26 de jan. de 2013

"FROTOGAFIA": Um filme de Walter Sarça


FROTOGAFIA

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho


Foto Divulgação - Walter Sarça
Mais uma vez a Cidade do Gama da um passo à frente nas atividades culturais. 
Quando Afonso Brazza, o Bombeiro Cineasta, projetou o Gama para o Brasil, com seus filmes de baixíssimo custo e figurantes-atores ou Atores-Figurantes, tínhamos a certeza que a Cidade já era vanguarda na área. Com a morte de Brazza em Julho de 2003, tivemos poucas ações para a tela grande.
Agora surge um Agitador Cultural, com militância ativa e antiga no Gama, Walter Sarça.
Sarça lança o filme "Frotografia", nos mesmos moldes econômicos de Brazza, mas com um requinte polêmico e atrevido, próprio daqueles que não se oferecem como solução messiânica para nada, mas como  um provedor de atidudes e pensares construtivos.
Leia abaxo uma resenha do filme, escrita pelo próprio Walter Sarça.
Aguardamos o lançamento.

"Frotogafia, o primeiro filme de ficção de Walter Sarça, Gama - DF, bem poderia ser a descrição de um fato, de um ato de violência contra criança, e sendo mais especifico, de um assassinato. Abordagem coletiva não tão frequente quanto o fato em si. Não deixa de ser inquietação de muitas pessoas de bem. O filme acontece com atores e não atores, figurantes espontâneos, numa interação que se aproxima do documentário, porém com uma narrativa fictícia e, até certo ponto contemporânea. O título FROTOGAFIA é um "erro" de grafia, ou neologismo. 
Foto Divulgação - Walter Sarça
Em um primeiro momento a palavra, remete a fotografia,  e claro, deixando um incomodo, ou no mínimo, por não estar correta, ou mesmo por não existir, senão a partir do filme. Se de certa forma a palavra existe, é como se quisesse dizer, existe uma foto, mas queimaram o filme. 

Filmado no setor sul do gama, o filme trata de uma metáfora sobre a frialdade humana, ou em outras palavras, o descaso, que se reflete nas preocupações individuais cotidianas. Uma criança, Abel, pega a câmera fotográfica do pai escondida, e sai pela cidade com o seu bicho, como ele diz, de frotogafar.  Entre um clic e outro ele parece errar o alvo, ou seja, tira a foto de um, ao que tudo indica, ex-bandido, que encabulado, decide segui-lo e estrangula-lo. O que acontece com o extremo agressor, no fim do filme, não poderia trazer ordem, moral ou ou catarse, mas esta talvez seja a condição comum, não diria natural, do ser humano. 
Foto Divulgação - Walter Sarça
O filme tem pretensão política, mas dentro da perspectiva da incerteza ou da probabilidade.    De certa forma o filme, que pertence à categoria dos de baixíssimo orçamento, procura mostrar que estamos, todos nós, dormindo, e por isso é sempre prematuro falar em amor social. É um apelo, e principalmente um "tapa na cara" da sociedade, e indica não a punição, antes revela a indiferença a que estamos submetidos.  "
Walter Sarça
Foto Divulgação - Walter Sarça

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