23 de nov de 2015

Mulheres são agredidas por serem muçulmanas

Muçulmanas revelaram as agressões nesta segunda-feira (23)
Mulheres são vítimas de agressões por serem muçulmanas em Curitiba
Uma delas foi apedrejada quando voltava para casa. Outra recebeu cusparada. Segundo elas, os casos pioraram após os atentados em Paris.

por Diego Ribeiro

Duas mulheres foram vítimas de agressão em Curitiba na semana passada por serem muçulmanas. Uma delas, Luciana Velloso, de 33 anos, foi apedrejada. Um homem a atingiu com uma pedra em uma calçada, no Jardim Botânico, na última sexta-feira (20). Paula Zahra, de 34 anos, foi atingida por uma cusparada após ser xingada, na Avenida Sete de Setembro. Os casos foram divulgados por elas, na tarde desta segunda-feira (23), em uma coletiva na Mesquita Imam Ali Ibn Abi Tálib, no Centro da capital.

As duas contaram que a islamofobia aumentou após os atentados em Paris, no dia 13 de novembro. “Antes, (as agressões) eram só constrangedoras, agora são amedrontadoras”, disse Luciana, após relatar o que aconteceu. Segundo ela, quando retornava da região Central de Curitiba para o Jardim Botânico, onde mora, passou por um senhor, que estava com, aparentemente, sua neta.

“Ele passou por mim, pegou uma pedra e atirou na minha perna. Eu não entendi direito o que ele falou. Fiquei assustada, nervosa e saí correndo”, explicou. Um dia antes de Luciana ser vítima da agressão, Paula caminhava na calçada da Avenida Sete de Setembro, quando um passageiro de uma das linhas biarticuladas que transitam por ali botou a cabeça para fora da janela e passou a xingá-la e a cuspir nela.

“Vou ter que tirar o meu véu para poder andar na rua? Meu filho não pode ir à escola porque me chamam de mulher bomba pra ele”, lamentou Paula, indignada. Segundo ela, seu filho sempre precisa deixar de frequentar as aulas quando acontecem atentados ao redor do mundo, porque seus colegas confundem os radicais terroristas com muçulmanos. Paula e Luciana são muçulmanas xiitas e os radicais do Estado Islâmico são sunitas, da vertente wahabita. Essa corrente sunita é a minoria no mundo e mais comum na região de Riad, na Arábia Saudita, e, agora, também entre os radicais em Raqaa no norte da Síria e em Mossul, no norte do Iraque. Elas contaram vários episódios que foram xingadas e vítimas de protestos dentro de ônibus, onde as mandam volta para o país delas. As duas são brasileiras.

Em Curitiba, mesmo sendo xiita, a mesquita local sempre foi bom exemplo de ótima convivência com sunitas. Tanto que eles sempre fizeram suas orações ali, segundo o porta-voz da Sociedade Beneficente Muçulmana, Omar Nasser Filho, que tem dado suporte às vítimas. Ele explicou que o caso será levado a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e para o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Consepir). A Sociedade também deve encaminhá-las para registrar boletim de ocorrência na polícia sobre os episódios de agressão.

“Os casos estão se tornando numerosos contra mulheres porque são facilmente identificadas. É o momento de falar sobre o que está acontecendo. Não queremos vingança ou conflito. Queremos que as pessoas que agem por preconceito e ignorância pensem muito antes de agir. A partir de agora vamos denunciar todos os casos. O Islã é uma religião de paz”, afirmou Nasser.
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