Governo do Rio faz manobra para despejar índios da Aldeia Maracanã
Fundação Darcy Ribeiro alega ter documentos que poderão dar reviravolta no caso.
Enquanto a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro negociava uma proposta para retirada dos indígenas do antigo Museu do Índio, no Rio de Janeiro, o Governo Estadual, ingressava, por meio da Procuradoria Estadual, com uma ordem de despejo contra os moradores do imóvel.
Ao mesmo tempo em que a Secretaria falava sobre a criação de Centro Cultural dos Povos Indígenas e o Conselho Estadual de Direitos Indígenas, os índios eram alvo de um ato que os obriga a deixar o imóvel em até 10 dias.
A Procuradoria de Patrimônio e Meio Ambiente do Rio exige a saída urgente dos indígenas por causa das obras de modernização e ampliação do entorno do estádio do Maracanã.
Segundo a liderança indígena, cacique Carlos Tukano, ninguém assinou o recebimento do documento que determina a saída do imóvel em 10 dias.
O procurador Federal dos Direitos dos Cidadãos, Aurélio Virgílio Veigas Rios, prometeu adotar "as medidas judiciais necessárias para evitar a demolição". Ele esteve nesta sexta-feira, 18, no prédio e afirmou que vai conversar com a secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo e a presidente da Funai, Marta Maria do Amaral Azevedo.
"A demolição é um ato de imposição desnecessário. Temos de reabrir o canal de diálogo para preservar este prédio, que representa o patrimônio histórico e cultural de todos os brasileiros. Não adianta demolir e depois a Justiça decidir favoravelmente à manutenção do prédio" afirmou.
Reviravolta
A Fundação Darcy Ribeiro afirmou, por intermédio de seu presidente, Paulo Ribeiro, que há um documento onde o doador da área, em 1865, Ludwig August de Saxe-Coburgo-Gotha (1845-1907) — conhecido como 'duque de Saxe', exigiu, ad eternum, que o terreno deveria ser utilizado com finalidade de apoio 'à causa dos índios'.
O documento, segundo Ribeiro, está no Arquivo Nacional, mas ainda está sendo procurado.
Ele afirmou também que, caso a sede do antigo Museu tenha outra destinação, a família do duque de Saxe pode exigir a reintegrassão de posse do terreno.
Fonte http://www.ecoreserva.com.br
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