, Denise Milfond e Françoise Fourton – e a eles não se negava pedidos.

A jornalista Larissa Montovan (dir)
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Mangueira foi um espetacular diretor.

Mas “mió” mesmo eram suas constantes homenagens a seu primo, Pompílio, que volta e meia ele declamava. Dramatizava como ninguém, veemente.

O professor Sérgio Maggio afirmou certa vez que "diziam por aí que as ideias do diretor Mangueira Diniz não cabiam dentro de sua cabeça. Eram sempre engenhosas. Talvez por isso, ele adorava incluir nas cantorias madrugada adentro um rock do padre Zezinho cujo refrão é "sou cidadão do infinito, do infinito, que levo a paz no meu caminho, no meu caminho". Humanista e saltimbanco, como lembram os amigos, construiu coerente carreira artística conciliando com a vida pragmática de servidor público do Banco Central. Nessa aparente inequação, há imagem em que se mostrava perfeitamente harmônico entre esses dois mundos quase inconciliáveis. Estava ele, numa greve histórica, de megafone em mãos, a recitar versos do primo Pompilho Diniz, grande poeta paraibano e referência constante na trajetória de Mangueira Diniz. "
Muita gente animada/clique e amplie

Pobrema cardíuco
Jessier quirino

Mas cumpade véio eu vou dizer um negóço a voceis...
Umacoisa qui num inziste no sertããõ....
...é pobrema cardíuco.

O pobrema cardíuco é uma duença que se adquére com o virus da letra "i"
Imposto de renda,iptu,icms,implacamento de carro,ingarrafamento i istresse!

Até as admiradoras do Rock marcaram
presença/clique e amplie
Essas são as palava que causa pobrema cardíuco.

E no sertão num tem essas palava .

Ai mãe disse:
- pedo tu cuida no teu pobrema cardíuco, qui tu ta passano da idade,ai eu fui pa campina grande procurar um doutor coraçãozista,o dotô mandõ eu disimbesta in cima de uma correa,cum duas bengala pa sigurar.ai eu subi na correa e ele cumeçô a butar a correa pa disimbestar,e eu disimbeste im riba da correa, eu disse pode correr? ai ele butou correa e eu começê a disimbestar o doto disse ta cansado?

E eu disse ochente! e ouvera de eu me cansá cumumá correa???

Se eu vou todo dia no alto do bode buscar lenha,se eu vou todo dia no riacho dos caçóte buscar agua,ouvera de eu me cançá cumá correa???bota correa dotô..
Chico do Gama declamando O
Operário em Construção
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Ai o doto buto correa ,butou correa , butou correa...ai eu disimbeste in cima do correa.. e fiquê lá...e fui na pisadinha... na pisadinha... na pisadinha... quase que eu mato a correa de cansasso...ela ficou toda mole , butou pra esquentar , o dotô disse :
Senta aqui nessa cama.
Butou umas chupetinha nos meus peito...ligou a televisão do computador,e eu assisti meu coração fon-cio-nando!

A cisa mais linda do mundo éumcoração foncionando.

Aparece na telinha assim uns risquim pa cima e pa baixo
Takane Pacífico
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Umtrisco umpum e uma linha, umtrisco umpum e uma linha umtrisco umpum e uma liiiiiinha.... o doto me deu o resultado numpapé,eu butei numa modulra e dei de presente a mãe.mae buto na parede de lado do coração de jesuis,o coração de jeusis cuma coroa de ispinho,e o meu cum umtrisco umpum e uma linha.

Passado uns 5 , 6 meis...ai mae disse ô pedo,tu sabe quem ta vindo pu sertão pa disaluviar de um pobrema cardiuco???adeirado teu primo!!!

Ai eu disse ah!! mãe adeirado foi pa são palo quandera minino,o pau qui mais tem em sampalo é o virus da etra" i" ingarrafamento,istrésse!essa palava istrésse é de são paulo!!todo mundo lá tem essa palava istreeesse mãe! eu so cunheço um noidestino que foi pa são paulo que num pegou essa palava istresse...foi luiz di lindú. luiz de lindú só teve um istresse na vida ,foi quando ele cortou o dedo...cortou o dedo num acidente ai pronto ficou puralí...vai e coisa ,ai começou,a fundar sindicato,fazer greve,bate de frente cum patrao fundá partido , tumar cachaça chegou a presidente da república e num tem pobrema cardíuco mãe!mair diga a deirado qui venha simbora,diga a adeirado qui venha simbora ai nisso aderado chegou...
Manoel Pretto

Eu disse adeirado o qui foi qui tu tivesse em são paulo? eu tive um pobrema cardíuco,o doto feiz um caceterismo,e disse qui eu num tivesse isstresse e qui eu cumesse uma cumida rica in ferro! ai eu disse voce vei pu lugar certo!pur que o sertão num tem istresse, voce vai tumá sopa de feixo demola de caminhão,suco de radiador de arrural,e mãe vai fazer sandáia japoneza no leite de coco qui é rica in burracha, voce vai ficar cum o coração novo..e nois vai fazer coisa qui num da istresse,pastorar passarim em barde de açude e pescarr....

