30 de mai de 2015

Eduardo Cunha, nosso Macbeth

O deputado Eduardo Cunha é um vilão Shakespeariano. Confesso que há muito tempo não via um sujeito, um político, com características tão nítidas de perverso quanto esse parlamentar que produz calafrios no governo e apavora os homens de bem. A sentença de Shakespeare, em Macbeth “As múltiplas vilanias da natureza enxameavam nele”, aplica-se inteiramente ao atual presidente da Câmara dos Deputados. Tenho observado todos os seus movimentos, e posso garantir que se trata de um homem perigosíssimo, dotado de uma capacidade de fazer o mal realmente impressionante e que precisa ser detido urgentemente.

Por Theófilo Silva
Para o Blog do Arretadinho - Via e-mail

Encontro Eduardo Cunha em várias peças de Shakespeare. No rei Claudio, o usurpador assassino, em Hamlet; no cruel Ricardo III; no insensível Edmundo, em Rei Lear. Todos eles figuras ambiciosas sem regras morais. Mas é Macbeth a personagem que se encaixa perfeitamente em nosso presidente da câmara. É como se Shakespeare tivesse escrito a peça pensando nele.

Depois que as bruxas prognosticaram que o barão Macbeth seria rei da Escócia, ele, em combinação com sua mulher, cheios de ambição, resolvem matar o bondoso rei Duncan, que se hospedara em seu Castelo. Feito o ato, Macbeth é coroado rei, e daí pra frente, dotado de prepotência e crueldade, cria uma rede de espiões, e passa a matar todos aqueles que estão em seu caminho. Sentia-se seguro, já que as bruxas tinham dito que ele só seria derrotado se a “floresta de Birnam subir a colina”. Algo impossível de acontecer. Pois bem, os exércitos de seus inimigos cortaram os galhos das árvores e cobriram suas cabeças com eles, e marcharam escondidos pela noite. O bosque de Birnam subiu a colina.


Macbeth é uma peça sobre a ambição desenfreada. Lady Macbeth, a esposa do tirano, pede a forças sobrenaturais, sabe-se lá de onde: “Faca com que meu sangue fique mais espesso; feche em mim todo o acesso, todo caminho à piedade, para que nenhum escrúpulo compatível com a Natureza possa turvar meu propósito feroz, nem possa interpor-se entre ele e a execução”. E contemplando seu marido que acabara de matar o rei Duncan, dispara: “Teu rosto, meu barão, é um livro em que os homens podem ler estranhas coisas... Para enganar o mundo é preciso ser semelhante ao mundo”.  E recomenda “Porém sê a serpente que se esconde debaixo de uma flor”. E Macbeth, iniciando sua trajetória, diz: “Tu, terra firme e sólida apaga meus passos”.

Eduardo Cunha, o político que “não deixa digitais”, segundo a imprensa, começou sua carreira na época do sinistro desgoverno Collor. Seu celular é talvez o primeiro criptografado do Brasil. 
Ninguém o grava. É filiado a três igrejas para-pentecostais no Rio de janeiro. Controla uma bancada individual, que, dizem, chega a quase setenta deputados. É inacessível na condição de Presidente da Câmara Federal. Ninguém chega nele. Não tem qualquer remorso em destruir servidores ou parlamentares que não façam o que ele manda, ou que ousam contrariar sua tirania. Quebra acordos com quem bebe água. Processou todos os jornalistas que disseram coisas que ele não gostava. 

Hoje é acusado pelo MP de usar “deputados laranjas” para achacar empresas em troca de propina, para pagar campanhas eleitorais desses deputados. Seu poder repousa nesse dinheiro. Eduardo comporta-se como se o país não tivesse instituições, poder executivo, ministério público... E tem tentado enfraquecer o Supremo Tribunal quando votou a PEC da bengala – junto com Renan Calheiros, o barão medieval das Alagoas – para mostrar que ele pode mexer no STF. 

A floresta de Birnan de Eduardo Cunha já está a caminho. A encrenca dele é grande. Numa obra prima de vilania, constituiu o ex-procurador geral da república Antônio Fernando de Sousa como seu advogado. Não há nada melhor para enfrentar o atual procurador geral do que o ex-procurador geral. Eduardo tem um inquérito aberto contra ele por Rodrigo Janot. E daí que ele tem tentado repetidamente desmoralizar Janot, dizendo que esse o persegue. Ao tentar desmoralizar Janot, ele compra uma briga com  a instituição mais corporativa do país. Os procuradores não vão aceitar que humilhem seu chefe e colega. Eduardo Cunha vai perder essa guerra. Mesmo porque as provas contra ele são robustas, irrefutáveis, e ele não pode ser maior do que o estado de direito. 

O destino de Eduardo Cunha é o mesmo de Macbeth “O outono de minha vida está declinando em direção do outono de folhas amarelas e tudo quanto sirva de escolta à velhice não devo procurar tê-los, em troca virão maldições recalcadas...”.

É o que espero!

Postar um comentário