16 de out. de 2012

Lula e Gilmar, uma história sem pé nem cabeça.


Lula e Gilmar, uma história sem pé nem cabeça.

Por adrianomm.blogspot

O conto de fadas que a revista Veja, com o perdão da má palavra, publicou neste fim de maio, consegue ter menos sentido que filme B de sessão da tarde. Trata-se da maior bobagem publicada contra o governo desde a história dos dólares de Cuba.
Pelo que consta no semanário, o ministro do supremo Gilmar Mendes teria sido chantageado por Lula para que adiasse o julgamento do mensalão. Parece piada, mas não é.
A tentativa de chantagem teria ocorrido, verifique o tempo do verbo, em um encontro ocorrido há mais de um mês no gabinete do ex-ministro Nelson Jobim.
Como a maioria dos "escândalos" publicados por Veja, este é mais um factoide que pode ser destruído usando apenas a lógica. Só mesmo alguém que acredite no Harry Potter poderia em sã consciência achar que o presidente Lula, com mais de 30 anos de política, tentaria chantagear Gilmar em frente a uma testemunha.
Além disso, se Lula quisesse interferir no julgamento do mensalão, não seria mais inteligente que ele pedisse favores aos seus indicados no supremo. O ex-presidente indicou 6 dos 11 ministros do supremo, ou seja, a maioria deles.
A ideia de que Lula procuraria Gilmar, indicado por FHC e claramente oposicionista, para pressionar a ajudá-lo é totalmente ridícula. Seria o mesmo que tentar treinar um lobo para proteger o galinheiro. Seria como instalar um vírus no computador para resguardar suas senhas. Uma idiotice que assustaria pela mediocridade, não fosse ter sido publicada por Veja.
Lula já emitiu nota negando tudo, Jobim estava no encontro e também já desabonou a versão fantasiosa de Gilmar. Não dá para entender como ainda tem gente que cai nesta historinha da oposição.
Gilmar está mesmo é encrencado por suas ligações com o bicheiro Cachoeira. Diz-se, à boca pequena, que o ministro do supremo teria utilizado o jatinho particular de uma das empresas do contraventor, tamanha intimidade que havia entre eles. Também se sabe que os comparsas de cachoeira frequentemente usavam a expressão "Gilmar mandou subir", para indicar que haveria facilidade quando os pedidos chegassem ao supremo.
Também é estranho o fato do ministro ter resolvido denunciar o ocorrido apenas um mês depois da reunião onde foi supostamente chantageado. Esdrúxulo foi ter escolhido a Veja como veículo de suas alegações ao invés de seguir pelas vias judiciais. Tudo isso apenas mostra que o elo Cachoeira-Gilmar-Veja é muito mais forte do que se imaginava.
Mas o ponto alto da história estava por vir nesta última semana quando a empresa Truster Brasil resolveu aproveitar o factoide para promover sua máquina detectora de mentiras. Talvez para o computador não seja tão fácil perceber que Gilmar anda fazendo afirmações com pernas curtas, mas mesmo assim foi possível para o  software indicar "segmentos fraudulentos" e "stress elevado" na entrevista que o ministro deu a GloboNews, onde foi questionado sobre o fato.
Não é a primeira vez que Gilmar é o centro das atenções da Veja. Em outra oportunidade ele se envolveu no escândalo do grampo, onde acusava o governo de ter acesso a seu telefone particular. Mais um factóide, pois o áudio do suposto grampo nunca foi liberado pela revista. A maior prova de que isso não era verdade é que teria sido muito mais fácil descobrir tudo sobre cachoeira muito antes da operação da polícia federal.
Só para terminar, o julgamento do mensalão importa muito pouco para Lula agora. Não há provas que sustentem as acusações e nada de novo em um escândalo que foi muito mais uma briga política. Lula se elegeu e fez seu sucessor na época em que isso ainda dava alguma audiência. Agora é só esperar que a mídia faça o último carnaval com este samba de uma nota só, que só causará algum efeito nos famosos escandalizados colunistas da grande imprensa.

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