26 de nov de 2015

Zelotes: força-tarefa cumpre mandados de prisão

Zelotes: força-tarefa cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão
Medidas foram determinadas após a descoberta de que lobistas investigaram um procurador da República
A pedido do Ministério Público Federal em Brasília (MPF/DF) e da Polícia Federal (PF), a Justiça determinou nessa segunda-feira, 23 de novembro, a prisão preventiva de três investigados/as na Operação Zelotes: Mauro Marcondes Machado, Cristina Mautoni Marcondes Machado e Francisco Mirto Florêncio da Silva. O mandado referente a Francisco Mirto foi cumprido nesta tarde (24). Já no caso de Mauro e Cristina, a prisão aconteceu em 26 de outubro, em decorrência da investigação. O que motivou o atual pedido das prisões foi a descoberta de que os três, além de integrar organização criminosa, “investigaram” clandestinamente um procurador do Ministério Público Federal.


No pedido, a equipe de investigação explica que o casal Mauro e Cristina atua como lobista e que Francisco Mirto, sócio da CVEM Consultoria, é representante da dupla em Brasília. Em decorrência dessa ligação, Francisco foi um dos alvos das buscas e apreensões deflagradas no fim do mês de outubro. Naquela oportunidade, conforme frisa o delegado da Polícia Federal Marlon Cajado, foi apreendido na residência de Mirto um caderno de anotações onde aparece um grande volume de informações acerca da atividade do grupo. 

Uma anotação em especial chamou a atenção das autoridades. Datada de 7 de abril de 2010, a nota deixa claro que Mirto, Mauro e Cristina investigaram o procurador regional da República José Alfredo de Paula Silva, que atualmente integra a Força-Tarefa do MPF na Zelotes. Na época, o procurador havia instaurado investigação para apurar a compra de caças aéreos pelo governo federal. O caderno traz, além do nome do procurador, a data em que ele voltaria de férias, telefone funcional e, em vermelho, a seguinte orientação: “investigar e informar a Cristina Mau”.

Para a equipe de investigação, a descoberta dessas novas informações evidencia o grau de periculosidade do grupo “que não se intimida sequer perante agentes de Estado, ou seja, membros/as do Ministério Público, do Poder Judiciário, da Polícia Federal, da Receita Federal, etc, a quem “investigam” para colher elementos intimidatórios, seja por meio de chantagem ou ameaça, seja por atentados à integridade física dessas pessoas”. Com base nas evidências do alcance da atuação do grupo, foram formulados pedidos de prisão, fundamentados na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal.

Conforme decisão do Juiz Federal Vallisney de Souza Oliveira, “essa forma de atuar partindo das investigações não pode ser considerado um fato isolado, pois Mauro Marcondes e Cristina Mautoni teriam lançado mão, em outra oportunidade, de um escritório de investigação particular chamado Wagner Nakagawa Intermediação de Negócios Financeiros Ltda (que tem como sócios Midori Nakagawa e Marcos Wagner Machado, este um ex-policial civil), onde foram encontradas duas armas de fogo”.

Na mesma decisão judicial, também foi autorizada a realização de nova busca e apreensão na sede da empresa Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia Corporativa. Neste caso, o objetivo é conseguir novas provas para “materializar os vínculos espúrios evidenciados no material já arrecadado”.

A operação - A Zelotes apura suspeitas de manipulação de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Instaurada no fim de 2013, a investigação é conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e por outros três órgãos: Polícia Federal, Receita Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda. Mauro Marcondes e Cristina Mautoni também são investigados no inquérito que apura suspeitas de interferência para garantir a aprovação de Medidas Provisórias que beneficiaram empresas do setor automobilístico.

Nos pedidos de prisão, a força-tarefa detalha informações e documentos já reunidos que deixam clara a ligação existente entre Mauro, Cristina e Francisco, bem como a participação deles nas negociações referentes à aprovação da Medida Provisória 471, convertida na Lei 12.218/10. Por meio da CVEM, Francisco recebeu R$ 500 mil da empresa Marcondes e Mautoni. A estimativa é que a negociação – que teria incluído duas grandes empresas do setor automobilístico – poderia render a cifra de R$ 32 milhões, valor que seria distribuído entre vários envolvidos no esquema.

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