17 de dez de 2015

“Não vai ter golpe”, garantiram os manifestantes em Brasília

Foto Joaquim Dantas
Foto Joaquim Dantas
O som da Bateria Democrática e Socialista acompanhou o tom das palavras de ordem que puxaram a grande marcha que encheu as ruas de Brasília, na noite desta quarta-feira (16), contra o golpe e o ajuste fiscal e pelo #ForaCunha. 
Milhares de pessoas saíram do estádio Mané Garrincha, após a solenidade de abertura da 3ª Conferência Nacional da Juventude, em marcha até o Congresso Nacional, gritando “Não vai ter golpe”. 

Por Márcia Xavier

Mas não foram só os jovens que participaram da marcha – crianças, adultos e idosos, vestidos de vermelho, portando faixas, balões – e com a voz  fizeram coro a todas as outras manifestações que aconteceram durante o Dia Nacional de Luta contra o impeachment, realizado em todo o país, nesta quarta-feira.

O pedido de cassação do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dividiu, com a defesa da democracia, os pedidos dos manifestantes na marcha. “Ai, ai, ai, ai, empurra o Cunha que ele cai”, cantavam. Na avaliação dos organizadores da Marcha, Cunha é o principal articulador do golpe contra a presidenta Dilma, contra quem não há nenhuma comprovação de crime praticado.

O impeachment, sem base jurídica, motivado por razões oportunistas e revanchistas do presidente da Câmara, é um atentado contra a democracia brasileira, disseram em discursos os organizadores da marcha. Atos idênticos aos decretos de Dilma que agora são questionados foram aprovados normalmente nas contas dos governos Lula e FHC.

Convocada por movimentos sociais, estudantis, sindicatos, partidos e entidades da sociedade civil, a marcha também criticou a atual política econômica implementada pelo governo federal. As entidades que organizam o ato têm lutado desde o início do ano contra a imposição do ajuste fiscal, que tem aprofundado no país as consequências da crise econômica mundial e gerado desemprego, cortado investimentos sociais e retirado direitos dos trabalhadores.

Em marcha por direitos
Berenice Darc, 41 anos, professora, de Brasília, disse que estava na marcha por acreditar que “essa marcha é um grande espaço e importante momento para a população do Distrito Federal mostrar da importância da democracia e a valorização do voto do povo brasileiro. As urnas disseram que nós elegemos uma mulher presidente e não é através de golpe que vão tirar o valor do nosso voto”.

Ela, a exemplo dos outros manifestantes, afirmou que não é só em defesa da presidenta Dilma que marchavam, mas em defesa de um projeto de Estado democrático. “Queremos garantir os espaços que conquistamos, saímos da invisibilidade – as minorias, nós queremos avançar e não retroceder.”

Amanda Specht, 20 anos, estudante, do Rio Grande do Sul, disse que participava da marcha pelos trabalhadores e pela juventude. “Dar apoio à galera. E à presidenta Dilma contra o impeachment.”

Paulo César Ramos, 63 anos, agricultor, na Cidade Ocidental, no entorno de Brasília, disse que participava da marcha “em defesa dos nossos direitos e do governo que conseguimos democraticamente eleger. Os direitos que estão garantidos por esse governo e eles querem tomar na marra”, disse, lamentando que nem todos que queriam participar tenham conseguido ir à marcha. “A grande maioria dos brasileiros queria estar aqui com a gente.”




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