Nóis tava no riacho dus caçóte pescando quando eu de pur fé derardo puf! teve um piripaque. eu disse meu deur du céu a derardo vai ter um pobrema cardiuco... ele levato e disse n,ão pedo eu num tive umpobrema cardiuco eu tive um istresse... eu dise qui diabo di istresse aderardo??tu num sabe o que o sertão nuntem essa palavra istresse???o sertão é mais tranquile du qui nossa sinhora rezando balançano os péis numa nuve...ele disse eu tive um istresse com essa cascavéi qui ta nos meus pés balançando o maracá!

Marrapáis conde eu olhei pá os pés de adrerardo, tinha uma cascavéi da grussura de um vrido de ineiscafè! eu tive uma raiva tão da mulesta dessa cascavéi rapaz... pur qui foi uma inresponsbilidade dela!!!! tá intendendo ? as cascavei num rái de dezoito légua da fazenda do meu pai , elas tudim cunhece os rudrigue de mederos e num tinha nada qui essa cascavéi ta nos pés de aderardo,qui ela sabe que aderardo é rudrigue de mederos e sabe qui adererdo é meu primo ....ai eu butei um oíá de guerra pa cascavéi... conde ela viu meu olhá de guerra!! ai disse:

A an qui nusseio que ,... eu disse an qui nusseio que não qui você ta errada!! ela disse an qui nusseio que... eu disse: você ta errada!!! ai ela quiria correr conde ela preparou pa correr eu butei o pé..ai ela subiu pa me morder rapaoz , ai eu de de garra com ela cuma mão , pegue ela asiim pelo percosso de lumas tapa na zorea e disse: cascaver !!! fila da puta! tu quer me matar de veigonha quenga safada?!?!tu quer qui o povo pense qui riachos caçóte é o riio tietê,e qui esse barde de açúde é a venida polista quenga safada ?!?!?!?! tu num sabe que aderardo tem pobrema cardiuco!?!?!?! ai ela butou a linguinha pra fora e disse discurpe, ai adrerardo feis vuuuup! rapaiz ele deu um tique tão cachorro da mulesta qui incheu o bosso da camisa de terra e ralou a orea no chão,chegou lá no posto de saude butando os bofe pra fora ai o dotô disse: o sinhô ta sentindo falta de ar?? ai ele disse não.. eu to sintino é farta de sao paulo.ai nisso eu fui chegano,é dexe,dexe,dexe ele ir pa sao paulo , dexe ele ir pa sao paulo pur que um cabô co qui numpode ver uma casacaver pidindo discurpa a um sertanejo, um caba desse tem mais é qui ta im são paulo deixe ele ir ,deixe ele ir... ai pronto aderardo foi simbora ai nisso o doto me chamou...ei vamo acertar as conta?eu disse vamo!!!!!!!!!ai o doto disse : tem prano de sauude?? eu disse tem não eu nuntinha prano de aduecer...ai ele disse : home quer saber de uma coisa? vá simbóra!vá simbora ai eu disse: ochente!!! parece qui pego ar....

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO
Vinícius de Moraes

Rio de Janeiro , 1959

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: 
- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 
E Jesus, respondendo, disse-lhe: 
- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. 
Lucas, cap. V, vs. 5-8. 

Era ele que erguia casas 
Onde antes só havia chão. 
Como um pássaro sem asas 
Ele subia com as casas 
Que lhe brotavam da mão. 
Mas tudo desconhecia 
De sua grande missão: 
Não sabia, por exemplo 
Que a casa de um homem é um templo 
Um templo sem religião 
Como tampouco sabia 
Que a casa que ele fazia 
Sendo a sua liberdade 
Era a sua escravidão. 

