5 de jun de 2015

Perfumado e Indignado - por Iberê Lopes

- Eu escuto vozes fascistas! 
- Com que frequência?
- Infelizmente, o tempo todo.
Claro que esta ideia foi provocada pelo mais recente caso de aberração intolerante visto em nosso Brasil. O pastor M resolve, num átimo de insanidade, dizer aos seus delirantes fiéis para não se perfumarem com produtos da Boticário.

De Brasília
Iberê Lopes
Para o Blog do Arretadinho

O risco apontado pelo enviado não sei de onde: que a sociedade brasileira pode, após alguns borrifos de qualquer fragrância da marca citada, ficar alegre demais, colorir o mundo de amor e espalhar a doutrina gayzista bolivariana pelo planeta. Isto é, depois de livre das amarras protestantes, nunca mais precisará dos serviços pastorais para ser salva de nada.

Afinal, quem quer mesmo ficar livre do amor?

Outro exemplo clássico de que estamos - apenas alguns, ainda - infectados pela intolerância, vem dos ventos separatistas de alguns sulistas. É o nosso boçal "jornalista de emboscada", como se intitula Daniel Barbosa.

O filhote da paranoia direitista, que nem deve saber a diferença entre direita e esquerda, vestido em uma farda do B.O.P.E., aborda um frentista haitiano e começa um interrogatório lunático sobre a sua tarefa militar de implantar um golpe comunista em terras tupiniquins. Óbvio que na mira intelectualmente frágil de Daniel está a presidenta Dilma. Na cabecinha dele, o trabalhador em questão é um agente preparadíssimo das forças dominantes da esquerda nacional.

Ora, este sim, em minha rasa opinião, precisa ser salvo por alguém! Ei Malafaia, adote esta pobre alma que vaga pelo planeta num transe conspiratório.

Falando nisso, lembrei de mais duas histórias que circulam nas redes e merecem a indignação de cristãos, baianos e troianos.

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Primeira: nosso querido Roger Waters (Pink Floyd - aquela banda que bradava a humanidade que derrubasse os muros da formatação infantil nas escolas) pediu encarecidamente aos cantores Gilberto Gil e Caetano Veloso que não se apresentassem em Israel. Motivo: o Estado sionista é responsável pela morte de milhares de palestinos, incluindo aí mulheres, crianças e idosos para dominar e se apossar de um pedaço de terra.

Eu sei, o conflito não é tão simples de ser explicado. Só vale lembrar, ao silêncio dos artistas brasileiros, que ano passado (2014) escolas e unidades da ONU (Organização das Nações Unidas) foram bombardeadas criminosamente por Israel.

Quer mais alguma razão para não realizar um show por lá?

Segunda e última historinha grotesca: o governo do Distrito Federal vem fechando bares em nome do Senhor. É, pode parecer um absurdo o que digo. Atente para os fatos neste relato meu. Como, em sã consciência, um café com música de qualidade pode afetar a vida pacata de moradores do Plano Piloto (área central de Brasília) e uma Igreja que cultua Jesus em níveis ensurdecedores não recebem o mesmo tratamento por parte das autoridades.

Pasmem, para respeitar a ordem do silêncio aqui, é preciso não ultrapassar os 50 decibéis permitidos em lei. Se eu colocar uma exclamação nesta frase serei multado! Ops.

Põe na tela: o bar citado acima tem nome, Balaio Café. Excelente ambiente frequentado por este que versa e também por gente de bem com a vida. De longe é possível ouvir o samba de terreiro e de perto eles promovem muitos debates sobre diversidade, política e tolerância. Sendo assim, não salva ninguém. Mas, faz uma galera feliz e toda perfumada na Boticário.

Então, qual a diferença entre o charme e o funk? Um anda bonito e o outro elegante, tchê! O tratamento para instituições religiosas evangélicas não deveria ser o mesmo aplicado ao estabelecimento comercial?

Francamente. Tem horas que me sinto num remake de Footloose nesse meu país. Tá decidido! Vou comprar um fusca amarelo calcinha, encher de miguxos e miguxas lavados na Boticário, ouvindo "deixa eu cantar, pro meu corpo ficar Odara" e abastecer no primeiro posto que houver um haitiano comunista ralando.

E por último, num megafone cor de rosa, vou pedir de volta a grana que pagou as passagens da mulher de Eduardo Cunha para ir visitar Israel e as explicações da mídia sobre as propinas na FOFA. Aqui ninguém é palhaço, doutor! Aqui, a turma reclama no padrão FIFA.
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