15 de out de 2015

Exército de Israel inicia bloqueios em Jerusalém Oriental

Mais de 600 soldados começam a controlar acessos a bairros árabes da cidade, epicentro da onda de violência que elevou temores de uma nova Intifada. 
Organizações humanitárias denunciam abusos contra população palestina.

O Exército israelense começou nesta quarta-feira (14/10) a instalar postos de controle em bairros de Jerusalém Oriental, medida determinada pelo governo Benjamin Netanyahu em meio à onda de violência que, só nas últimas duas semanas, deixou sete judeus mortos e dezenas de feridos.

A maioria dos ataques aconteceu em bairros árabes de Jerusalém Oriental, com seu ápice na última terça-feira. Neste dia, três israelenses morreram e 20 ficaram feridos em quatro diferentes atentados, a maior parte a facadas, por parte de palestinos. A onda de violência é considerada a maior desde a Segunda Intifada (2000-2005).

As medidas definidas pelo gabinete de segurança de Netanyahu, em reunião de emergência ainda na terça-feira, preveem tabém a cassação dos direitos de residência e a demolição da casa de responsáveis por ataques e de suas famílias, além do reforço da segurança no transporte público.

Diferentemente do que acontece na Cisjordânia, palestinos em Jerusalém Oriental podem viajar em Israel sem restrições. O território foi anexado após a Guerra dos Seis Dias (1967), em uma ação não reconhecida internacionalmente.

Ao todo, seis companhias do Exército, totalizando cerca de 600 soldados, se somaram à mobilização de milhares de reservistas da polícia de fronteiras e de uma brigada paramilitar. O principal objetivo será vigiar as estradas e pontos sensíveis da barreira que começou a ser construída entre Israel e Cisjordânia após a Segunda Intifada.

"O Exército receberá instruções para destacar unidades em áreas sensíveis ao longo do muro de segurança de forma imediata", anunciou o governo, que também ordenou que se acelere a construção do muro ao longo das colinas ao sul de Hebron, cidade na Cisjordânia ocupada por Israel desde 1967.
A ONG Human Rights Watch e outras organizações humanitárias advertiram que o bloqueio em Jerusalém Oriental constitui sérios abusos contra a população palestina, ao restringir sua liberdade de circulação.

RPR/dpa/ots
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