9 de out de 2016

Força Tática leva tensão a ocupação de escola no centro de São Paulo

Foto Joaquim Dantas/Arquivo
Foto Joaquim Dantas/Arquivo
Ao todo, 61 escolas estão ocupadas no país, contra a MP que reforma o ensino médio; o PR é o estado com mais ocupações: 50 escolas estaduais. Em seguida vem o RN, com 4 colégios federais
por Cida de Oliveira, da RBA

São Paulo – Estudantes secundaristas do Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, São Paulo e Rio Grande do Norte ocupam um total de 61 escolas estaduais e federais contra a Medida Provisória (MP) 746 que reforma o Ensino Médio. Até quinta-feira eram 34. Os dados foram atualizados hoje (8) pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

Na noite de ontem (7) foi ocupada a Escola Estadual Caetano de Campos, no centro da capital paulista. Na tarde deste sábado, a Força Tática se posicionou na frente da escola e os estudantes manifestaram sua união em jogral para resistir. O clima tenso poderia se acirrar se a PM promovesse a reintegração, mesmo sem mandado.

Um policial informou ao Jornalistas Livres que não se tratava de reintegração. Disse apenas que estaria aguardando orientação da diretoria da escola e que a tropa estaria ali para garantir o acesso da direção da escola às suas dependências, para negociar o fim da ocupação. Por volta de 19h30, os estudantes decidiram terminar a ocupação para evitar confronto com a polícia, mas na segunda-feira (10) voltarão a se reunir para decidir os rumos da mobilização, se retomarão a ocupação da escola ou não.

De autoria do Ministério da Educação (MEC), a MP anunciada no último dia 22, desobriga o ensino de Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física, tornando-as matérias optativas. Além disso, fragmenta o ensino, permitindo que os estudantes, optem por disciplinas do núcleo comum ou técnico-profissionalizantes.

Para estudantes, professores e movimentos em defesa da educação nacional pública e de qualidade, a MP dialoga com outras medidas do governo Temer em andamento no Congresso, como a PEC 241, que congela investimentos da União, afetando saúde e educação. E também com outras propostas conservadoras, como a da Escola sem Partido, que busca abolir o debate dentro da escola.

É por todas essas razões, conforme estudantes do campus Zona Norte do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, na capital Natal, que o prédio está ocupado desde a noite do último dia 28, após deliberação por toda a assembleia. A ocupação simbólica, que não enfrentou resistência da gestão, consiste no pernoite de cerca de 30 estudantes em uma das salas. A administração continua funcionando normalmente, assim como as aulas continuam sendo ministradas.

O que muda, segundo o aluno do período do curso integrado de eletrônica, Junior Miranda, de 17 anos, é que os professores liberam as turmas para participação dos debates que estão sendo promovidos. E que a escola está aberta para toda a comunidade.

"Temos feito debate para esclarecer sobre os projetos em andamento, como a PEC 241, que afeta o ensino. São informações que a população não recebe, que não entende. Temos visto pessoas com graduação, que ainda não haviam entendido o conteúdo dessas medidas", conta o estudante.

Júnior conta que normalmente passa o dia todo e parte da noite na escola, estudando e participando de outras atividades. "O campus tem dez anos e vem dessa ampliação do governo Lula. Antes não tínhamos escolas como essa, que mudou a vida da comunidade e valorizou o bairro, que ganhou importância. Temos colegas aqui que já participaram de mostras estudantis em Portugal, França, Romênia, para apresentar os projetos que desenvolveram aqui. Muitos alunos têm bolsa de iniciação científica e ajuda para o transporte e alimentação. Se não fosse a escola, como seria a vida desses estudantes?", questiona.

Conforme o secundarista, o orçamento para o ano que vem é menor que o aplicado em 2014, quando havia menos alunos que atualmente. "Como manter a escola funcionando em manter o auxílio-permanência a esses alunos que necessitam? A demanda é grande mas a escola é a salvação para os estudantes, o ensino é libertador, muda as realidades. É para melhorar a qualidade da educação pública que estamos ocupando. Não podemos permitir que nos tirem essa conquista", diz. "A palavra de ordem é: se a PEC passar, o país vai parar. E vai. A luta é para manter e ampliar direitos".
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