14 de mar de 2017

Ônibus e Metrô param em SP

Mobilização contra reforma da Previdência proposta por
Temer terá Lula em São Paulo, no ato das
frentes populares, na Avenida Paulista
PEC 287
Ato em SP contra a reforma da Previdência terá Lula na Paulista. Ônibus e metrô param
Ônibus municipais e intermunicipais da região metropolitana, metrô, escolas municipais e estaduais, unidades de saúde, bancos e correios vão paralisar atividades pela mobilização

por Rodrigo Gomes, da RBA

O Dia Nacional de Mobilização e Paralisação contra a reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer, que ocorre amanhã (15) em todo o país, terá a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ato político que começa às 16h, na Avenida Paulista, região central da capital paulista. A informação foi confirmada em coletiva de imprensa dos movimentos sociais e centrais que organizam o ato. As mobilizações terão início pela manhã, com paralisação de várias categorias, dentre elas, ônibus municipais e intermunicipais da Região Metropolitana de São Paulo (capital, ABC, Guarulhos, Mogi das Cruzes), Metrô (exceto Linha 4-Amarela), escolas municipais e estaduais, unidades de saúde, bancos, correios e poder judiciário.

“Esse governo não tem legitimidade para fazer isso (as reformas). Esse projeto não foi eleito. Os financiadores do golpe queriam exatamente isso. As reformas da Previdência e trabalhista só melhoram as coisas para os lucros dos empresários. Vai ser a desgraça da classe trabalhadora”, afirmou o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo. Para ele não há nenhuma possibilidade de diálogo quanto à proposta. “Não há possibilidade de melhorar o projeto. Ele é péssimo para o povo brasileiro e precisa ser retirado”, completou.

Um dos principais pontos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, que define a reforma da Previdência, é que seja estabelecida idade mínima de 65 anos, eliminando a concessão do benefício por tempo de serviço. O valor da aposentadoria, de acordo com o projeto, passará a ser calculado levando-se em conta 51% das maiores contribuições com 1% adicionais a cada ano de contribuição. Na prática, isso faz com que seja necessário trabalhar formalmente por 49 anos para se obter o benefício integral.

Os trabalhadores também ressaltaram que o argumento do governo Temer sobre o déficit na previdência é falacioso, já que desconsidera que o orçamento da Seguridade Social contempla previdência, assistência social e saúde, e não apenas o pagamento benefícios previdenciários. Outra ponto é que há muitas desonerações aplicadas pelo governo federal que reduzem o montante arrecadado pela previdência, além de dívidas de sonegação da ordem de R$ 487 bilhões  que o governo Temer não propõe cobrar.

Para o coordenador da Frente Povo Sem Medo e secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, o que o governo Temer propõe não é uma reforma. “O que eles querem é liquidar os direitos para ampliar o lucro dos empresários. Querem transformar a previdência em um produto privado, comercializado pelos bancos. Vão deixar a população mais vulnerável, sem apoio nenhum. Indígenas, trabalhadores rurais, quilombolas e muitos moradores das periferias não vão ter condições de bancar uma previdência privada”, afirmou.

Algumas categorias pretendem fazer paralisações durante todo o dia 15, como bancários, metroviários – que ainda vão realizar assembleia às 18h30 de hoje (14) – e professores. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) já havia proposto paralisação neste dia e, portanto, outras cidades pelo país também terão greve de docentes. Os professores municipais de São Paulo vão realizar assembleia em frente à sede da prefeitura, no centro da capital, e os estaduais vão se manifestar em frente à Secretaria da Educação, na Praça da República. A categoria estima que um milhão de docentes vão parar suas atividades em todo o país.

Outros profissionais devem cruzar os braços somente por uma parte do dia, como os motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista, que anunciam parar 100% da frota da meia-noite até as 8h. Os ônibus municipais e intermunicipais de Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano, Mogi das Cruzes e Santa Izabel também não vão operar pela manhã.  Categorias de servidores nacionais da educação básica, profissional e tecnológica, do Poder Judiciário, de autarquias e de empresas públicas também vão parar por 24 horas.