De fato, como podia 
Um operário em construção 
Compreender por que um tijolo 
Valia mais do que um pão? 
Tijolos ele empilhava 
Com pá, cimento e esquadria 
Quanto ao pão, ele o comia... 
Mas fosse comer tijolo! 
E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento 
Além uma igreja, à frente 
Um quartel e uma prisão: 
Prisão de que sofreria 
Não fosse, eventualmente 
Um operário em construção. 

Mas ele desconhecia 
Esse fato extraordinário: 
Que o operário faz a coisa 
E a coisa faz o operário. 
De forma que, certo dia 
À mesa, ao cortar o pão 
O operário foi tomado 
De uma súbita emoção 
Ao constatar assombrado 
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário, 
Um operário em construção. 
Olhou em torno: gamela 
Banco, enxerga, caldeirão 
Vidro, parede, janela 
Casa, cidade, nação! 
Tudo, tudo o que existia 
Era ele quem o fazia 
Ele, um humilde operário 
Um operário que sabia 
Exercer a profissão. 

Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto 
Aquele humilde operário 
Soube naquele momento! 
Naquela casa vazia 
Que ele mesmo levantara 
Um mundo novo nascia 
De que sequer suspeitava. 
O operário emocionado 
Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela. 

Foi dentro da compreensão 
Desse instante solitário 
Que, tal sua construção 
Cresceu também o operário. 
Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão - 
O operário adquiriu 
Uma nova dimensão: 
A dimensão da poesia. 

E um fato novo se viu 
Que a todos admirava: 
O que o operário dizia 
Outro operário escutava. 

E foi assim que o operário 
Do edifício em construção 
Que sempre dizia sim 
Começou a dizer não. 
E aprendeu a notar coisas 
A que não dava atenção: 

Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão 
Que sua cerveja preta 
Era o uísque do patrão 
Que seu macacão de zuarte 
Era o terno do patrão 
Que o casebre onde morava 
Era a mansão do patrão 
Que seus dois pés andarilhos 
Eram as rodas do patrão 
Que a dureza do seu dia 
Era a noite do patrão 
Que sua imensa fadiga 
Era amiga do patrão. 

E o operário disse: Não! 
E o operário fez-se forte 
Na sua resolução. 

Como era de se esperar 
As bocas da delação 
Começaram a dizer coisas 
Aos ouvidos do patrão. 
Mas o patrão não queria 
Nenhuma preocupação 
- "Convençam-no" do contrário - 
Disse ele sobre o operário 
E ao dizer isso sorria. 

Dia seguinte, o operário 
Ao sair da construção 
Viu-se súbito cercado 
Dos homens da delação 
E sofreu, por destinado 
Sua primeira agressão. 
Teve seu rosto cuspido 
Teve seu braço quebrado 
Mas quando foi perguntado 
O operário disse: Não! 

Em vão sofrera o operário 
Sua primeira agressão 
Muitas outras se seguiram 
Muitas outras seguirão. 
Porém, por imprescindível 
Ao edifício em construção 
Seu trabalho prosseguia 
E todo o seu sofrimento 
Misturava-se ao cimento 
Da construção que crescia. 

Sentindo que a violência 
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão 
Dobrá-lo de modo vário. 
De sorte que o foi levando 
Ao alto da construção 
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região 
E apontando-a ao operário 
Fez-lhe esta declaração: 
- Dar-te-ei todo esse poder 
E a sua satisfação 
Porque a mim me foi entregue 
E dou-o a quem bem quiser. 
Dou-te tempo de lazer 
Dou-te tempo de mulher. 
Portanto, tudo o que vês 
Será teu se me adorares 
E, ainda mais, se abandonares 
O que te faz dizer não. 

Disse, e fitou o operário 
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário 
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas 
E dentro das estruturas 
Via coisas, objetos 
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia 
O lucro do seu patrão 
E em cada coisa que via 
Misteriosamente havia 
A marca de sua mão. 
E o operário disse: Não! 

- Loucura! - gritou o patrão 
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário 
Não podes dar-me o que é meu. 

E um grande silêncio fez-se 
Dentro do seu coração 
Um silêncio de martírios 
Um silêncio de prisão. 
Um silêncio povoado 
De pedidos de perdão 
Um silêncio apavorado 
Com o medo em solidão. 

Um silêncio de torturas 
E gritos de maldição 
Um silêncio de fraturas 
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz 
De todos os seus irmãos 
Os seus irmãos que morreram 
Por outros que viverão. 
Uma esperança sincera 
Cresceu no seu coração 
E dentro da tarde mansa 
Agigantou-se a razão 
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera 
Em operário construído 
O operário em construção.
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