5 de mar de 2016

Escritor se oferece para depor na Lava Jato

Escritor que acompanhou Lula em inúmeras palestras escreve ao juiz Moro oferecendo-se para depor

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

O jornalista e escritor Fernando Morais, escreveu uma carta ao juiz que comanda a Operação Lava Jato, Sérgio Moro, oferecendo-se para depor como testemunha que o ex-presidente Lula proferiu todas as palestras no exterior, após a sa sua saída da presidência, visto que o escritor o acompanhou em todas elas, para colher material para o livro que está escrevendo sobre o ex-presidente.

O que motivou Morais a escrever a missiva foi o fato de os procuradores suspeitarem que as ditas palestras serviram para Lula lavar dinheiro de propina. 

A suspeita dos procuradores da Lava Jato é uma aberração e a investigação que está em andamento é parcial, já que o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, estão enrolados até o pescoço com denúncias de corrupção e não são, sequer, chamados  para depor, enquanto Lula não foi citado por nenhum delator nem é investigado.

O medo dessa gente é 2018.

Confira a íntegra da carta:

Meritíssimo Juiz 
Sérgio Fernando Moro
MD Titular da 13ª Vara Criminal Federal
Bairro Ahú
Curitiba – Paraná

Senhor Juiz:

Na manhã de hoje tive a oportunidade de assistir à entrevista coletiva concedida pelos procuradores do Ministério Público de Curitiba. Deixaram-me a clara impressão de que suspeitam que as palestras realizadas pelo ex-presidente Lula tenham sido uma fachada para encobrir o recebimento de recursos de origem escusa.

Há alguns anos venho acompanhando o ex-presidente em suas viagens pelo Brasil e exterior para levantar informações para o livro que estou escrevendo sobre um período de sua vida pública. Logo descobri que os aviões eram um ótimo local para meu trabalho: sem interrupções de telefonemas, agendas e visitas, eu podia passar horas tomando seu depoimento – lembro-me de um voo de mais de vinte horas de duração. 

Acredito tê-lo acompanhado em mais de dez viagens internacionais. De memória, lembro-me de ter estado com o ex-presidente no México, Portugal, África do Sul, Moçambique, Etiópia, Índia, Alemanha, França, Espanha e Cuba. 

Em todos os casos ele realizou, sim, as palestras para as quais havia sido contratado. Em alguns dos referidos países, mais de uma. Eu o seguia da hora em que acordava até quando se recolhia para dormir. Assisti a todas as palestras e testemunhei todas as audiências que ele concedeu a artistas, autoridades, sindicalistas e empresários locais. Em nenhum momento ele pediu que eu me retirasse para que pudesse conversar privadamente com alguém – o que seria absolutamente natural.

Trago o assunto à baila por uma única razão: sou testemunha da lisura e do comportamento ético que norteou as viagens do ex-presidente Lula ao exterior – e de que ele de fato proferiu as palestras agora colocadas sob suspeição. Nesse sentido, coloco-me à disposição desse Juízo Federal para oferecer meu depoimento, o qual, estou certo, contribuirá para a elucidação dos fatos sob investigação. 

Atenciosamente,

Fernando Morais
jornalista e escritor
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