Também são esperados protestos espalhados pela cidade e travamento de vias e rodovias. Coordenador da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim destacou que todas as capitais e muitas outras cidades terão mobilizações amanhã. "Tenho convicção de que uma forte pressão, começando amanhã, pode refletir na posição dos deputados. O governo Temer vivencia uma crise econômica e social, está ameaçado de cassação, tem baixa popularidade e está atolado em esquemas de corrupção. O povo na rua vai fazê-los retroceder”, afirmou.


São Paulo (capital)
16h - Avenida Paulista - Masp

- Paralisação das agências bancárias 
- 14h - Assembleia da Apeoesp, na Praça da República, com caminhada até o Masp
- 14h - Assembleia Simpeem, em frente à Prefeitura de São Paulo, com caminhada até o Masp
- Paralisação do quarteirão da Saúde, no Metrô Clínicas, com caminhada até o Masp
- Paralisação dos estudantes e professores de direito da Faculdade São Francisco com caminhada até o Masp
- Arrastão dos Blocos sairá da Praça Roosevelt até o Masp

Matão
5h - Panfletagem dos metalúrgicos
10h – Ato em frente ao INSS
19h – Audiência pública sobre a reforma da Previdência

Piracicaba
9h - Praça José Bonifácio em frente ao Poupatempo

Ribeirão Preto
Ato público em Frente ao Teatro Pedro II

São José do Rio Preto
17h - ato em frente ao Terminal Rodoviário

Acre (Rio Branco)
8h – Ato público com concentração no Palácio Rio Branco
Paralisação dos vigilantes, correios, educação, saúde, polícia civil

Alagoas (Maceió)
10h – Praça dos Martírios

Amapá (Macapá)
15h - Ato em frente à Companhia de Água e Esgoto do Amapá em protesto contra a privatização das empresas públicas, depois caminhada até o ato unificado, na Praça Veiga Cabral, no centro da capital

Bahia (Salvador)
7h – Manifestação no Iguatemi
15h – Ato unificado com passeata no Campo Grande

Brasília
9h – Ato público Catedral – Esplanada dos Ministérios

Ceará (Fortaleza)
8h - Passeata no centro da cidade com concentração na Praça da Bandeira

Espírito Santo (Vitória)
7h - concentração na Praça de Goiabeiras com caminhada até o Aeroporto

Goiás (Goiânia)
9h - concentração na Praça Deodoro com caminhada e ato em frente ao prédio da Previdência, no Parque Bom Menino

Minas Gerais (Belo Horizonte)
10h – Ato na Praça da Estação

Pará (Belém)
9h - Ato público na Praça da República

Paralisação dos correios, bancários e acampamento no aeroporto de Belém

Paraíba (João Pessoa)
16h – Ato em frente ao escritório do Ministério da Previdência com passeata pelo centro

Paraná (Curitiba)
9h – Ato público na Praça Tiradentes 
Paralisação da educação, servidores federais e municipais de Curitiba

Pernambuco (Recife)
9h - Ato político na praça Oswaldo Cruz

Piauí (Teresina)
9h -  Ato público em frente à Assembleia  e audiência pública sobre a reforma da Previdência

Rio de Janeiro
16h – Ato unificado na Candelária

Rio Grande do Norte (Natal)
14h – Ato público na Praça Gentil Ferreira

Rio Grande do Sul (Porto Alegre)
18h – Esquina democrática

Rondônia (Porto Velho)
9h - Ato e passeata com concentração na Praça Estrada de Ferro Madeira Mamoré
Fechamento das principais agências do INSS

Roraima (Bela Vista)
8h - Ato público na Praça do Centro Cívico

Santa Catarina (Florianópolis)
16h – Ato público na Praça Miramar

Sergipe (Aracaju)
14h – Praça General Valadão

Tocantins (Palmas)
8h – Ato público com concentração na Rotatória do Colégio São Francisco
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