8 de abr de 2017

Não é um país, é uma suruba

Não é um país, é uma suruba. Não tem governo, tem gerência de prostíbulo, e de quinta categoria, de beira de estrada
Está em fase de conclusão um filme sobre a Lava Jato, na verdade uma ficção que tenta fazer de uma figura menor, o Juiz Sérgio Fernando Moro, de primeira instância, subordinada a todo o sistema judiciário, um herói de grande dimensão, e se desqualificar, transformando em bandido, um ex-presidente da república, estadista de reconhecimento internacional.

Fosse um filme produzido por um cineasta independente, com financiamento de fonte conhecida e já seria, em si, reprovável, mas quando se percebe que a fortuna envolvida veio de fontes obscuras possivelmente internacionais, provavelmente dos patrões dos interessados no filme, com o uso do aparelho de Estado brasileiro, de maneira quase oficial, o crime ultrapassa a condição de político para ter base no código criminal, com aval de um juizeco de quinta categoria, marionete de quem lhe paga.

A polícia federal cedeu homens para a figuração, roupas de camuflagem, armas e veículos, inclusive helicóptero, queimando combustível e desviando de função funcionários públicos sustentados pelo povo brasileiro.

Moro, a título de “pintar” a carceragem da Gestapo de Curitiba, fechou as suas instalações e pôs a carceragem à disposição da equipe de filmagem e atores, para que fizessem “laboratório”, observando os presos políticos como se observa animais nos zoológicos, ferindo o direito de privacidade dos presos, desrespeitando os direitos humanos.

Vedete extremada, Moro trancou-se com o ator que vai representá-lo, para que o ator lhe observasse o jeito e os trejeitos, algo indigno de um juiz, ainda que amador, profissionalizado por necessidade do sistema.

O cidadão brasileiro pagou translado de atores e equipe, estadias, refeições em restaurantes de luxo... Justo no momento em que o governo afirma não ter dinheiro sequer para comprar papel higiênico para as escolas e hospitais, em que pese os diários banquetes palacianos, onde se faz a corretagem da venda do país e da subtração dos direitos do povo trabalhador.

Para mais aumentar a ignomínia e a infâmia, o despropósito de bandidos, serão usadas, no filme, cenas reais da prisão e condução coercitiva do presidente Lula.

Para melhor desvendarmos o caráter do togado rábula curitibano, vamos ao seu despacho, quando ordenou a condução coercitiva de Lula: “NÃO deve ser utilizada algema, e NÃO deve, em hipótese alguma, ser filmado ou, tanto quanto possível, permitida a filmagem do deslocamento do ex presidente para a colheita do depoimento”.

E aqui duas ressalvas: 1) os NÃOS em caixa alta (maiúsculas) são do próprio Moro, realçando a sua ordem e: 2) ao mesmo tempo que redigiu e expediu esta ordem, hipocritamente comunicou à tevê Globo o que aconteceria, para que ela fizesse a cobertura, como fez.
Com base nesse despacho, os advogados de Lula foram até Moro, para pedirem o seu cumprimento, impedindo que as cenas fossem usadas no filme.

O honrado e coerente juiz, também em despacho, afirmou que não iria exercer função censória.

Vejamos se entendi: um juiz ordena uma condução coercitiva, com ordens expressas e ressaltadas que são proibidas filmagens, a mídia filma, a polícia federal filma, essas imagens passam a fazer parte de um uma película comercial, a defesa do conduzido reclama do juiz que não estão cumprindo as suas ordens, pedindo que ele as faça cumprir, e o nobre juiz afirma que não é censor?

Pouparei adjetivos, para não ser preso.

Uma situação dessas num país onde houvesse um judiciário funcional e não atrelado a golpes e negociatas, um executivo presidido por mais que um anão moral, sem escrúpulos e sem votos, seria inimaginável, mas estamos no Brasil.

Como o filme será exibido num país de telespectadores de BBB, Datenas, Hucks e Faustões, onde a capacidade de discernimento é miúda e maturidade política é nula, o estrago será grande.

Nas redes sociais começa a se ensaiar um movimento de resistência à exibição do filme, com atos de vandalismo nos cinemas em que estiver sendo exibido.

Pacifista por princípio, reluto em aderir, mas com a consciência de que será difícil eu resistir, não estão nos deixando outra alternativa.

Francisco Costa
Rio, 06/04/2017.
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