25 de abr de 2017

Polícia reprime manifestação de indígenas

Indígenas em Brasília pedem demarcação de terras / Jornalistas Livres
ACAMPAMENTO TERRA LIVRE
Polícia reprime manifestação de indígenas por demarcação de terras
Cerca de três mil indígenas que faziam um ato pacífico em frente ao Congresso Nacional; 4 pessoas chegaram a ser detidas

por Redação Brasil de Fato 

Esta terça-feira, 25 de abril, foi mais um dia marcado pela repressão policial aos atos populares em Brasília, na capital federal. Cerca de três mil indígenas que faziam um ato pacífico em frente ao Congresso Nacional foram duramente reprimidos por policias, que dispararam diversas bombas de efeito moral.

A repressão ocorreu no momento em que os manifestantes colocavam caixões fictícios perto da entrada do Congresso para simbolizar o genocídio dos povos indígenas no país.

O manifestante Uirapurã, que veio do interior de Pernambuco, conta o que presenciou: “Quando a gente encostou lá no lago pra colocar os caixões, os policias já chegaram atirando em nós, com bombas efeito moral, gás de pimenta. Era um ato pacífico. Índio não é de violência”.

A professora Marize Vieira, do povo guarani do Rio de Janeiro, se disse indignada com a atuação da polícia. "Muita revolta, muita indignação. Você viu, tem mulher, criança, idosos; ninguém tá com arma aqui. O povo indígena sempre foi considerado um povo pacífico. Nós vivemos cantando, em caminhada, pra levar esses caixões e mostrar que essa política que eles estão implementando com essa bancada do agronegócio e com a bancada evangélica, que se junta com eles pra retirar nossos direitos, está matando o povo indígena todos os dias”.

O protesto é parte das atividades do Acampamento Terra Livre, que ocorre esta semana na capital federal para discutir as pautas de luta dos povos.

A professora explicou também que o ato é contra as iniciativas do Parlamento que colocam em xeque direitos sociais e culturais dos indígenas. Entre elas, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que transfere do Executivo para o Legislativo a responsabilidade sobre a demarcação de terras.

Para os opositores da medida, a PEC pode fazer com que os indígenas fiquem ainda mais vulneráveis ao jogo político. “Ela também coloca que você pode questionar as terras que já estão demarcadas. Isso é um retrocesso absurdo”, ressalta Marize Vieira.

O deputado federal João Daniel, do PT de Sergipe, que coordena o Núcleo Agrário do partido na Câmara, acompanhou o protesto e criticou a operação da polícia e o fato de o Congresso ter fechado as portas para os indígenas. “Era um acampamento e uma luta histórica dos povos indígenas, legítima, sem nenhuma necessidade de repressão. Ao contrário, era uma obrigação a Câmara, o Senado e o governo federal recebê-los. (…) É um momento de exceção, antidemocrático que esta Casa vive de proibição das pessoas entrarem pra fazerem qualquer manifestação. É vergonhoso”, ressalta.

Segundo lideranças indígenas, quatro pessoas chegaram a ser detidas e logo em seguida foram liberadas. As ocorrências não chegaram a ser registradas pelo Departamento de Polícia Legislativa e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não se manifestou oficialmente sobre o assunto.

Já a Secretaria de Segurança Publica do Distrito Federal disse os policiais reagiram porque os indígenas não teriam cumprido o acordo de não ocupar o espelho d’água que fica na frente do Congresso.
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