25 de abr de 2016

Le Monde admite ter ignorado parcialidade da mídia brasileira

Reuters
Na edição antecipada de domingo (24), o mediador entre os leitores e a redação do vespertino francês Le Monde, Franck Nouchi, faz a seguinte pergunta: "Le Monde foi parcial na cobertura da crise política brasileira?"
O questionamento foi feito depois do jornal ter recebido dezenas de cartas de brasileiros e franceses vivendo na França e no Brasil. O jornal cita a carta, que elogia como muito bem argumentada, de quatro brasileiras residentes em Paris,"movidas pela consciência do impacto que o Monde tem sobre a opinião pública". No texto, elas perguntam por que Le Monde escolheu a parcialidade para abordar a crise política brasileira ao invés de indagar, abordar novos ângulos... e não seguir o coro uníssono da grande mídia brasileira.

Na mesma linha, Le Monde também levou em consideração o correio de um outro grupo de ex-exilados políticos brasileiros da França e da Bélgica, que interrogam por que não foram feitas reportagens mais balanceadas com personalidades de destaque como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros nomes, sobre suas razões para se posicionarem com tanta firmeza pela democracia. Na contramão, é citado somente um leitor que elogia diversos artigos e o ombudsman defende as coberturas de algumas matérias.

Parcialidade das mídias brasileiras é reconhecida
No entanto, reconhece e lamenta que o editorial de 31 de março, intitulado"Brésil: ceci n'est pas un coup d'Etat" (Brasil: isto não é um golpe de Estado, em tradução livre), não tenha sido equilibrado, em especial por ter omitido que os apoiadores do impeachment são acusados de corrupção, a começar por Eduardo Cunha, presidente da Câmara, assim como por não ter abordado suficientemente a parcialidade da imprensa  nacional. Nesse contexto, o mediador lembra um dossiê completo publicado em janeiro de 2013 pela ONG Repórteres Sem Fronteiras, que chamava o Brasil de "o país dos 30 Berlusconi"*, lembrando que os dez principais grupos econômicos, familiares, dividem o mercado da comunicação de massa.


Finalizando, o jornal admite que o ideal teria sido enviar um jornalista de Paris para apoiar sua correspondente em São Paulo, Claire Gatinois, para relatar com mais profundidade as fraturas sociais da população, reveladas durante a crise.

* referência ao ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, dono de um império midiático na Itália.

do RFI
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