25 de abr de 2016

Norbert Hofer, líder da extrema-direita austríaca, pode virar presidente

O candidato do partido da Liberdade austríaco, FPO, Norbert Hofer.
REUTERS/Heinz-Peter Bader
Quem é Norbert Hofer, líder da extrema-direita austríaca que pode virar presidente
A classe política austríaca acordou de ressaca nesta segunda-feira (25) com a vitória do candidato Norbert Hofer, de extrema-direita do FPO (Partido da Liberdade) no primeiro turno das eleições presidenciais no país. Ele obteve mais de 36% dos votos, que a mídia local classifica de “tsunami político”.

Hofer é um engenheiro de aviação que cresceu em Burgenland, região pobre próxima da fronteira com a Hungria. Sua ascensão fulgurante se deu, em parte, pelo desgaste dos velhos representantes da extrema-direita local. Aos 45 anos, Hofer encarna o desejo do movimento conservador de atingir uma camada mais jovem da população, com um discurso mais pseudo-moderado e menos radical -pelo menos nas aparências. Essa nova estratégia se aparenta à utilizada pelo Frente Nacional francês e sua presidente, Marine Le Pen, que não deixou de parabenizar Hofen e os “amigos” do FPO no Twitter.

“Seu discurso de campanha foi extremamente moderado”, diz Dany Leder, correspondente do jornal austríaco Kurier em Paris. Segundo ele, essa postura associada à crise migratória resultou no sucesso de Hofer nas urnas. “A Áustria recebeu 100 mil imigrantes para 8 milhões de habitantes”, explica o correspondente. “O país deve gerenciar a chegada de milhares de imigrantes por dia em suas fronteiras.  Em um determinado momento seria necessário botar ordem nisso. Esse é um ponto de vista compartilhado por todos os partidos, incluindo a direita radical”, diz.

Entre as propostas do candidato, está a dissolução do Parlamento caso a maioria não seja favorável a suas medidas contra a imigração clandestina. Neste sentido, um discurso contra a imigração, personificado por um candidato mais liberal, caiu como uma luva. A título de comparação, nas últimas eleições presidenciais, em 2010, a candidata Barbara Rosenkranz, que nunca escondeu sua proximidade com os partidos neonazistas, obteve apenas 15,6% dos votos.

Duelos de espadachim clandestinos
Hofer, que se tornou conhecido há pouco tempo, age nos bastidores do partido há décadas. Filiado ao FPO há 22 anos, ele se manteve durante todos esses anos ao lado de Heinz Christian Strache, chefe do movimento, subindo pouco a pouco na hierarquia da legenda. Nem mesmo ele esperava ter verdadeiras chances de se tornar o futuro chefe de estado do país.

De longe, Hofer parece um sujeito normal: vice-presidente do Parlamento, ele é casado, pai de quatro filhos, calmo e gentil, e em nada lembra o comportamento agressivo habitual em seus companheiros de legenda. Pelo contrário: em 2003 ele foi vítima de um grave acidente de parapente que deixou sequelas, e anda com dificuldade. Um detalhe que destoa da imagem do líder forte, fisicamente perfeito, cultuado pelos militantes de extrema-direita e herdada da tradição militar, lembra o jornal francês Le Monde. Isso não o impediu, entretanto, de manter seu hobby favorito: Hofer é membro de uma corporação de estudantes, “Marko-Germania”, que ainda pratica duelos de espadas clandestinos, sem proteger o rosto.

do RFI
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