6 de jun de 2016

A sociedade sempre condenou a mulher por sexo

Que cultura do estupro que nada, a sociedade sempre condenou a mulher por sexo
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

Ultimamente o que mais tem se falado é sobre o combate à cultura do estupro no Brasil, mas o que deveríamos estar discutindo é sobre a condenação que a mulher sofre, pela sociedade sobre o sexo, ou os assuntos relacionados a ele.

Veja a conduta do delegado que interrogou a jovem que foi estuprada por mais de 30 homens no Rio de Janeiro, qual foi uma das perguntas que ele fez a jovem? Se ela tinha o hábito de praticar "sexo em grupo"...

Outro dia presenciei um diálogo sobre esse fato em que uma mulher afirmava que a jovem "teve não o que merecia, mas o que procurou". Quando uma pessoa faz uma afirmação como essa, no fundo, está tendo o mesmo olhar do estuprador, seja pelo local em que a vítima frequente, pelas roupas que ela use, ou coisa que o valha.

Muitas pessoas não gostam de falar sobre cultura do estupro porque cultura envolve toda a sociedade e nem todos querem assumir a sua parcela de responsabilidade sobre o tema. O que esta parcela da sociedade defende é mai rigor na da Lei e na punição para os estupradores, o que não vai diminuir os casos, mesmo porque a nossa legislação já é bastante rigorosa sobre o assunto.

Precisamos sim, é que as instituições mudem a forma como acolhem os casos de estupro, as mulheres tem que ser recebidas como vítimas, incondicionalmente.  Para a antropóloga Alba Zaluar, "cada vez que um caso de violência contra a mulher passa em branco, nós vamos ter um recrudescimento de estupros. Quando há uma condenação, temos uma diminuição. Ao mesmo tempo, a existência de uma instituição que ouve e acolhe a mulher faz com que mais mulheres procurem as delegacias para registrar queixas", defende a antropóloga.

Segundo ainda a antropóloga, a chamada cultura do estupro não envolve apenas a violência masculina, o silêncio da mulher, principalmente nos casos ocorridos em família, faz do estupro um dos casos mais subnotificados.

O momento em que se acolhe uma mulher vítima desse tipo de violência é fundamental. A antropóloga alerta que "essa mulher já vem morrendo de vergonha, sentindo-se censurada pelo o que aconteceu, se sente de alguma maneira culpada, acha que as pessoas a estão vendo como culpada", diz. "A maneira como a mulher que vai se queixar é recebida na delegacia tem que mudar, e também temos que ter serviços de atendimento à mulher, porque ela fica traumatizada", referindo-se a um tipo de serviço continuado à mulher, pós violência. 
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