APRISIONAMENTO IDEOLÓGICO E SUBPRODUTO LIBERAL
por Diogo Costa
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Fora do Eixo e Mídia Ninja, depois do furor da entrevista no Roda Morta, na última segunda-feira, a situação tende a se acalmar e os muitos questionamentos serão parcialmente respondidos.
É muito cedo para conclusões apressadas ou para teses definitivas. Talvez não seja cedo para reavaliar como um todo a política cultural no Brasil.
É uma política eminentemente liberal, cujo arcabouço legal vem lá do governo Collor, através da Lei Rouanet. São renúncias fiscais (já chegam a mais de um bilhão de reais) que propiciam que pessoas físicas ou jurídicas abatam parte do Imposto de Renda através do financiamento de projetos culturais.
O mérito inegável do FdE e dos 'Ninjas' é a sua movimentação, a sua ousadia de criar algo novo, ou 'novo', enfim.
Mas o debate principal é que o FdE, por exemplo, é um subproduto (no que tem de bom e de ruim) de uma política cultural equivocada, de corte liberal.
A ditadura militar e o ciclo neoliberal rebaixaram muito a disputa ideológica e programática no Brasil.
Quem já teve o imenso prazer de ler o projeto de lei das Reformas de Base de Jango (e lá se vão quase cinquenta anos do projeto), sabe o quão rebaixado está o debate programático e as teses de boa parte da esquerda atual.
Vivemos hoje num país colonizado mental e ideologicamente, aprisionado por inúmeras das teses dos vencedores de 64, de 89 e de 94-98.
Vencer essa colonização ideológica liberal e montar uma nova política cultural, aí está o grande desafio. E vale para outros tantos setores da vida em sociedade, como educação, saúde e previdência, por exemplo.
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