23 de jun de 2015

A igreja deve ficar fora da política partidária

Misturar religião com política partidária não convém até para muitos ministros de confissões religiosas

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

Até a eleição do ex-presidente Collor, o discurso de padres e pastores e até de líderes de outras religiões, era o de que os fiéis deveriam se submeter à autoridade constituída, não recomendavam que se fizesse oposição ao Presidente da República e outras autoridades, porque eles estavam ocupando essas posições "pela vontade de Deus".

Claro que esse posicionamento também era uma consequência do regime ditatorial que antecedeu os governos Collor e Sarney, entretanto, baseava-se prioritariamente nas recomendações bíblicas. Por isso, até então, poucos representantes religiosos ocupavam qualquer cargo eletivo mas, quando perceberam que poderiam usar o capital político (e financeiro) das suas igrejas para se elegerem e saírem na defesa das pautas conservadoras, houve uma verdadeira corrida ao Eldorado. A igreja entrou definitivamente para a política partidária.

Felizmente, para alguns segmentos cristãos, a igreja deve ficar fora da disputa político partidária. É o que diz Adiel Teófilo, em seu Blog. Confira abaixo o que ele diz ser "os 10 pecados da política nos templos":

Os 10 pecados da política nos templos

1º - EMBARAÇO
Os pastores que atuam na política partidária estão se desviando do seu real chamado, embaraçando-se com negócios desta vida (II Timóteo 2.4), os quais são absolutamente estranhos à vocação ministerial.

2º - AMBIÇÃO
Os líderes que se utilizam da sua posição eclesiástica para ganhar popularidade e conquistar votos, a fim de serem eleitos para cargo político, revelam ambição pelo poder e interesse materialista. Essas atitudes são totalmente contrárias à piedade, virtude peculiar do sacerdócio religioso.    

3º - TRAIÇÃO
Os dirigentes que envolvem a igreja com a política partidária estão traindo os seus rebanhos, quando deveriam protegê-los, principalmente se os acordos políticos são estabelecidos sem qualquer consulta aos membros ou amparo no estatuto da igreja.

4º - DESRESPEITO
Os líderes religiosos que usam o púlpito da igreja para fazer campanha eleitoral estão cometendo grave desvio de finalidade, desrespeitando as pessoas que foram ao templo com o propósito de participar das celebrações, além de submetê-las ao constrangimento de ouvir o que não esperavam escutar naquele local.  

5º - PROFANAÇÃO
Os pastores que autorizam os candidatos e os políticos se sentarem nos locais reservados aos ministros religiosos, principalmente quando não possuem consagração eclesiástica, estão profanando os locais de culto, confundido o sagrado com o profano, misturando o que é de Deus com o que é deste mundo.

6º - OFENSA À LIBERDADE
Os líderes que tentam impor aos fiéis a sua opção partidária ou manifestam apoio político a candidato em nome da igreja, seja em jornal, revista, rádio ou televisão, sem a prévia autorização dos membros, estão ofendendo a liberdade dos fiéis, subtraindo-lhes o direito de fazer suas escolhas de acordo com a própria convicção.  

7º - INCREDULIDADE
Os dirigentes que fazem alianças políticas ou amedrontam o povo, dizendo que a igreja precisa dos políticos para defendê-la das leis injustas, demonstra incredulidade, falta de confiança na Palavra de Deus, pois o Senhor Jesus disse que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja (Mateus 16.18). Deverá então temer o poder legislativo?

8º - INFRAÇÃO DA LEI
Os pastores que fazem ou autorizam fazer campanha eleitoral dentro dos templos religiosos estão cometendo infração, pois essa prática é proibida pelo artigo 37, Parágrafo 4º, da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, que estabelece normas para as eleições. Isso é um péssimo exemplo nessa geração tão corrompida e perversa.

9º - CORRUPÇÃO
Os líderes que vendem os seus rebanhos, solicitando ou recebendo dinheiro dos candidatos, dádiva ou qualquer outra vantagem, como promessa de empregos públicos, estão cometendo crime de corrupção eleitoral, previsto no artigo 299, da Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965, que institui o Código Eleitoral.

10º - HIPOCRISIA
Há candidatos que durante a campanha se passam por crentes fiéis ou homens piedosos, entretanto depois que passa a eleição eles desaparecem, não voltam à igreja e se comportam como se Deus não existisse. O dirigente que tolera isso é tão hipócrita quanto quem o pratica.
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