3 de jul de 2015

Idiota que atacou Dilma pode ser bolsista

Reprodução do Facebook
Um jovem que atacou a presidenta Dilma nos EUA com palavrões e quase a agrediu fisicamente, se diz fã de Bolsonaro

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

Tem alguma coisa muito estranha no ar. Chega a ser incompreensível como uma equipe de segurança da presidência da República permite um homem chegar tão perto da presidenta Dilma e, ainda por cima, atacá-la com palavrões. O vídeo dá uma noção exata que o homem poderia atingi-la fisicamente com o que estivesse ao seu alcance.

O fato aconteceu na Universidade de Stanford, nos EUA, na quarta-feira (1), quando a comitiva presidencial estava em visita oficial ao país. Por causa do acontecido inúmeros sites já divulgam que o general-de-Exército José Elito Carvalho Siqueira, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, GSI, já mandou publicar no Diário Oficial da União, DOU, a substituição de toda a equipe que faz a segurança do Palácio do Planalto. A publicação deve ocorrer já na próxima semana.

O nome do brasileiro que atacou a presidenta é Igor Gilly, acompanhado de um colega que atende por nome de Lucas, ambos estudantes na mesma universidade. O jornalista Miguel do Rosário, do site o Cafezinho, publicou que recebeu informações, não confirmadas ainda, que um dos dois brasileiros é bolsista do programa Ciência sem Fronteiras.

Gilly conta em sua página do Facebook que tentou fazer o ataque um dia antes, no hotel em que a comitiva estava hospedada, se passando por jornalista ele tentou ir ao quarto da presidenta, mas foi impedido pela segurança. Não satisfeito ele disse que subiu de andar em andar, após a saída dos jornalistas, para ouvir em todas as portas tentando identificar o quarto de Dilma.

O relato desse estrume me parece muito fantasioso. Em primeiro lugar é contraditório. Se a segurança o impediu de subir, como ele conseguiu subir depois? A segurança só fica enquanto tem jornalista? Fanfarrice pura.

Em segundo lugar, o Fairmont San Francisco Hotel, onde a comitiva ficou hospedada, tem 592 apartamentos e, mesmo que seja uma escutadinha apenas, este rapaz levaria um bom tempo para encostar o ouvido em todas as portas. Ele conta ainda que não conseguiu ouvir a voz da presidenta. liar Satan will burn in hell!!

Em terceiro e último lugar, num país que acha que atrás de cada árvore se esconde um terrorista, um hotel luxuoso que hospeda famosos, autoridades mundiais e bilionários, não tem câmeras de monitoramento? Como um homem encosta o ouvido em 592 portas de apartamentos e não é interrompido pela segurança?  Ora, faça-me o favor, essa besta quadrada não sabe nem mentir.

Igor tem fotos com o deputado federal Jair Bolsonaro, PP/RJ, de quem se declara fã, o que não é de se estranhar, para quem teve uma atitude como a dele.

O Ministério Público Federal, MPF, já declarou que vai analisar as imagens e que pode denunciar Igor por crime contra a honra da principal autoridade do Brasil, tipificado no código penal como calúnia, injúria e difamação, além de ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional por ter colocado em risco a integridade física da presidenta.

O professor Paulo Blikstein, membro do corpo acadêmico de brasileiros da Universidade de Stanford, escreveu uma carta para o Painel do Leitor, da Folha de São Paulo, onde deixa claro que repudia a atidute do jovem brasileiro, chamando-o inclusive de imbecil. Confira:

"Durante a visita de Dilma aos EUA, professores e alunos do Lemann Center, um centro que estuda educação brasileira na Universidade de Stanford, se organizaram para falar com a presidenta. Nossa reunião foi frustrada porque dois jovens brasileiros furaram a segurança de Stanford, entraram no prédio, e dirigiram ofensas lamentáveis à presidenta, no mesmo recinto onde estavam convidados como Mark Zuckerberg e o chairman do Google, Eric Schmidt.

O direito de protestar é um pilar da democracia. Mesmo entre os alunos brasileiros de Stanford, há aqueles que são partidários do governo e os que estão na oposição.

Mas o tipo de ataque desses dois jovens (que têm fotos com Jair Bolsonaro no Facebook), lembra a virulência de grupos políticos fascistas que infelizmente proliferam pelo mundo. Entre erros e acertos do governo e da oposição, há um erro que ambos devem evitar a todo custo: ignorar o perigo do crescimento desse tipo de ideologia violenta e fascista, normalmente acompanhada de homofobia e racismo.

Há oposição construtiva e inteligente no país, e ela não deve jamais se deixar confundir ou se aliar a esses grupos. O governo, por sua vez, não deve também confundir a oposição responsável com esses grupos que sempre acabam do lado errado da história.

Os recentes acontecimentos em Charleston, nos EUA, mostram o trágico resultado de dar energia e exposição para esse tipo de imbecil.

Paulo Blikstein"



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