12 de jun de 2015

'Ferido, mas vivo e de cabeça erguida'

Durante seu discurso na abertura do V Congresso do PT, em Salvador, na noite desta quinta-feira (11), o ex-presidente Lula, embora tenha denunciado a "mais sórdida campanha de difamação que um partido já sofreu na história do Brasil", apontou com otimismo para o futuro.
Para Lula, o partido, mesmo ferido, segue em frente de cabeça erguida, pois está no coração do povo brasileiro. Já a presidenta Dilma buscou municiar a militância com informações sobre as realizações do seu governo e defendeu o caráter tático, e não estratégico, do ajuste fiscal. Em Salvador, para acompanhar o congresso do partido, duas coisas me chamaram especialmente a atenção no primeiro dia do evento : se por um lado, a vitalidade do PT e seu forte enraizamento popular continuam intactos, por outro a organização deixou muito a desejar, a ponto de a cerimônia de abertura ter começado com inacreditáveis duas horas e meia de atraso. A despeito do motivo oficial do atraso ser compreensível (a espera da presidenta Dilma que veio da Bélgica), nada impedia que o ato político tivesse início enquanto a presidenta não chegasse.

Nos bastidores, em que pese o PT tenha que encarar a partir de hoje as discussões sobre as teses estruturantes, constituintes e estratégicas apresentadas pelas correntes políticas, o assunto que polariza os debates é a política econômica do segundo mandato da presidenta Dilma, comandada pelo ministro Joaquim Levy. Os delegados parecem dividir-se entre posicionamentos mais ou menos tolerantes em relação ao ajuste fiscal proposto pelo governo.

A impressão que ficou no primeiro dia é que os delegados, ao focarem a questão do ajuste de forma prioritária, e como divisor de águas, estão mais preocupados com a tática do que com a estratégia. Neste sentido, o evento tem mais ares de convenção do que de congresso. Fez sucesso, por exemplo,  entre os militantes o manifesto dos sindicalistas do PT com duras críticas à condução das economia.

"O governo optou por uma guinada na política econômica, com medidas de ataques aos direitos dos trabalhadores, sem sequer dialogar com as centrais sindicais. Aproveitado-se dessa situação, a oposição e a direita cresceram nas ruas e nas instituições, com o apoio da grande imprensa", diz o documento assinado por 371 dirigentes sindicais cutistas e militantes.

Com um palco lotado de dirigentes, ministros, prefeitos, governadores, deputados e senadores do PT, além  de representantes dos movimentos social e sindical e de delegações de outros países, o ato de abertura registrou um constrangimento : ao dar as boas vindas a todos, na condição de anfitrião, o governador da Bahia, Rui Costa, teve sua fala interrompida algumas vezes pelo coro de "Cabula, Cabula, Cabula", numa referência à ação desastrada da Polícia Militar baiana neste bairro popular de Salvador.

Antecedidos pelo presidente do PT, Rui Falcão, que fez uma fala enérgica em defesa da história, das realizações e do patrimônio político do partido, Lula e Dilma discursaram já depois das 22h, ovacionados pelos delegados ao congresso, principalmente o ex-presidente. É interessante observar que Lula, contrariando sua prática histórica e vitoriosa de falar de improviso, desta vez leu um discurso preparado previamente. Durante sua fala, as mas mais mil pessoas presentes ao auditório do Hotel Pestana lançaram extraoficialmente sua candidatura a presidente : "Lula de novo, com a força do povo".   Veja alguns trechos das falas de Lula e Dilma:

Lula 
"Há dez anos jornalistas anunciam a morte do PT. Nesse período, eu me reelegi presidente, em 2006, e a companheira Dilma foi eleita e reeleita."

"Mesmo enfrentando a mais sórdida campanha de difamação que um partido já sofreu na história deste país, o PT segue em frente, ferido mas de cabeça erguida."

"O que a imprensa não consegue entender é que nossa força vem do chão da fábrica, da luta pela terra, das ruas, praças e escolas. Por tudo isso é que estamos vivos no coração de milhões de brasileiros."

" O PT nasceu para mudar o Brasil. E esse continua sendo o nosso maior compromisso. Nós aprendemos que vale a pena sonhar. Tanto que estamos vendo agora a primeira geração de brasileiros e brasileiras que não conheceram o pesadelo da fome." 

"Nossos adversários não veem a hora de fazer a história andar para trás. Hoje, no Brasil, a liberdade de imprensa é um privilégio de poucos e não um direito de todos."

"A agenda deles é destruir a Petrobras e a engenharia nacional."

"Foram os governos do PT que abriram as portas do mercado de trabalho e do consumo para milhões de pessoas. Mas a mídia que ataca tanto o nosso governo não sabe nem mesmo administrar suas dificuldades, a não ser demitindo como faz atualmente, jogando o peso nas costas dos trabalhadores."

"O povo brasileiro está dizendo hoje ao PT que o Brasil tem que continuar crescendo e incluindo. E pede : não se acomodem. Daí a importância do plano de investimento e logística lançado esta semana pela presidenta Dilma."

"Cada um de nós tem que sair desse Congresso com a energia militante redobrada, pois essa sempre foi a nossa marca."

Dilma 
" A nova etapa da nossa caminhada está apenas começando. O PT, que foi forjado nas lutas, está preparado para entender os  movimentos táticos necessários para atingir os objetivos estratégicos."

"Governo, PT, partidos aliados e movimentos sociais tem de caminhar juntos. Os militantes do PT não devem se abater pelo discurso da intolerância."

"Os militantes do partido têm muito o que falar para enfrentar a intolerância. Falem, por exemplo, da Petrobras que ganhou o Oscar internacional na área de petróleo e gás, que bate recordes na produção no pré-sal, que teve um lucro de mais de 5 bi e cujas ações estão em forte alta."

"Relatem o acordo com a China, o banco de desenvolvimento dos Brics, o novo Plano Safra, que, com mais recursos, vai fazer o Brasil bater ainda mais recordes de produção agrícola."

"Falem sobre o programa de concessão de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos, no valor de R$ 198 bilhões, no Mais Médicos, que garante atendimento a 63 milhões de brasileiros, de um milhão de novas vagas nas universidades e no Minha Casa, Minha Vida, o maior programa habitacional do mundo."

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