9 de ago de 2015

Ressurge a Vera Cruz

A Companhia Cinematográfica Vera Cruz funcionou entre
1949 e 1954 e produziu filmes de sucesso como
O cangaceiro, Sinhá Moça e Sai da frente.
Importante companhia cinematográfica brasileira, em São Bernardo do Campo (SP), será revitalizada. O orçamento é de R$ 158 milhões
A Companhia Cinematográfica Vera Cruz entrou para a história do cinema brasileiro como definidora na modernização da sétima arte no País. Durante seu período clássico, entre 1949 e 1954, a Vera Cruz foi responsável por filmes sofisticados, estrelados por grandes atores brasileiros, filmados por experientes profissionais europeus usando os melhores equipamentos da época. O estúdio, em São Bernardo do Campo (SP), deixou um legado técnico e artístico que seria importante para o desenvolvimento do cinema feito no Brasil a partir de então.

Quatro décadas após encerrar as atividades, a Vera Cruz começa a ser revitalizada. Por conta de seu valor cultural para a região do ABC paulista e do Estado de São Paulo, o estúdio onde funcionou a companhia cinematográfica foi tombado, mas vinha sendo usado desde então para receber feiras e eventos.

Ao longo dos próximos cinco anos, período previsto para sua revitalização, o complexo – de 45,6 mil m² – voltará a ser usado para sua finalidade original. Vencedora do contrato de concessão, válido por 30 anos, a empresa Telem S.A. (Técnicas Eletro Mecânicas) está responsável pela construção de sete estúdios, salas de pré e pós-produção, estacionamento, teatro com 850 lugares, cinema digital para 100 pessoas, espaço de convivência e o Memorial da Cia. Vera Cruz, com acervo iconográfico adquirido da família Khouri (dos irmãos cineastas Walter Hugo e William, que assumiram a produtora nos anos 1970) e peças pertencentes ao município. O investimento será de R$ 158 milhões.

Na noite de quarta-feira, 5 de agosto, foi realizada a cerimônia de abertura do Complexo Cinematográfico Vera Cruz. Entre os convidados estiveram presentes o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, o diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, o diretor-presidente da Spcine, Alfredo Manevy, o secretário municipal de Cultura de São Paulo, Nabil Bonduki, o ator Sérgio Mamberti e secretários municipais, entre outros.

A volta da Vera Cruz vai ao encontro do atual bom momento da produção de cinema no Brasil e das intenções do Ministério da Cultura (MinC) em apoiar e fomentar o audiovisual brasileiro.

Pelas próximas três décadas, a Telem poderá explorar comercialmente o empreendimento e ficará responsável por sua manutenção. A Prefeitura de São Bernardo ficará responsável pelos programas de formação e fomento da cadeia local de audiovisual. A primeira etapa da revitalização a ficar pronta é o centro cultural, que deve ser entregue em 2016.

Além de longas e curtas-metragens, de grande orçamento a independentes, a nova Vera Cruz também será um espaço para a realização de produções de televisão e internet.

História
Terceira companhia cinematográfica criada no Brasil (depois da Cinédia e da Atlântida), a Vera Cruz foi fundada em 1949 por Franco Zampari e Ciccilo Matarazzo. A iniciativa da dupla refletia o período da época vivido em São Paulo, de bonança financeira e entusiasmo cultural – o Museu de Arte de São Paulo (Masp) havia sido criado em 1947 e o Museu de Arte Moderna e o Teatro Brasileiro de Comédias, em 1948.

Os empresários queriam produzir filmes mais rebuscados e, para isso, não pouparam verbas e esforços, comprando os melhores equipamentos disponíveis e trazendo para trabalhar na empresa técnicos ingleses, austríacos, alemães e italianos. No elenco dos produções estavam atores como Tônia Carreiro, Amácio Mazzaropi, Anselmo Duarte e Eliane Lage.

Os orçamentos dos filmes, em alguns casos, eram dez vezes maiores do que custava um filme brasileiro da época. Todo esse investimento resultou em alguns sucessos e muitos fracassos, causando o endividamento da empresa. O sonho da Vera Cruz durou até 1954. Durante sua breve existência, produziu quase 40 filmes, entre longas e curtas-metragens. O estúdio, com outros nomes, funcionou até meados da década de 70.

Entre as grandes conquistas da Vera Cruz estão O cangaceiro (1952), de Lima Barreto, premiado como melhor filme de aventura no Festival de Cannes; Sinhá Moça (1953), de Tom Payne e Osvaldo Sampaio, premiado em festivais como Veneza, Berlim e Havana; e Sai da frente (1952), de Abílio Pereira de Almeida, estreia de Mazzaropi no cinema.

Fonte: Portal Brasil, Ministério da Cultura e Vera Cruz Cinema.
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