25 de jun de 2015

Incitação à violência policial protagonizada pela televisão brasileira

Marcelo Rezende, apresentador do Cidade Alerta, programa com
mais de três horas de notícias policiais.
Nesta terça-feira (23), a TV Record e a Bandeirantes, com os apresentadores Marcelo Rezende e José Luiz Datena, narraram em tom de euforia uma perseguição policial que terminou com tiros à queima-roupa disparados por um PM de São Paulo contra um motociclista e seu garupa, já caídos na calçada, após o primeiro disparo do policial. Indignada, Laura Capriglione, do Jornalistas Livres escreveu um texto questionando até quando a incitação à violência será tolerada pela sociedade brasileira.



A indignação de Laura exprime a importância de se discutir o papel da televisão brasileira como influência social. Os meios de comunicação apresentam programas policiais de forma sensacionalista e descontextualizada, com discursos autoritários e chavões, muitos deles jogam no ar opiniões sem valores e sem estabelecer julgamento acerca do mundo social e de sua autoridade como formador de opinião. Aproveitam a audiência obtida a partir de um conteúdo relacionado à violência sem avaliar o quanto essa influência pode causar impacto em seus telespectadores e na sociedade como um todo.

Leia abaixo o texto de Laura, publicado nas redes sociais:

São Paulo - Urgente
Tentativa de assassinato cometida pela PM ao vivo

O repugnante programa Cidade Alerta, TV Record, do apresentador Marcelo Rezende, trouxe hoje cenas da perseguição policial de dois jovens que estavam em uma motocicleta branca com um baú preto. Supostamente, os dois eram suspeitos de terem cometido assaltos na zona sul de São Paulo.

A perseguição ocorreu na avenida João Dias até a avenida Maria Coelho Aguiar, no bairro Jardim São Luís.

Em desespero, o garupa da moto arremessou o seu próprio capacete contra o policial da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), sugerindo que esta era a melhor arma de que dispunha para tentar fugir da perseguição.

Mesmo sendo essa uma "arma" não-letal, e já tendo o garupa jogado-a fora, o policial atirou duas vezes contra os jovens, que, não se sabe se, por terem sido atingidos ou pelo susto, invadiram a calçada e caíram. O policial perseguidor então se aproximou e disparou, quase à queima roupa, quatro vezes contra os supostos suspeitos.

Sem chance de defesa.

Nenhum disparo foi realizado pelos jovens perseguidos.

Esta é a polícia de São Paulo, a polícia tucana de Geraldo Alckmin.

Qual foi o crime terrível cometido pelos jovens? Fugir da polícia agora é crime passível de uma pena de morte que inexiste no Código Penal brasileiro?

Apesar do horror da cena, transmitida ao vivo em seu programa, Marcelo Rezende não hesitou em justificar a ação do policial e de cumprimentá-lo: "Fez muito bem!"

Até quando esse tipo de incitação à violência policial será tolerado na TV brasileira?

E a Corregedoria da Polícia, quando se pronunciará sobre mais esse crime da PM?

PS1: Os dois jovens foram encaminhados a hospitais da região.

PS2: Imagens parecidas foram transmitidas no programa Brasil Urgente, de José Luiz Datena, da TV Bandeirantes.

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