13 de ago de 2015

No campo, trabalhadoras se mobilizam em defesa da mulher

Ligue 180 registra aumento de denúncias de familiares e vizinhos;
mudança de perfil também é refletida no meio rural
Ligue 180 registra aumento de denúncias de familiares e vizinhos; mudança de perfil também é refletida no meio rural, onde um grupo de mulheres que vive da agricultura familiar salvou a vida de uma trabalhadora vítima de violência
Uma década depois da criação da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, ligada à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), o serviço reflete um amadurecimento da sociedade brasileira no combate à violência contra a mulher. Em 2015, aponta a secretaria, cresceu o número de  familiares, vizinhos e amigos que ligaram para relatar violências sofridas por mulheres. Ao mesmo tempo, diminuiu o número de registros feitos pela própria vítima. Essa mudança de comportamento também é sentida no campo, onde o sonho de uma agroecologia sem veneno e sem o sangue das mulheres se aproxima do mundo real.

Foi assim que um grupo de mulheres que vive da agricultura familiar no Rio Grande do Norte salvou a vida de uma trabalhadora que sofria violência do companheiro em um assentamento a 35 quilômetros da cidade de Mossoró. Percebendo que a vítima da agressão estava amedrontada diante da situação, o grupo, que ocupa a região para a produzir "frutos" da apicultura, hortaliças e outros resultados da agricultura familiar, resolveu agir.

"Junto com as entidades, sindicatos, começamos a fazer um trabalho de denúncia, a partir da própria associação. Fizemos marcha no Dia das Mulheres. A gente começou a perceber que a violência só acaba quando a gente deixa de ter vergonha e o agressor é quem passa a ter vergonha. Foi nisso que a violência acabou", lembra a trabalhadora Neneide Lima, há 22 anos no assentamento e defensora do direito das mulheres na Marcha das Margaridas, que promove sua 5ª edição nesta quarta-feira, na capital federal.

O caso aconteceu em 2006, mas, segundo Neneide, ainda espelha exemplos. "Ele se sentiu tão acuado, se sentiu tão humilhado, que foi embora. Ele deixou o assentamento, porque isso foi de conhecimento público. Se ela tivesse continuado sofrendo sozinha, se ela não tivesse colocado para comunidade, com certeza, até hoje ela estaria ainda sofrendo violência", diz.

A trabalhadora que ajudou a mudar a vida da colega em Mossoró afirma que a comunidade em que vive há mais de duas décadas tem como ideologia de trabalho a agroecologia. O grupo se preocupa com a procedência dos alimentos fornecidos, passando pelo mal dos agrotóxicos ao crime da violência contra as mulheres trabalhadoras.

"Não basta ter só o produto. Tem que, também, saber de onde o produto vem. Se é agroecológico, se é da economia solidária, sem veneno, mas que nele  também não vá o sangue das mulheres", defende a trabalhadora, que reconhece avanços na preservação do direito das mulheres na última década. 

Avanços
A coordenadora da Marcha das Margaridas do Amazonas, Maria das Neves, ressalta os avanços nos últimos anos promovidos pelo governo federal em favor das mulheres, como a criação da  Secretaria de Politicas para as Mulheres, "fruto da mobilização da sociedade brasileira".

"Iniciamos um processo de conferências públicas, que gerou um plano nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres. Nós aprovamos, em 2006, a Lei Maria da Penha. As mulheres são mortas simplesmente por serem mulheres", denuncia.

Pela primeira vez na Marcha das Margaridas, Vicentina do Prado, 77 anos, do Mato Grosso, acredita que as mulheres buscam o melhor para o país, "sempre com muito trabalho".

Participaram da abertura do evento cerca de 15 mil pessoas no Estádio Mané Garrincha. A Marcha reúne mulheres trabalhadoras rurais de todo Brasil e, nesta edição, tem um tema especial: a defesa da democracia no Brasil.

 Fonte: Portal Brasil
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