9 de jun de 2015

Ensino superior privado será destaque na nova gestão da UNE

Foto Joaquim Dantas
A nova presidenta da UNE, Carine Vitral,
ao lado do diretor do SINPRO/DF, Jairo Mendonça
O ensino superior privado terá mais destaque nas pautas da União Nacional dos Estudantes (UNE), segundo a presidenta recém-empossada, Carina Vitral.
Estudante de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Carina diz que defenderá maior regulamentação e qualidade das instituições particulares, além de lutar por mais transparência em programas do governo, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

"Educação é um bem público, e se é explorada pela iniciativa privada, precisa ter regras claras e regulamentação", diz a estudante. Aproximadamente, 74% dos estudantes do ensino superior estão matriculados em instituições privadas. Para ela, isso está mudando também a cara do movimento estudantil. "A sociedade tem ideia de que o movimento estudantil existe só nas [escolas] públicas, mas isso mudou muito. Hoje, as [instituições] privadas têm diretório dos estudantes, empreendem lutas contra o aumento de mensalidades, por mais direitos, contra as disciplinas a distância em cursos presenciais etc."

Carina tem 26 anos e foi presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) nos últimos dois anos. Com Carina na presidência, a UNE permanece sob a direção da União da Juventude Socialista (UJS), braço juvenil do PCdoB, que está à frente da entidade, sem interrupções, desde a gestão de Lindberg Farias, de 1992 a 1993.
A estudante foi eleita no 54º Congresso da UNE, que terminou ontem (7) em Goiânia. Ela obteve 2.367 votos, equivalentes a 58,14% do total de 4.071 votantes. A estudante sucede a pernambucana Vic Barros na condução da entidade. É a primeira vez que a UNE tem duas presidentas consecutivas.

Entre as pautas da UNE, está o Fies, programa que foi alvo de cortes este ano. Carina diz que a UNE defende uma segunda edição, ainda em 2015, com maior transparência quanto às vagas disponíveis. O Fies financia, a juros baixos e condições mais vantajosas que as de mercado, matrículas no ensino privado. Aproximadamente 1,9 milhão de estudantes são beneficiados. Outros 252 mil ingressaram no programa este semestre. O Ministério da Educação ainda não confirmou se haverá segunda edição do programa neste ano.

Junto com a garantia de vagas, a entidade busca também mais qualidade no ensino superior. Uma das formas é a aprovação do Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (Insaes) pelo Congresso Nacional. O projeto de lei, de 2012, tramita na Câmara dos Deputados. "A UNE apoia a aprovação dessa espécie de agência reguladora capaz de fiscalizar, na ponta, as universdiades, multar e fechar as que não têm qualidade", diz a presidenta.

Carina destaca ainda que a UNE é contrária à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, prevista em uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que tramita na Câmara dos Deputados, e a favor de uma reforma política, com maior participação da sociedade, que acabe com o financiamento privado de campanha, "a raiz da corrupção", diz.

A entidade critica ainda o contingenciamento de recursos da educação, ciência e tecnologia. A educação está entre as pastas com os maiores contingenciamentos: serão cortados R$ 9,423 bilhões. "O Brasil precisa voltar a crescer, e o ensino superior tem íntima ligação com o conhecimento que o país precisa. Investir na educação e na juventude é investir no potencial de crescimento do país", destacou a estudante.

da Agência Brasil
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